terça-feira, 25 de setembro de 2018

Santa fada do dente


Sofia está com um dente mole há algum tempo e faz o maior drama toda vez que percebe que amoleceu mais ou que saiu um pouco de sangue.

No carro, a caminho do colégio, mexendo no dente, ela resmungou alto:

- Droga, está saindo sangue de novo do meu dente!
- Sofia, o que você vai pedir para a fadinha?- Tomás perguntou
- Ah, não sei, Tomás...

Ele começou a dar palpites sobre o que ela poderia pedir. Eu intervi, já tentando encerrar expectativas de presentes mirabolantes em troca de um simples dente:

- Que história é essa? No meu tempo a gente só deixava o dente pra fadinha e ela dava uma moedinha em troca.

Tomás argumentou:

- Ah, mãe, mas a fada do dente do Gael liberou uma fase do jogo no Ipad dele!

Ah, esses jogos pagos de app, que proibimos lá em casa, mas que Tomás não desiste de tentar nos convencer do contrário...

- Poderosa essa fada, hein?! Nunca ouvi falar de fada que libera jogo em app!

Os dois deram risada e pararam de especular sobre o que a fada poderia dar para a Sofia. Até porque o dente nem caiu ainda!

E ainda sobre a tão falada fada... 

Sabiam que ela pode ser acionada em situações que não envolvam dentes? 

Semana passada foi aniversário do Tomás, no mesmo dia de seu amigão, o Gael. Neste ano os dois tiveram a alegria de comemorarem duplamente juntos. Tiveram um bolo na escola (que já aconteceu em anos anteriores) e uma festinha de futebol no prédio do Gael no dia seguinte. Na véspera da festinha choveu muito, muito mesmo... e o clima de tensão estava no ar. Como fazer uma festa com 12 crianças na quadra de futebol com chuva? 

Eu fiquei acompanhando, tensa mas otimista, a previsão do tempo na internet. 
Na casa do Gael apelaram por rezar por ajuda. Bea (Beatrice), a irmãzinha dele, perguntou para a mãe, Tati, para quem ela podia rezar. Ela respondeu que ela podia escolher, que podia rezar para quem preferisse Adivinhem quem foi escolhida? Ela! A fada do dente. Segundo a Tati, as preces da Bea foram assim:

- Fada do dente, eu quero, por favor, que chova muito na festa e que tenha muita comida!
- Não, Bea!!! Não pode chover senão vai atrapalhar a festa... - Tati comentou
- Ah... mas é porque eu gosto de brincar na chuva... 

Lá foi ela de novo acionar a fada do dente, com pequenas correções no pedido:

- Fada do dente, eu quero que NÃO chova na festa e que tenha muita comida!!!!

E com muita comida e nada de chuva, a comemoração foi uma delícia! 
Obrigada fada do dente!!! Obrigada, Bea!




segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Procura-se vaga


Estacionar em São Paulo não é tarefa fácil. Dependendo do bairro, é quase impossível.

Ontem, tentando a sorte numa rua que costuma estar sempre lotada, avistei uma vaga e comemorei empolgada. Sofia, que adora a função de copilota, deu seu palpite:

- Ah, não vai caber, olha a garagem, mãe.

Eu não desisti, vi potencial naquele espaço, manobrei e estacionei. O carro coube na vaga.

Então meu segundo copiloto, Tomás, deu a opinião dele:

- Ixi, mas tem uma placa ali dizendo que não pode estacionar...

A placa estava na garagem ao lado, mas eles teimavam, com a visão que tinham de dentro do carro, em achar que eu estava atrapalhando a passagem. Então Tomás continuo lendo a placa:

- PROIBIDO PARA DIA E NOITE. Ah, mãe, então pode parar tranquila, porque agora é TARDE (eram 14:00).




OBS: Embora a minha vontade fosse escrever "co-piloto", pesquisei e vi que no novo acordo ortográfico ficou tudo junto... 

"A Base XVI do Novo Acordo Ortográfico estabelece que nas ”formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc.”, havendo lugar a hífen apenas antes de h (co-herdeiro)."


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O sonho da casa própria


Há 8 anos eu não imaginava que fosse possível ter mais amor dentro de mim. Minha vida e meu coração, até setembro de 2010 estavam preenchidos com uma família maravilhosa, um marido incrível, uma menina ruiva de 2 anos totalmente encantadora e meus dois gatos, Chico e Nina, que, desde 1999, foram meus companheiros em casa (Chico já se foi, abrindo vaga para nossa atual bebezona, a Onze, uma vira-lata canina fofa e divertida de 6 meses).

Porém, descobri que cabia muito mais amor ali onde parecia estar com lotação máxima... 

Na madrugada de 20 setembro, depois de travar completamente ao lado da cama, percebi que não estava passando por uma simples contração. Tomás dava sinais de que era o dia de se apresentar para a família. Entre o momento de ligar para minha mãe (*), às 3:00, pedindo socorro, e o parto terminar, foram 3 horas. 

* Minha mãe foi minha companheira de correria, de contrações violentas, foi quem acompanhou o parto, enquanto o Giva ficava com a Sofia em casa. Achamos que seria (e foi) melhor ele fazer companhia para ela enquanto eu ficava 2 dias na maternidade.

Na sala de parto, logo após o nascimento, o primeiro comentário veio de uma enfermeira:

- Que gracinha! Olha só, ele tem covinhas!!!

E assim Tomás chegou, rapidamente, arrebatando corações com seus furinhos nas bochechas (mostrados logo nos primeiros segundos de vida), com sua tranquilidade, sua alegria, deixando claro que amor nunca é demais, que há sempre mais espaço no coração, por mais que você pense o contrário.

Desde então, 8 anos se passaram!!! Tomás, hoje, é um menino alegre, carinhoso, divertido, adora ficar grudadinho (e cutucando... quando era menor ele gostava de ficar cutucando em baixo das unhas de quem ele tinha intimidade e dava bobeira com a mão ao seu lado. Um carinho um pouco estranho... e dolorido. Hoje em dia ele só aperta ou belisca de leve), ama ficar em casa, adora futebol (com os amigos, na televisão, no estádio, de qualquer forma), entrou de cabeça numa fase "Authentic Games" (ainda não entendi totalmente o que significa, mas descobrir que há um Youtuber que só fala sobre esse tema e é o ídolo da criançada), continua amando muito animais (afirma que será veterinário) e sua nova comida favorita é waffle com mel.

Sua preferência repentina por comer waffles rendeu um presente inusitado. O vovô Oscar deu para ele, avisando, antes do pacote ser aberto, que aquele seria um presente para a família toda. A alegria ao abrir o pacote foi a mesma de uma criança ganhando um brinquedo muito desejado, mas o presente em questão não era um brinquedo... era uma máquina para fazer waffles!

Chegando em casa, muito feliz, abraçando seu presente, ele comentou:

- Sabe, mãe, quando eu for grande, vou morar com 2 amigos.
- Oi?!!!

Como assim? A criança está fazendo 8 anos e já tem planos de sair de casa? Não estou preparada... Embora ache que pode ser algo genético, porque eu sempre desejei e me imaginei morando sozinha e, aos 21 anos, foi o que aconteceu...

Bom, mas voltando ao aniversariante, ele continuou me contando seus planos:

- Eu vou morar com o Léo e o Bruno.
- Que legal, Tomás...
- Ah, e vou levar MINHA máquina de waffle.

Fica então o recado para a família, deixando bem claro que ele discorda do comentário do vovô: a máquina de waffle NÃO é da família, tem dono e destino certo! Já é o primeiro eletrodoméstico da futura casa do Tomás com seus amigos. E viva o sonho da casa própria, viva a independência!





quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Aula de música

Não tem jeito, na correria do dia a dia, algo comum de acontecer é a repetição de uma pergunta, um conselho, um comentário, uma bronca. Uma mãe cansada, por exemplo, não pensa "ah, claro, já disse isso mil vezes". Simplesmente fala. Mas as crianças não perdoam: 

- Mãe, você já falou isso... - sempre com um tom de deboche e risadinhas sarcásticas.

Certo, estou pagando meu pecados, porque já fiz muito isso, já dei muita risada ou "bufei" muito com frases repetidas. Hoje em dia sou solidária às mães, avós, aos distraídos/cansados/sem memória recente. 

Ontem, saindo da escola, encontramos na calçada a professora de música. Sempre muito simpática, puxou papo comigo, conversou com as crianças e perguntou:

- Nossa, Sofia, eu não sabia! Ele é seu irmão? - referindo-se ao Tomás, que estava ao lado dela.

Sofia fez que sim e, em seguida lançou um olhar de cumplicidade ao irmão. A professora se afastou e os dois deram risada. 

- Por que vocês estão rindo? - perguntei
- Porque ela já perguntou isso várias vezes, mãe... - Sofia respondeu
- Ah, coitada, Sofia, ela esqueceu. É muita informação o tempo todo, muita criança na escola. Não tem problema.

Tomás então falou:

- Ah, então deve ser por isso!!!
- O que, Tomás?! - perguntei
- Ela esquece!!! E então TODA aula a gente tem que ensaiar a MESMA música...



segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O dia em que apaixonei pelo Coala


Demorei 5 anos para descobrir o Festival Coala. A descoberta aconteceu ao ouvir uma entrevista na Rádio Eldorado com os curadores do festival, Marcus Preto e Gabriel Andrade, há alguns meses. Que bom que sou ouvinte assídua do Som a Pino, da Roberta Martinelli, porque, nesse dia, durante a entrevista, além da feliz descoberta, ganhei, na promoção surpresa que fizeram, um par de ingressos para os dois dia de festival.

Nesse último fim de semana, nos dias 1 e 2 de setembro,  a 5ª edição do Festival Coala aconteceu. Me senti extremamente privilegiada por ter estado lá. Privilegiada, porque posso me esforçar para tentar contar em detalhes tudo o que aconteceu, mas o que vivi ali nesses dois dias talvez não não seja possível transmitir em palavras.

Para quem comprou ingressos, uma grata surpresa, em tempos de eventos caríssimos: o Coala Festival oferece entrada solidária, isto é, a meia entrada é válida para todos, contanto que seja doadoe 1 KG de alimento não perecível. É possível comprar um passaporte para os 2 dias por um preço super justo e acessível.

Ingressos na mão, vamos lá! 

Ao entrar no festival, pela passagem subterrânea que dá acesso ao espaço aberto do Memorial da América Latina, um cenário contrastante com a cidade de SP se abre. O que se encontra ali é um lugar cheio de cores,  de leveza, de alegria, de liberdade, de pessoas de todas as idades e gêneros, de todos os estilos e, principalmente, cheias de estilo!!! A infraestrutura montada é moderna, criativa e funcional. Tudo bem dividido, organizado e sinalizado.

Logo na entrada há uma indicação à esquerda para a "Feirinha Jabuticaba" (um espaço para expositores) e "Praça de Alimentação". O espaço reservado para alimentação tem um clima de parque, com árvores (com, super bem-vindas e disputadas, sombras, já que tivemos 2 dias de 30º nesse inverno maluco de SP), mesas de madeiras e pufes, além de muito espaço na grama que, para os mais experientes das outras edições do festival, foram preenchidos com cangas onde as pessoas podiam descansar e comer num clima de piquenique.

Contando com patrocínio de empresas como Natura e Skol, havia estande de degustação de um lançamento de cerveja, distribuição de água gratuita para quem comprasse drinks e muitas promotoras da Natura circulando e oferecendo "maquiagem express" para aqueles que queriam entrar num clima mais colorido. 

Os preços não eram abusivos para comer ou beber e disponibilizaram opções variadas, de ótima qualidade e bem saborosas. Realmente era possível passar o dia (ou 2 dias!) por lá sem sofrimento e sem ir à falência.

Segundo Thiago Custódio, sócio e diretor de marketing do Coala, “O evento foi pensado para ser democrático e amplificar manifestações de música e arte. Tudo isso só acontece porque marcas que têm isso na sua essência acreditam no projeto, e o entenderam como uma oportunidade de se conectar com o público jovem e formador de opinião”.

Ah! E claro... além disso tudo, o principal: o festival tem, claro, shows, muitos shows!

O Coala é exclusivamente um espaço para a música nacional. Com estilos diversos. É possível assistir um show de rap baiano, com Baco Exu do Blues, e ter, logo em seguida, Gilberto Gil, feliz e cheio de energia (com direito a uma "sambadinha" durante "O Rio de Janeiro continua lindo"). Ou assistir o show com uma "pegada Los Hermanos" do carioca Rubel e depois cair no baile black de Mano Brown, com seu excelente Boogie Naipe. 

Preciso confessar... amei muito o show do Gil, me acabei de dançar com Mano Brown e gostei muito de tudo que ouvi por lá, mas... Quem de fato ganhou meu coração, me conquistou do primeiro ao último segundo de show foi Johnny Hooker. Seu show abriu o segundo dia do festival, muita gente não conseguiu chegar a tempo, mas eu corri, corri muito, porque algo me dizia que eu não podia perder nada desse show. Eu estava certa.  Foi mágico, entramos no Memorial e a contagem regressiva para Johnny Hooker começou no telão (ah! mais um detalhe: pontualidade britânica do começo ao fim no Coala!!!! Coisa rara e exemplar hoje em dia). O show começou com o refrão "Olha eu aqui de novo. Viver, morrer, renascer. Firme e forte feito um touro". E assim foi, uma hora de um show firme e forte, intenso, vigoroso, com um artista completo, com uma presença de palco inacreditável (me falaram mais tarde que ele é baixinho, mas nem notei, pois no palco Johnny Hooker fica gigante!). No encerramento, um bis cheio de emoção e significados. Em tempos de preconceito, de retrocesso, de preocupação excessiva com a vida alheia, de julgamentos antiquados, "Flutua" foi cantada em coro com a platéia com uma intensidade, que me deixou emocionada até agora. Foi um momento pra lembrar que, sim, a vida não está fácil, o mundo está bem estranho e cheio de retrocessos, mas esses momentos valem a pena e, de alguma forma, percebemos que não estamos sozinhos.

* Obrigada Roberta Martinelli (e Rádio Eldorado!), Marcus Preto e Gabriel Andrade pelos ingressos.
** Obrigada Roberta Martinelli por atender meu pedido e tocar "Flutua" no Som a Pino de hoje e trazer, para mim e para os ouvintes que estiveram no Coala, um pouco daquela emoção de volta.





sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Almas gêmeas?

Na minha infância morei, por us 6 anos, com minha mãe e meu irmão, na casa da minha avó materna, Maria Emília.

Como já contei bastante por aqui, ela era uma pessoa encantadora, apaixonante, cheia de peculiaridades. Já fiz uma postagem falando sobre seus hábitos e gostos, mas me esqueci de algo bem marcante para quem dividia a casa com ela ... sua coleção de bibelôs. A cada passeio, cada viagem, quando encontrava uma peça nova que gostasse, comprava e espalhava pela casa toda. Entre dezenas de bonequinhos, estavam alguns passarinhos, gatos e vários cachorros.

Por que lembrei disso? Porque me dei conta de que Tomás identificaria-se totalmente com a minha avó e certamente ficaria maluco com a casa dela. 

Faz tempo que ele adora coleções de bonequinhos e agora tem deixado claro que acha os bibelôs da época da minha avó super atuais e fofos.

Passamos por uma feirinha de artesanato nesta semana e ele parou em frente a uma barraquinha, viu um bibelô de um filhote de basset (curiosamente, um dos cachorros favoritos da minha avó), pegou, abraçou, ficou maluco com o bichinho. Me pediu, praticamente implorou, pra usar a semanada e "investir" no cachorrinho. Eu fiquei na dúvida, olhei o bichinho, achei de gosto duvidoso. OK, nunca achei bibelôs a coisa mais linda do mundo... Porém, naquele momento, lembrei com carinho da minha avó e da alegria quase infantil que ela tinha em colecionar aqueles bichinhos. Olhei pro Tomás, naquela expectativa por um "sim" e,  de repente, aquele cachorro tornou-se até fofinho aos meus olhos. 

Liberei a compra.

Chegando em casa, achei que ele colocaria a aquisição em seu quarto. Estava enganada. Escolheu um lugar na prateleira da sala. Olhei, respirei fundo e perguntei:

- Tomás, achei que você ia colocar no seu quarto. Por que você deixou o cachorrinho na sala?
- Ah, quero deixar ele aí...

Tá certo... somos uma família, cada um com suas preferências e com direitos iguais em darem seus toques pessoas na decoração. Embora ainda relutante com a presença dele ali, acho que o salsichinha na prateleira vai poder me trazer boas lembranças sempre que nos cruzarmos pela sala.


Só espero que, se a coleção crescer, ele prefira deixar no quarto...

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Caxumba


Sonhei que estava com caxumba e uma bochecha giganteeee. No auge do desespero, já pensando que eu poderia passar para a Sofia e o Tomás (nem no sonho mãe relaxa!), que seria aquele caos completo, o despertador tocou...

Eram 5:20 da manhã, muito frio, dia de rodízio, de correria... e, pra piorar, dia de dentista logo cedo... Confesso, esse sim, um dos meus maiores pesadelos, desde criança. Desculpe minhas queridas amigas dentistas, não é nada pessoal mesmo! São apenas traumas infantis não superados. Explico..

Com 8 anos eu era uma criança radical (embora digam o contrário!). Numa tarde de brincadeiras no prédio, resolvi apostar corrida de bicicleta com amigos. Até aí, tudo ok. Porém, a largada da corrida era na rampa da garagem!!! Pois é, vejam que eu sou do tempo em que deixavam crianças brincarem em qualquer lugar do prédio, nas escadas de incêndio, no jardim e até na garagem. A gente também andava tranquilamente sem cinto de segurança nos carros ou íamos no "chiqueirinho", nome divertido para porta-malas aberto. Concluo que sou de uma geração de sobreviventes.

Voltando à rampa da garagem, eu resolvi pedalar o mais rápido possível para tentar ganhar a corrida. Não ganhei. Perdi o equilíbrio, voei em direção a um carro estacionado, me ralei toda, quebrei o dente da frente, precisei fazer tratamento de canal, clareamento... O tratamento dentário foi uma novela, só sendo finalizado após 3 tentativas diferentes de dentistas, com o detalhe que fui expulsa do primeiro, porque mordi sua mão (ele é amigo da família até hoje, mas não sei se tem boas lembranças de mim).
Enfim, traumas à parte, o que importa é que hoje acordei aliviada, embora tivesse uma consulta agendada bem cedinho. Olhar no espelho e notar que a bochecha de caxumba ficou só no pesadelo tornou a ida ao dentista o menor dos meus problemas.

Valeu, pesadelo, você facilitou a minha vida e a do dentista no dia de hoje!
Ah! hoje não mordi ninguém!



segunda-feira, 6 de agosto de 2018

10 anos

Em 10 anos tanta coisa pode acontecer. Por aqui, aconteceu.

O dia previsto para tudo começar era cheio de simbolismos. Seria 08/08/2008. Dia da abertura das Olimpíadas na China, que, para completar a superstição, foi às 8:08. Centenas de partos cesáreas agendados para essa data. 

Porém, ela veio pra deixar claro, desde o primeiro dia, que é uma garota de personalidade. Não espere da Sofia o previsível, ela é ousada.

Ela chegou no dia 06/08/2008, às 3:01, de parto normal, surpreendendo a todos com seu cabelo vermelho e pele branquinha (eu e o Giva somos morenos. Meu pai é ruivo, mas nunca imaginei que ela nasceria assim).

Acho que Sofia não quis chegar em dia de festa, de abertura de Olimpíadas. Parece que queria, e quer até hoje, já estar pronta, produzida para participar da festa (e ser a última a ir embora se possível). 

Desde os primeiros dias de vida, ela me colocou em teste. Eu, sempre com mania de organização, não apenas da casa, mas da agenda, da rotina, descobri que precisava me reinventar, relaxar. Aprendi e aceitei que a nova rotina era não ter exatamente uma rotina. Eu não tinha certeza de que horas iria comer, tomar banho, conseguir sair de casa, nem sempre chegava pontualmente aos compromissos. Aos poucos tudo foi se acalmando, com muitas adaptações, com mais tarefas, mas, novamente, com a vida organizada. Claro, organizada sempre que possível... porque aprendi que ser mãe é mudar os planos com frequência, por diversos motivos... bons ou ruins... doenças, consultas médicas, convites de festas infantis, eventos na escola...Incrivelmente, aprender a conviver com o imprevisível fortalece, dá mais paz.

Quando Sofia completou 1 ano tive a certeza de que nossa família precisava crescer, de que aquela criança maravilhosa, que trouxe tanto amor e alegria, tanto aprendizado e evolução, merecia ter um irmão (eu tinha certeza de que seria um menino). 

Mesmo após uma conversa com o Giva, durante a qual concordamos ser mais sensato (financeiramente) não ter mais filhos, eu, no dia seguinte, cancelei a decisão, não conseguia enxergar a Sofia sendo filha única. 

Com a coragem que a Sofia me estimulou a ter e com a certeza de que não há nada melhor do que ter filhos, encarei a segunda gestação, bem menos tranquila (não tinha tempo de me cuidar como na primeira vez, de dormir quando precisava), mas bem mais rápida (o tempo voa quando se tem uma criança pra cuidar) e descomplicada. Tomás chegou no dia 20/09/2010, de parto normal, não veio ruivo, mas compensou com covinhas nas bochechas.

Não poderia ter tomado decisão melhor do que ter 2 filhos. Sim, eles brigam,  eles sentem ciúmes de mim, eles me enlouquecem quando resolvem entrar numa discussão sem fim. Mas eles se respeitam, cuidam um do outro, se amam, se divertem juntos e sentem falta um do outro quando estão separados.

Muita coisa aconteceu desde 2008. Grande parte foi registrada no blog, outra parte está só nas nossas lembranças mesmo. Às vezes é difícil acreditar que 10 anos já se passaram, mas, ao observar a Sofia, ficar ao lado dela e notar que já está quase da minha altura, ouvi-la falando com desenvoltura e maturidade, perceber o quanto já está independente e segura, acabo tendo certeza... sim, é verdade, 10 anos realmente se passaram.

Desejo que ela continue crescendo linda, alegre, divertida, criativa, saudável, que tenha amizades verdadeiras e duradouras, que dê e receba sempre muito amor, que faça muitas descobertas, que continue sendo generosa, carinhosa, sincera, companheira e que eu tenha a sorte de estar ao seu lado e amá-la cada vez mais por muitas outras décadas.

Feliz aniversário, Sofia!!!! 


sábado, 30 de junho de 2018

Despedidas

Ontem Sofia me fez a seguinte pergunta:

- Mãe, quem sofre mais com despedidas? As crianças ou os adultos?

O questionamento foi feito logo após ela ter saído aos prantos do colégio. 

Apreensiva, enquanto não descobria o motivo, eu já estava esperando que ela me contasse que havia perdido algo que gosta muito. Realmente havia perdido, mas não era algo e sim alguém. Pela primeira vez ela sentiu a dor de "perder" um amigo. 

Seu colega de classe há 4 anos, o Lucas, está indo embora de São Paulo, para uma cidade próxima, e ontem foi a despedida da turma, dos professores, do time de futebol... Segundo a Sofia, todos os amigos choraram muito, ninguém teve vontade de comer na hora do lanche, a dor foi muito grande. Pelos olhos inchados, realmente ela deve ter chorado muito durante todo o dia.

Por uma triste coincidência, soube ontem que um amigo do Tomás também está se despedindo da turma neste mês. A mudança, nesse caso, será mais drástica, com um grau maior de dificuldade de marcar encontros futuros, pois a família está partindo para uma nova vida em Portugal.

Com esse cenário, vendo Sofia e Tomás cabisbaixos e tentando lidar com a dor, acabei me lembrando e compartilhando com eles duas situações parecidas que já vivi.

Quando eu tinha uns 16 anos, uma amigona minha, a Vanessa, foi embora com a família para Ribeirão Preto. Foi muito, muito difícil. Encontramos apoio para superar a dificuldade da separação trocando cartas (não havia e-mail e celular ainda... telefonemas interurbanos eram caros). Eram umas 2 ou 3 cartas por semana. Era uma alegria enorme olhar a caixa de correio e encontrar uma carta dela. A dor foi ficando cada vez menor.

Alguns anos antes, passei por uma situação bem mais difícil. Eu tinha 13 anos e precisei me despedir de TODOS os meus amigos de colégio. O Colégio Gávea, onde estudei desde de a 1ª série (atual 2º ano do Fundamental 1), estava encerrando suas atividades, o terreno havia sido vendido para a construção de um condomínio de prédios.

Voltando ao cenário atual... Sobre a pergunta da Sofia, tentei explicar para ela que cada um lida com esse tipo de situação de uma forma, mas normalmente as separações são difíceis, para adultos e crianças, para pais e filhos, mas vamos aprendendo a lidar e superar com o tempo. Tentei mostrar para eles que a nossa dor nesses momentos parece a pior do mundo, mas tentar colocar-se no lugar de quem está partindo pode nos fazer perceber que há alguém sofrendo muito mais. 

Desde que Sofia me contou que o amigo estava indo embora de SP, há pouco mais de uma semana, imaginei como devia estar sendo difícil para ele e para a família, fui pensando junto com ela em como a turma de amigos poderia ajudar a amenizar o clima de tristeza da despedida, em como poderiam dar carinho para tentar fortalecer o amigo e ajudá-lo a partir mais feliz. Decidimos comprar uma cartão gigante para que todos os amigos pudessem ter espaço para escrever uma mensagem para o Lucas. No colégio, eles organizaram um piquenique surpresa, onde aproveitaram para fazer a entrega do cartão. Foi uma troca de carinho linda.

Eu me emocionei muito com a união das crianças, com a troca de carinho. E ainda mais ao receber mensagem da Cora, mãe do Lucas, agradecendo muito e contando em como ele havia ficado feliz, em como havia sido especial esse acolhimento dos amigos.

Como disse à Cora, não há nada, nada mesmo a agradecer. Essa troca de carinho, de amor é muito especial, verdadeira e espontânea.  É uma TROCA. E é o que faz a vida fazer sentido. 

Turminha com o cartão "amizade é tudo de bom".

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Você já viu uma tv por dentro?! Eu já!!!

Sabem a televisão da postagem anterior?! Então, mesmo após ter me deixado na mão no segundo tempo da final da Copa onde o Brasil foi Penta Campeão, não guardei mágoas, dei uma segunda chance para ela. Levei para o conserto e vivemos juntas por mais alguns meses.

Como já contei anteriormente, eu morava sozinha nessa época. Quer dizer, nem tão sozinha... era eu, Chico e Nina, meu gatos.

Nina está comigo até hoje. Guerreira, minha companheira durante os últimos 19 anos.
Chico ficou doente e morreu há 6 anos infelizmente. Ele era um gato lindo, que suspirava quando ficava no colo (eu amava isso...), branco com manchas cinza, de olhos azuis, meigo, tranquilo e bem gorducho.

Voltando à tv... Ela era pesada, bem pesada, uma tv "tubo", que, quem nasceu após 2000, talvez nunca tenha visto. Por conta do peso e da dificuldade de virá-la para assistir, conforme a posição que eu estivesse na sala, minha mãe me deu uma base rotatória super prática. Em cima da base, o problema do peso estava resolvido, não precisava mais arrastar a tv de um lado para outro, bastava um toque e ela virava. Porém, percebi, futuramente, que uma tv bem fixa no lugar é mais adequada para quem tem gatos.

Gatos amam lugares quentinhos e a tv de tubo era um aquecedor perfeito. Chico gostava de dormir em cima dela (também gostava de tomar sol dentro do tanque de lavar roupa, ele era muito engraçado!). Acontece que, em um dos seus cochilos, deve ter acordado com muita vontade de fazer xixi ou muita fome, saiu num impulso tão forte de cima da tv, que ela bambeou na base giratória e voou diretamente para o chão.

Sorte que gatos são excelentes em reflexo. A tv caiu para um lado e Chico pulou para o outro.

E aquela tv, boicotadora de Copa, teve seu fim oficialmente decretado. Nem cogitei conserto.. Partiu ao meio. Literalmente! O motor ficou pra um lado e a tela para outro. 

E assim meu gato tão lindo e pacato destruiu uma tv... aproveitei e me desfiz, não do gato (!!!), mas da base giratória, para evitar emoções futuras. 



Chico, o destruidor de tvs

quarta-feira, 27 de junho de 2018

E se a tv explodir no lance final?

Nunca fui uma pessoa super empolgada com futebol. Nunca tive um time de coração. Quer dizer, nunca, até as crianças nascerem... Fui me deixando envolver pela paixão (alimentada pelo meu marido) da Sofia e do Tomás pelo Corinthians. Após uma ida ao estádio, já contada por aqui *, o timão me ganhou de vez.  Agora até assisto um ou outro jogo pela TV, já que idas ao estádio ficam, infelizmente (infelizmente mesmo! eu adorei!!!), um pouco pesadas para o orçamento familiar.

Acho divertido o clima de Copa do Mundo, gosto de acompanhar os resultados, assisto um pouco dos jogos (dificilmente um inteiro) e a festa em dia de jogos do Brasil às vezes me anima. Às vezes...

Em 2002, a Copa do Mundo foi no Japão e Coreia do Sul. Aquele T-E-R-R-O-R de jogos acontecendo de madrugada. Como na época eu morava sozinha, na Vila Madalena, digamos que não havia outra opção a não ser ficar acordada assistindo aos jogos do Brasil. Consegui me manter acordada em quase todos... 

A final foi Brasil e Alemanha, num horário "super bacana", 4h da madrugada. Me convenceram a ir numa festa e assistir com os amigos. Lembro da turma ultra animada, numa casa grande, super bacana em Alto de Pinheiros. Fiz aquele esforço pra me manter acordada até o início do jogo, assisti o primeiro tempo "pescando" e, não teve jeito, pedi arrego no intervalo. Não sei se alguém percebeu, porque a euforia era grande, mas me despedi discretamente e fui "assistir" o segundo tempo do jogo em casa.

Cheguei lá caindo de sono, mas pensei "poxa, é final de Copa do Mundo, Brasil x Alemanha, preciso assistir, não vou dormir". Lavei o rosto, respirei fundo, sentei no sofá, apertei o botão do controle remoto da TV e... PUUUFFFF!!!! Um barulhão, seguido de uma fumacinha. A tv "explodiu". Não me lembro o que queimou, o que aconteceu, mas o fato foi que a tv pifou no segundo tempo da final. Não havia opção de emergência, que existe hoje em dia, de assistir pela internet, pelo celular... era a época da conexão discada, do celular só pra fazer e receber ligações.

Enfim, acreditem ou não, mas eu não ouvi os gritos histéricos do Galvão: "É penta!!! É penta!!!! É penta!!!!"

Só tive a certeza de que o Brasil havia ganhado a Copa, porque, é claro, não consegui dormir mesmo! Os fogos e a festa pelo bairro viraram a madrugada, a manhã, a tarde, a noite.

Essa sou eu na Copa do Mundo.