terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Vira-lata muito sábia

Após um período ausente, estou de volta!

Esses últimos meses foram tão corridos, tão cheios de novas tarefas que o blog acabou ficando um pouco abandonado. Um dos motivos que gerou novas e intensas tarefas diárias tem nome: Onze.

Em julho passado tive um momento de insanidade, comecei a seguir a página de uma ong de animais no Instagram, onde divulgam diariamente fotos de animais para adoção. Numa dessas divulgações estava 3 irmãs peludinhas, com carinhas de raposa, de 3 meses aproximadamente. Parecia que olhavam para mim dizendo "venha nos conhecer, por favorzinho". Não consegui dizer não...

Chegando lá, junto com minha principal apoiadora nesse tipo de loucura, minha mãe, me deparei com as 3 filhotinhas. Logo de cara me apaixonei por uma, mas, não querendo ser injusta, pedi para segurar cada uma delas para poder decidir. Peguei primeiro a que já tinha me conquistado à distância. Fiz carinho, fiquei tentando, em vão, recuperar minha sanidade por alguns minutos... Então a coloquei no chão e peguei a irmãzinha mais gorducha, muito linda e fofa. Porém, ao colocar a primeira escolhida no chão, um drama começou: ela começou a tossir, chorar, fazer um escândalo. Tentando acalmá-la, peguei-a no colo de novo e o escândalo parou, a tosse passou como um milagre. Mas ainda tinha a terceira irmã, que também quis dar uma chance. Novo show de tosse e choro. Enfim, a canina mais dramática da turma me convenceu de que eu tinha ido lá especialmente para buscá-la e ponto final.

Na semana anterior eu tinha terminado de assistir a série "Stranger Things" com as crianças. Ficamos fãs da Eleven (no caso, Onze, porque assistimos a série dublada). Assim, quando me perguntaram, no momento da adoção, qual seria o nome da cachorrinha, para poder gravar na plaquinha de identificação, não tive dúvidas: Onze. 

E lá fomos nós. Eu, minha cúmplice, quer dizer, minha mãe e a Onze rumo ao colégio para buscar as crianças e fazer uma grande surpresa. E bota surpresa nisso! Eles só repetiam, emocionados: "é verdade, mãe?" "é nossa mesmo?", "fala sério, é nossa mesmo?", "que fofa", "que linda"...

E nossa vira-lata raposinha Onze, que juraram pra mim que seria um cachorrinho tamanho P, está com 9 meses, um tamanho bem distante de P... continua fofíssima, carinhosa, beeeem maluca, medrosa e muito gulosa. Não se pode dar bobeira com comida, porque ela rouba mesmo... Noite passada devorou um pacote de pão de queijo que estava na bancada da cozinha... Não à toa, Sofia a apelidou carinhosamente de "gorda".

Se tem algo que deixa a canina emocionada é o momento em que eu abro o pacote de ração. E foi num momento desses, com o Tomás ao meu lado, que recebi um alerta. Enquanto colocava a ração no prato, Tomás lia as informações da embalagem e comentou, preocupado:

- Mãe, acho que você precisa comprar outra ração urgente!
- Por que, Tomás?!
- Porque a Onze vai ficar burra comendo isso!!!
- Oi?
- Olha só - disse ele apontando para um informação importante - aqui diz "menos sábia"!

Fui olhar com atenção. Na embalagem constava, em destaque, a seguinte  informação: "menos sódio".







quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Chamego

Quando os filhos nascem parece que é ativado um botão de modo automático nas mães (e/ou alguns pais). Troca fralda, amamenta, dá banho, coloca pra dormir, responde mil vezes ao chamado "ô, mãããe!!!" e por aí vai... As tarefas são infinitas e repetitivas.

Os anos passam, os filhos crescem e de repente você se dá conta de que, mesmo já estando quase da sua altura, eles ainda repetem hábitos de quando mal sabiam falar. Analisem a situação a seguir...

Eu, num dia de extremo cansaço, tentava finalizar as tarefas do dia e, finalmente, ir jantar, tomar banho, dormir. Os planos foram interrompidos por um chamado (gritado):

- MÃÃÃEEEEEEE

Respirei fundo, parei o que estava fazendo e fui verificar porque estava sendo chamada.

Era Sofia, no chuveiro.

- Mãe, ajuda a me secar?
- Poxa, Sofia, você está tão grande, sabe fazer um monte de coisas sozinha... Eu tenho tanta coisa para fazer ainda, não consegui nem jantar. Por que não me dá uma folga, sai do banho e se seca sozinha?!

Ela ficou calada, meio sem graça, pegou a toalha e se secou.

Um tempo depois, novo chamado:

- MÃÃÃEEEEEEE

Dessa vez era o Tomás. Também saindo do banho, também pedindo ajuda para se secar. Repeti o mesmo discurso que havia feito há pouco tempo para a Sofia, mas Tomás insistiu...

- Ah, mas eu gosto que você me ajude.
- Tomás, mas você já sabe se secar. Seja sincero, você não quer ajuda... quer um chamego, um carinho, né? - Ele sorriu, concordando e se secou sozinho.

Dia seguinte. Mesma horário, mesma correria e, novamente, chamada duas vezes seguidas. Porém, de uma nova forma:

- MÃÃÃEEEEEEE, vem me dar CHAMEGOOOOO.

Pronto, já era... quem mandou dar ideia... vou ter que secá-los pro resto da vida...



segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Um dia nunca foi tão cinza como hoje


Nunca uma segunda-feira foi tão cinza.... Sim, amanheceu nublado e com garoa, mas o cinza é muito mais intenso do que o normal. Não está apenas no céu, mas por toda parte.

São 46,03% que deixaram escuridão pelo caminho. São 46,03% que estão por todo lado. Pode ser um vizinho, um amigo, um parente, o segurança do colégio, seu chefe, o padeiro, o motorista do Uber... enfim, quase metade das pessoas ao seu redor teclaram 17 na urna eletrônica para "eliminar o PT" do poder. Infelizmente o que se revela é que o ódio implícito nessa justificativa de voto não se restringe ao partido, à crise econômica. 

O que se mostra a cada dia é que teclar o 17 significa muito mais do que uma escolha política. Teclar 17 faz com grande parte desses 46,03% sinta-se à vontade para colocar seus monstros para fora... xingar nordestinos, ameaçar mulheres, negros, lgbts e "macumbeiros", fazer vídeos portando armas e comemorando que, em breve, essas podem estar liberadas para os "cidadãos de bem" se protegerem...

Sou mulher, tenho filhos, sou casada com um nordestino, tenho muitos amigos gays e negros, frequento centro de umbanda... e por aí vai... O que sinto hoje, além de muito medo pelo futuro de todos nós, é uma tristeza enorme. Realmente não faz sentido, não consigo compreender de onde vem tamanha raiva, tamanha aversão ao outro, tamanha preocupação com a vida ou aparência alheia, tamanha crueldade. Já passou dos limites da discussão política. Não é mais apenas um infantil Fla x Flu. Infelizmente vai muito além disso, é uma regressão. Fere a alma, dói, machuca de verdade.

Ah, claro, ainda há um segundo turno. 
Não importa. 
O resultado parece ser bem previsível, mas, mesmo que uma reviravolta aconteça, não há o que comemorar. 
O lado sombrio, sinistro, desumano de milhares de pessoas foi colocado escancaradamente para fora. Andar na rua nessa segunda-feira cinzenta foi triste, pois a cada pessoa que passou por mim só me vinha uma inevitável pergunta na mente: "será que você faz parte dos 46,03% que acharia ok me agredir (ou alguém da minha família) fisicamente ou moralmente por questões raciais, sexuais ou religiosas?".

Em meio à tristeza, decepção e ao medo, só posso tentar desejar que algum dia tenhamos uma porcentagem maior de pessoas que optem por evolução, amor, respeito e paz.  



quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Uber


A Lei de Murphy nunca falha. Quando o carro decide te deixar na mão? Numa terça-feira 11h da manhã perto do mecânico? Claro que não... Na sexta-feira à noite é bem mais legal! 

E então, na última sexta-feira, o pedal da embreagem "afundou" (percebam que eu sou bem técnica, entendo bastante de mecânica) e o carro ficou parado até segunda-feira, quando foi direto para a oficina mecânica.

Cinco dias a pé, com duas crianças e mil compromissos. Ainda bem que existe carona, taxi e Uber! 

Curiosamente algo bem estranho aconteceu... Ou estou sendo espionada ou o mecânico tem contato direto com a Uber, avisando a empresa de que eu seria uma cliente em potencial nos dias seguintes. Logo após deixar o carro, indo a pé para o trabalho, recebi um SMS com o seguinte aviso:

"Uber: você ganhou 15% OFF nas suas próximas 10 viagens (...)"

Coincidência ou não, veio em boa hora e foi super útil (e econômico)!

Ontem, carro pronto, busquei as crianças no colégio. No caminho de casa, Sofia me perguntou:

- O carro ficou bom, mãe?
- Ficou ótimo!

Tomás entrou na conversa:

- Sabe, mãe, eu acho que não fizeram nada!
- Por que, Tomás?
- Eu não estou vendo NADA de diferente aqui!!!

Talvez ele estivesse esperando, no mínimo, receber o carro com umas balinhas, nos compartimentos do carro, no estilo Uber ...




sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Estávamos ao vivo


Quem me conhece bem sabe que falar em público nunca foi minha preferência desde criança. Eu travo, gaguejo, fico suada, o coração acelera. Às vezes até consigo falar, mas normalmente fujo, faço de tudo para me livrar da tarefa. Sempre preferi mil vezes me expressar por escrito,  onde organizo melhor as ideias, consigo falar o que quero, como quero e quando quero. Nos tempos de colégio sofria muito quando ouvia a palavra "apresentação", aquele terrível dia de apresentar trabalho, na frente da sala, com todo mundo olhando e julgando. Porém, ando notando que a idade tem me deixado menos tímida para algumas situações, tenho aprendido a sofrer menos. Bom, além disso, com Sofia e Tomás ao meu lado, muitas vezes sou quase obrigada a superar toda e qualquer timidez.

Não é de hoje que cito o Programa Som a Pino, da Radio Eldorado, por aqui. Acredito que deu para notar que gostamos muito e ouvimos realmente com frequência... Já mandei minha "música mais maravilhosa" através de uma gravação de áudio, já escrevi texto para um programa especial sobre memórias musicais, sempre mando comentários no chat do Facebook do programa e já participei de uma promoção de ingressos para o Festival Coala com uma mensagem de áudio.Com todo esse histórico de interação, fui deixando Sofia e Tomás animados com essa prática. Sofia e Tomás acham o máximo quando estamos no carro, ouvimos uma música e escrevo um comentário no chat que acaba sendo lido em seguida pela Roberta no ar. 

No Som a Pino há um dia da semana em que a Roberta Martinelli faz o "Telefone Aberto", com o programa todo feito por pedidos dos ouvintes. Claro, tudo ao vivo. É divertido ouvir as histórias, o bate papo e acompanhar a programação sendo feita de forma totalmente imprevisível. 

Já faz tempo que meus filhos pedem para ligarem e fazerem seus pedidos. Muitas crianças ligam e eles começaram a achar a ideia cada vez mais divertida. Pareciam super seguros com a decisão de bater um papo com a Roberta e falarem para ela o que gostariam de ouvir. Assim, já deixei algumas vezes que tentassem ligar enquanto eu dirigia para casa na volta da escola. Sempre dava ocupado. Fizeram muitas tentativas frustradas.

Hoje, na volta para casa, ouvindo Eldorado, veio o anúncio:

-  Hoje é dia de "telefone aberto"! - disse Roberta, convidando os ouvintes a participarem.

Sofia e Tomás aceitaram o convite. Me pediram o celular e começaram a ligar. Uma, duas, três tentativas... ocupado sempre. Sofia não desistiu. Ligou de novo mais algumas vezes e então ATENDERAM! Ela travou e passou imediatamente o celular para mim. Estacionei o carro e comecei a conversar com o produtor do programa:

- Alô. 
- Oi, tudo bem? Quem fala? - ele disse
- É a Aline, mas quem vai falar com a Roberta é minha filha, a Sofia.

Ao meu lado, desesperada ela balançava os braço com sinal de "NÃO, NÃO VOU FALAR".
Oi? Como assim? Cadê aquela coragem toda, aquela certeza, a desinibição da criança? Pega de surpresa, tive que continuar o papo sozinha:

- Bom, ela não vai falar, vou ser eu mesma então...
- Legal! E o que vocês querem ouvir?

Expliquei que uma briga rolava no carro, que não entravam em acordo sobre uma música a ser pedida. O produtor anotou as duas opções para deixar as músicas preparadas e me pediu para ficar na linha esperando.

Naqueles segundos de espera eu tive a certeza de que há coisas que só um filho pode fazer por você, ou melhor com você... te coloca ao vivo, na hora do almoço, numa rádio.. Sem dó, nem piedade!

Respirei fundo e só desejei conseguir falar e não passar vergonha. E então, depois de finalizado o papo ao vivo com a Roberta (quem quiser ouvir, vou deixar o link da gravação), desliguei e falei com a Sofia, aliviada:

- Acho que eu até consegui falar direito, né, Sofia?

Ela deu uma risadinha, falou um "ééé" pouco convincente e completou:

- Nossa, você até conseguiu falar, mas se você visse sua cara...Ficou o tempo todo  muito VERMELHA!

Voltamos para casa ouvindo as duas músicas pedidas, porque, já que não houve consenso sobre uma música, Roberta achou bacana tocar as duas escolhidas pelas crianças. 




Que Seja Doce


Eu e o Tomás adoramos assistir juntos (sempre que dá tempo na nossa rotina corrida) um programa do canal GNT, o "Que Seja Doce". Para quem não conhece, está no ar há alguns anos, é um programa diário bem divertido, onde três confeiteiros disputam o posto de "mais doce", fazendo receitas incríveis e lindas, encarando algumas provas e desafios, dentro do tema proposto em cada episódio. O programa tem a apresentação do chef Felipe Bronze e conta com três jurados especialistas em confeitaria, Lucas Corazza, Carole Crema e Roberto Strongoli.

Ontem estávamos, eu e Tomás, no shopping procurando um presente e, numa olhada para trás na escada rolante, vimos Lucas Corazza vindo em nossa direção. Tomás me olhou, abriu um sorriso e falou:

- A gente pode falar com ele, por favor?

Não tive como negar, esperamos o Lucas sair da escada rolante e fomos conversar com ele, que foi extremamente atencioso, bateu papo, muito simpático. Conquistou de vez o Tomás, que ficou na maior alegria pelo resto do dia. Depois da despedida, ele apenas lamentou:

- Poxa, a gente esqueceu de pedir uma foto...
- Não tem problema, Tomás. Já foi tão bacana encontrá-lo, conversar com ele, você não achou? Não precisa de foto, né?

Ele fez que sim com a cabeça, mas sua expressão dizia o contrário... queria sim a foto. Mesmo assim continuou animado e falando a respeito:

- Posso contar para a minha professora amanhã que eu conheci o Lucas?!
- Claro que sim, mas por que você quer contar para ela?
- Porque eu tenho certeza que ela assiste esse programa!
- É mesmo? Por que, Tomás?
- Ah, porque ela sempre fala, quando acaba alguma coisa gostosa, "ACABOU-SE O QUE ERA DOCE" (frase que o Felipe Bronze sempre fala quando o tempo de cada prova termina).


Pra quem não conhece, segue o link do programa: http://gnt.globo.com/programas/que-seja-doce/



Lucas Corazza

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Santa fada do dente


Sofia está com um dente mole há algum tempo e faz o maior drama toda vez que percebe que amoleceu mais ou que saiu um pouco de sangue.

No carro, a caminho do colégio, mexendo no dente, ela resmungou alto:

- Droga, está saindo sangue de novo do meu dente!
- Sofia, o que você vai pedir para a fadinha?- Tomás perguntou
- Ah, não sei, Tomás...

Ele começou a dar palpites sobre o que ela poderia pedir. Eu intervi, já tentando encerrar expectativas de presentes mirabolantes em troca de um simples dente:

- Que história é essa? No meu tempo a gente só deixava o dente pra fadinha e ela dava uma moedinha em troca.

Tomás argumentou:

- Ah, mãe, mas a fada do dente do Gael liberou uma fase do jogo no Ipad dele!

Ah, esses jogos pagos de app, que proibimos lá em casa, mas que Tomás não desiste de tentar nos convencer do contrário...

- Poderosa essa fada, hein?! Nunca ouvi falar de fada que libera jogo em app!

Os dois deram risada e pararam de especular sobre o que a fada poderia dar para a Sofia. Até porque o dente nem caiu ainda!

E ainda sobre a tão falada fada... 

Sabiam que ela pode ser acionada em situações que não envolvam dentes? 

Semana passada foi aniversário do Tomás, no mesmo dia de seu amigão, o Gael. Neste ano os dois tiveram a alegria de comemorarem duplamente juntos. Tiveram um bolo na escola (que já aconteceu em anos anteriores) e uma festinha de futebol no prédio do Gael no dia seguinte. Na véspera da festinha choveu muito, muito mesmo... e o clima de tensão estava no ar. Como fazer uma festa com 12 crianças na quadra de futebol com chuva? 

Eu fiquei acompanhando, tensa mas otimista, a previsão do tempo na internet. 
Na casa do Gael apelaram por rezar por ajuda. Bea (Beatrice), a irmãzinha dele, perguntou para a mãe, Tati, para quem ela podia rezar. Ela respondeu que ela podia escolher, que podia rezar para quem preferisse Adivinhem quem foi escolhida? Ela! A fada do dente. Segundo a Tati, as preces da Bea foram assim:

- Fada do dente, eu quero, por favor, que chova muito na festa e que tenha muita comida!
- Não, Bea!!! Não pode chover senão vai atrapalhar a festa... - Tati comentou
- Ah... mas é porque eu gosto de brincar na chuva... 

Lá foi ela de novo acionar a fada do dente, com pequenas correções no pedido:

- Fada do dente, eu quero que NÃO chova na festa e que tenha muita comida!!!!

E com muita comida e nada de chuva, a comemoração foi uma delícia! 
Obrigada fada do dente!!! Obrigada, Bea!




segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Procura-se vaga


Estacionar em São Paulo não é tarefa fácil. Dependendo do bairro, é quase impossível.

Ontem, tentando a sorte numa rua que costuma estar sempre lotada, avistei uma vaga e comemorei empolgada. Sofia, que adora a função de copilota, deu seu palpite:

- Ah, não vai caber, olha a garagem, mãe.

Eu não desisti, vi potencial naquele espaço, manobrei e estacionei. O carro coube na vaga.

Então meu segundo copiloto, Tomás, deu a opinião dele:

- Ixi, mas tem uma placa ali dizendo que não pode estacionar...

A placa estava na garagem ao lado, mas eles teimavam, com a visão que tinham de dentro do carro, em achar que eu estava atrapalhando a passagem. Então Tomás continuo lendo a placa:

- PROIBIDO PARA DIA E NOITE. Ah, mãe, então pode parar tranquila, porque agora é TARDE (eram 14:00).




OBS: Embora a minha vontade fosse escrever "co-piloto", pesquisei e vi que no novo acordo ortográfico ficou tudo junto... 

"A Base XVI do Novo Acordo Ortográfico estabelece que nas ”formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc.”, havendo lugar a hífen apenas antes de h (co-herdeiro)."


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O sonho da casa própria


Há 8 anos eu não imaginava que fosse possível ter mais amor dentro de mim. Minha vida e meu coração, até setembro de 2010 estavam preenchidos com uma família maravilhosa, um marido incrível, uma menina ruiva de 2 anos totalmente encantadora e meus dois gatos, Chico e Nina, que, desde 1999, foram meus companheiros em casa (Chico já se foi, abrindo vaga para nossa atual bebezona, a Onze, uma vira-lata canina fofa e divertida de 6 meses).

Porém, descobri que cabia muito mais amor ali onde parecia estar com lotação máxima... 

Na madrugada de 20 setembro, depois de travar completamente ao lado da cama, percebi que não estava passando por uma simples contração. Tomás dava sinais de que era o dia de se apresentar para a família. Entre o momento de ligar para minha mãe (*), às 3:00, pedindo socorro, e o parto terminar, foram 3 horas. 

* Minha mãe foi minha companheira de correria, de contrações violentas, foi quem acompanhou o parto, enquanto o Giva ficava com a Sofia em casa. Achamos que seria (e foi) melhor ele fazer companhia para ela enquanto eu ficava 2 dias na maternidade.

Na sala de parto, logo após o nascimento, o primeiro comentário veio de uma enfermeira:

- Que gracinha! Olha só, ele tem covinhas!!!

E assim Tomás chegou, rapidamente, arrebatando corações com seus furinhos nas bochechas (mostrados logo nos primeiros segundos de vida), com sua tranquilidade, sua alegria, deixando claro que amor nunca é demais, que há sempre mais espaço no coração, por mais que você pense o contrário.

Desde então, 8 anos se passaram!!! Tomás, hoje, é um menino alegre, carinhoso, divertido, adora ficar grudadinho (e cutucando... quando era menor ele gostava de ficar cutucando em baixo das unhas de quem ele tinha intimidade e dava bobeira com a mão ao seu lado. Um carinho um pouco estranho... e dolorido. Hoje em dia ele só aperta ou belisca de leve), ama ficar em casa, adora futebol (com os amigos, na televisão, no estádio, de qualquer forma), entrou de cabeça numa fase "Authentic Games" (ainda não entendi totalmente o que significa, mas descobrir que há um Youtuber que só fala sobre esse tema e é o ídolo da criançada), continua amando muito animais (afirma que será veterinário) e sua nova comida favorita é waffle com mel.

Sua preferência repentina por comer waffles rendeu um presente inusitado. O vovô Oscar deu para ele, avisando, antes do pacote ser aberto, que aquele seria um presente para a família toda. A alegria ao abrir o pacote foi a mesma de uma criança ganhando um brinquedo muito desejado, mas o presente em questão não era um brinquedo... era uma máquina para fazer waffles!

Chegando em casa, muito feliz, abraçando seu presente, ele comentou:

- Sabe, mãe, quando eu for grande, vou morar com 2 amigos.
- Oi?!!!

Como assim? A criança está fazendo 8 anos e já tem planos de sair de casa? Não estou preparada... Embora ache que pode ser algo genético, porque eu sempre desejei e me imaginei morando sozinha e, aos 21 anos, foi o que aconteceu...

Bom, mas voltando ao aniversariante, ele continuou me contando seus planos:

- Eu vou morar com o Léo e o Bruno.
- Que legal, Tomás...
- Ah, e vou levar MINHA máquina de waffle.

Fica então o recado para a família, deixando bem claro que ele discorda do comentário do vovô: a máquina de waffle NÃO é da família, tem dono e destino certo! Já é o primeiro eletrodoméstico da futura casa do Tomás com seus amigos. E viva o sonho da casa própria, viva a independência!





quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Aula de música

Não tem jeito, na correria do dia a dia, algo comum de acontecer é a repetição de uma pergunta, um conselho, um comentário, uma bronca. Uma mãe cansada, por exemplo, não pensa "ah, claro, já disse isso mil vezes". Simplesmente fala. Mas as crianças não perdoam: 

- Mãe, você já falou isso... - sempre com um tom de deboche e risadinhas sarcásticas.

Certo, estou pagando meu pecados, porque já fiz muito isso, já dei muita risada ou "bufei" muito com frases repetidas. Hoje em dia sou solidária às mães, avós, aos distraídos/cansados/sem memória recente. 

Ontem, saindo da escola, encontramos na calçada a professora de música. Sempre muito simpática, puxou papo comigo, conversou com as crianças e perguntou:

- Nossa, Sofia, eu não sabia! Ele é seu irmão? - referindo-se ao Tomás, que estava ao lado dela.

Sofia fez que sim e, em seguida lançou um olhar de cumplicidade ao irmão. A professora se afastou e os dois deram risada. 

- Por que vocês estão rindo? - perguntei
- Porque ela já perguntou isso várias vezes, mãe... - Sofia respondeu
- Ah, coitada, Sofia, ela esqueceu. É muita informação o tempo todo, muita criança na escola. Não tem problema.

Tomás então falou:

- Ah, então deve ser por isso!!!
- O que, Tomás?! - perguntei
- Ela esquece!!! E então TODA aula a gente tem que ensaiar a MESMA música...