sexta-feira, 19 de julho de 2019

Fazendo Cena - invadindo os bastidores

No domingo passado ganhamos um super presente, ingressos para um programa diferente, o espetáculo “Descobrindo o Teatro - Invadindo os bastidores”. A primeira informação que tive foi de que assistiríamos uma peça infantil e depois conheceríamos os bastidores do teatro. O projeto acontece no Teatro Alfa, um espaço lindo, que existe há 20 anos, na zona sul de São Paulo, atrás do Hotel Transamérica. 

Chegamos cedo e ficamos aguardando o sinal para entrada na sala (sala B do Alfa, no piso inferior), prevista para 11:00. O horário chegou e nada aconteceu, nenhum sinal para entrada. Às 11:10 um integrante da produção começou a andar pelo público e pedir que o acompanhassem até a sala . Nervoso, ele explicava estavam com um problema, que a van com os atores havia quebrado, mas que já estava a caminho. Com um rádio em mãos, outro integrante da produção conversava e avisava que a van estava na marginal e logo chegaria ao teatro. Naquele clima de apreensão pela "ausência" dos atores, pediram para todos sentarem em seus lugares e aguardarem. Aos desatentos, a peça já havia começado.

Os "técnicos", na verdade, eram ótimos atores. Tentando "improvisar" e entreter o público à espera do elenco, que, teoricamente, estava por chegar, os dois atores oferecem ao público uma bela aula sobre o teatro. Com o espetáculo denominado "Caixa Mágica", contaram as origens do teatro, deixando visualmente claro, detalhado e divertido com o era o teatro grego, o teatro japonês, a Comedia Dell'arte, o teatro de sombras, o teatro Elisabetano, o teatro realista.... e por aí vai. Com recursos super criativos e didáticos, mantendo sempre o clima de tensão (por estarem "improvisando" no lugar dos atores sem que o diretor tivesse autorizado), os atores, em certo momento pediram para que a platéia subisse no palco para um plano de fuga já que o diretor estava furioso e tentava entrar na sala que eles haviam trancado.

O plano de fuga, é claro, é a parte do "invadindo os bastidores" da brincadeira. E que parte...

Para Sofia e Tomás, tudo era novidade e diversão.
Para mim foi pura emoção. Poucos sabem, mas sou muito apaixonada por teatro. Há uns 25 anos meu programa favorito era ir semanalmente ao teatro, catalogar tudo o que eu assistia, pesquisar, estudar, assistir 2 ou 3 vezes a mesma peça... Fiz cursos livres de teatro, só comprava livros sobre teatro, era meu assunto favorito.. Enfim, invadir os bastidores do teatro Alfa significou para mim o mesmo que significaria para uma criança ir a um parque de diversões dos sonhos dela.

Voltando à "fuga", os atores conduziram o público pelo corredor dos camarins, passando pela sala de reunião de elenco, subindo então escadas até um amplo espaço escuro. É claro que eu já deduzi onde estávamos. É claro que já estava emocionada e queria que aqueles minutos durassem muito mais. E, sim, eu chorei (discretamente) quando as luzes se acenderam, as cortinas se abriram e foi revelado que estávamos no PALCO do teatro principal do Alfa, um teatro enorme, com 1322 lugares.

Não bastasse a surpresa e a emoção, a diversão ainda continuou. Por mais 1 hora, tivemos uma aula bem interativa, super detalhada sobre todos os recursos cenográficos, técnicos, de iluminação e som do teatro.

O projeto "Fazendo Cena" acontece em poucas datas durante o ano, já que mobiliza equipe dos 2 teatros, espaço integral do Alfa para atender um público reduzido (no máximo 200 pessoas por espetáculo). Recomendo demais essa experiência, todos merecem essa aula! Não percam!

* Muito obrigada, Elô, por esse presentão!!!!




segunda-feira, 20 de maio de 2019

É verdade esse bilete


No ano passado um bilhete na agenda ficou famoso após ser compartilhado nas redes sociais. Um menino de 5 anos, do interior de São Paulo, tentou enganar a mãe com um bilhete falso, onde fingia ser sua professora informando que não haveria aula, afirmando, ao final, "é verdade esse bilete".



Hoje, abrindo a agenda do Tomás para checar se havia recado ou informação de lição de casa me lembrei dessa história...

Em pouco menos de 1 mês haverá festa junina no colégio. As danças já estão sendo ensaiadas, os pares começaram a ser definidos. Foi enviado um informativo na semana passada com horários das danças, figurinos juninos e, ao final, um papel para ser preenchido e encaminhado confirmando a participação do aluno na apresentação da turma. Preenchi e coloquei na agenda. 

No fim de semana, estávamos passeando e Sofia me contava sobre seus ensaios, bastante animada. Tomás interrompeu a conversa e falou:

- Eu não vou dançar na festa junina!
- Como assim Tomás? Por que? Eu preenchi o papel ontem confirmando que você participaria a e ia mandar na segunda-feira para sua professora.
- Eu não falei que ia dançar! Eu não vou dançar!
- OK... Vou escrever na agenda explicando e perguntando se há algum problema, me lembre quando chegarmos em casa.

Claro que ele esqueceu... e, mais óbvio ainda, eu também.

Não é de hoje que ele reluta toda vez que há qualquer tipo de apresentação de dança ou música. Sempre diz que não vai, mas acaba cedendo após conversas com as professoras (exceto uma vez que entrou para dançar, mas não saiu do lugar, enfurecido, durante toda a dança).

Hoje, na volta do colégio, Tomás retomou o assunto ainda no carro:

- Mãe, já avisei a Zezé (professora)! Não vou participar da dança da festa junina.
- Ah é?! Ela falou que tudo bem? Você explicou que eu havia preenchido o papel da confirmação e esqueci de tirar da agenda?
- Sim.

Sim e ponto final. Simples assim. Assunto resolvido.

Então, chegando em casa, fui olhar a agenda para verificar o que ele precisava fazer de lição de casa. Me deparei com um "bilete":



É verdade esse bilete?!


quinta-feira, 16 de maio de 2019

Amor em forma de flor


O tema liberdade tem sido recorrente aqui em casa.

Sofia, com quase 11 anos, já mostra sinais da pré-adolescência. Pré-adolescência, claro, é sinônimo de busca por liberdade, ou melhor, de exigência imediata por liberdade. Ela vai tentando, aos poucos, conquistar seu espaço. Já fica sozinha no clube, tem seu armário no vestiário para tomar banho após os treinos de ginástica, fica sozinha em casa (por períodos curtos) e, há poucas semanas, ela conseguiu me convencer a liberá-la para uma tarde no shopping com os amigos... e por aí vai... 

Tomás, dois anos mais novo, vai conquistando seu espaço "na cola" da irmã. Exigiu que tivesse a mesma chance dela de ficar sozinho à tarde no clube e também em casa algumas vezes. Tivemos conversas sobre como confiança e liberdade são conquistados dia a dia, então ele precisava aprender a se cuidar de verdade e a respeitar os combinados. Tem dado tudo certo.

Eu estava me sentindo uma mãe super evoluída, encarando sem neuroses esses primeiros passos dos meus filhos para o mundo adulto e independente. Então me dei conta, através de uma história incrível, de como um clube ou um shopping não são nada, nada mesmo, quando ainda há o mundo todo para um filho querer e poder se "jogar" sozinho.

Há alguns anos uma amiga me contou sobre um projeto voluntário que amigas dela, mãe e filha, estavam trabalhando. Na época, Kety e sua filha Gabi (se não me engano, tinha 15 anos) pediam meias, novas ou usadas, para serem levadas e doadas para refugiados na Grécia. Fizemos a doação, que se juntou aos 2 mil pares arrecadados junto com doações em dinheiro, usados para acolher e atender as primeiras necessidades dos refugiados na chegada às cidades.

Os anos passaram e nesta semana voltei a ouvir falar dessas duas mulheres incríveis. 

Para poder manter o projeto da filha, que optou por levar a diante seu trabalho com os refugiados e permanecer na Europa, Kety criou o "Flores para refugiados". Com contribuições quinzenais ou mensais,  as flores chegam às casas em arranjos, tamanho M ou G, lindos, caprichados, cheios de amor e delicadeza. 

Hoje eu tive a alegria de conhecer a Kety e receber meu primeiro vaso de flores. Fiquei muito feliz e emocionada por ter algo tão lindo, em todos os sentidos, dentro da minha casa. Elogiei muito e Kety me mandou uma mensagem em resposta:

"Eu me esforço muito para fazer um arranjo tão bonito quanto o trabalho da minha filha... que bom que você está com a gente agora. Que essa nossa jornada juntas seja muito florida."

Hoje eu recebi amor em forma de flor.

Kety e Gabi, o mundo seria muito melhor com mais pessoas como vocês.

Vocês podem encontrar o projeto no Facebook e Instagram: Flores para refugiados.





terça-feira, 9 de abril de 2019

20 anos

Ontem a veterinária me disse: "a morte é a única certeza que nós temos...".
Sim, ela estava certa. Mas a outra grande certeza é de que temos todo o resto dos dias para viver da melhor forma que pudermos. E por todos esses outros dias possíveis, eu tenho certeza de que fiz a melhor escolha em 1999.

Há 20 anos eu tinha acabado de ir morar sozinha, num apartamento alugado na Vila Madalena, quando decidi procurar 2 gatos para adotar. Sim, 2, porque sempre me disseram que, em apartamento, os gatos ficam mais felizes se tiverem companhia sempre. E lá fui eu, com minha mãe, procurar os gatinhos. 

Paramos em um petshop perto de onde eu morava, perguntamos se sabiam onde eu poderia adotar gatos. A veterinária falou: "temos uma gatinha aqui, que foi encontrada na rua, deve ter uns 3 meses". E lá estava ela, de vestidinho cor de rosa, esperando por mim. Assim a Nina entrou na minha vida.

Como o plano era de ter 2, seguimos na missão, rumo a um apartamento em Higienópolis, onde, segundo a veterinária do petshop, uma senhora tinha dezenas de gatos para doação. Realmente eram dezenas, gatos por todos os lados num apartamento enorme. Minha mãe se encantou por um gato minúsculo, branco com manchas cinzas, super sujo, com um cocô na cabeça. Limpamos o coitado, que minha mãe dizia ter potencial, que seria um gato lindo (e foi!!!) e o levamos para ser o irmão da Nina. Esse era o Chico.

Nina e Chico estiveram ao meu lado em 3 mudanças de apartamento, altos e baixos profissionais, ganharam o Giva, um pai muito carinhoso, em 2003, 2 irmãos humanos em 2008 e 2010. 

Em 2012, Chico ficou doente e nos deixou. Porém, Nina, sempre linda e forte continuou ao nosso lado dando carinho em dobro. 

Ano passado Nina ganhou uma irmã canina, a Onze. Não sei se ela amava a Onze, mas o contrário é uma certeza... Onze balançava o rabo pra ela, lambia a Nina inteira, dando uma atenção especial ao rabo, que enfiava inteiro na boca e ia soltando conforme a Nina andava. Essa cena acontecia diariamente, seguida por um banho de lenço umedecido na gata.

Nos últimos meses nossa idosinha começou a dar sinais de que não estava mais com a saúde de sempre. Em 20 anos ela só foi ao veterinário para vacinas e para tratar 2 problemas: uma unha encravada e uma verruga na perna. Porém, a idade pesou para a Ninoca e há alguns meses ela começou a emagrecer muito, ficar bem fraquinha. Mesmo assim, sempre que ouvia a voz de alguém da família ela saía da caminha e andava até nós para dar e receber carinho.

Ontem não foi diferente. Pela manhã ela ainda saiu da cama, veio atrás de mim, deixou a Onze lambê-la da cabeça ao rabo e voltou para a cama. Infelizmente não conseguiu sair mais de lá. No final da tarde, recebendo carinho meu e do Tomás, Nina partiu suavemente.

Sim, foi duro. Está sendo. Ficou um vazio. Sofia e Tomás choraram muito, estão sofrendo. Mas os 20 anos ficam, repletos de histórias, de boas lembranças, de muito amor, de fotos lindas...

Ontem, logo que ela morreu, Tomás falou: "hoje o Corinthians vai ganhar o jogo. Pela Nina.".

Depois, pensou alto: "acho que amanhã não vou conseguir ir ao futsal... Mas acho que vou sim... e vou fazer um gol para Nina". 

E então, sem eu perceber, ele guardou o brinquedinho favorito dela, uma bolinha de borracha, que a Onze comeu metade. Quando vi a bola no quarto, perguntei porque estava lá e ele disse: "vou guardar para sempre, para nunca esquecer da Nina".

Nossa gata tornou-se o anjinho da sorte do Tomás. Ontem, logo depois de a deixarmos na clínica veterinária para cremação, ele quis passar na banca de revistas em frente para comprar figurinhas. Abriu o primeiro pacote e veio a figurinha mais desejada! Do Messi! E ainda mais 2 brilhantes no mesmo pacote. 

E algumas horas depois... sim, como Tomás previu... o Corinthians ganhou a semifinal do Campeonato Paulista. 

Pela Nina.





  





segunda-feira, 11 de março de 2019

O aniversário é meu, mas o presente é pra vocês

Pois é, hoje, 11 de março, completo mais um ano de vida. E lá em casa tem mais uma aniversariante! Nossa canina, a Onze, que completa um ano!

Não, não tenho planos de grandes comemorações... até mesmo porque eu sinto que festejei tanto nesses meses (sim, meses, porque o primeiro bloco que fui foi em janeiro!) de Carnaval de SP, que a farra já foi de bom tamanho. Agora um bolinho gostoso e carinho das pessoas especiais que estão na minha vida já me satisfazem por completo.

Ah, mas não passei aqui no blog para falar dos meus 43 anos... Vim para dividir fofurices da Sofia e Tomás com vocês e mostrar como um simples domingo em família pode render boas risadas.

Sofia assistindo tv ontem, no apto novo do tio Tuto e da Samantha, vendo Martinho da Vila cantar "Disritmia". 


'Me deixe hipnotizado pra acabar de vez

Com essa disritmia.
Vem logo! Vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia!"


Sofia não é discreta, gosta de cantar alto, fazer performance... e assim fez. Dançou e cantou alto:


'Vem logo! Vem curar teu nego
Que chegou de BODE lá da boemia!"

Rimos muito com a imagem do sujeito voltando da boemia com um bode... E ela nem ligou, continuou fazendo nossa alegria e cantando de seu jeito.

E lá no apartamento do tio Tuto, além de todas as novidades do novo espaço, Tomás se encantou com uma em especial... uma calopsita, que veio pela janela na semana da mudança e foi adotada, já que, mesmo com anúncios colocados no bairro, um possível dono não se manifestou. Tomás amou a novidade, claro... Hoje, a caminho da escola puxou papo sobre o assunto:

- Mãe, como é mesmo o nome? Cripto.. criptonia... cripto o que mesmo?
- Do que você está falando, Tomás/
- Do passarinho do tio! É criptonita, né?
- Você quer dizer calopsita?
- Isso!

E assim começa mais uma semana... e, pra mim, mais um ano de vida! E que a idade multiplique a felicidade sempre!!! 






quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Meu presente, ou melhor, presente do Papai Noel

No final do ano passado vi um anúncio do show do Youtuber Authentic Games, de quem o Tomás é muito fã. Como já faz tempo que ele tem vontade de ir, decidi fazer uma surpresa e comprar de presente  de Natal um par de ingressos.  

Como Tomás dá sinais de que ainda acredita  em Papai Noel, foi ele o responsável pela surpresa de Natal. Porém, não pensei muito bem nos detalhes... o ingresso, claro, saiu em nome de quem fez a compra, no caso, eu e não o Papai Noel. Embora tenha achado estranho, Tomás não questionou muito, estava feliz demais com a surpresa. Porém, em diversas situações, me distraí falando sobre esse assunto com mães de amigos dele e saíram frases do tipo "eu comprei em dezembro", "escolhi setor azul", "comprei junto com a mãe do Léo"... Tomás, sempre atento, me dava uma forcinha:

- Mãe, foi o Papai Noel, lembra?!

Ops! É mesmo...

Depois de longa espera, já que ganhou os ingressos em dezembro e o show seria apenas em fevereiro, o tão esperado dia chegou. Tomás se preparou. Separou o boneco, o livro do Authentic e suas economias (com planos de adquirir alguma coisa na lojinha do show) e lá fomos nós ao Espaço das Américas.

Já na entrada, fez sua compra, um porquinho de pelúcia Authentic Games. Feliz da vida, com seus bonecos e com a companhia de um amigo que adora, o Léo, foi procurar seu lugar e esperar o início do show. A ansiedade era tanta que não tinha sede, fome nem vontade de ir ao banheiro. Apenas sentou e esperou.

Finalmente o show começou. Crianças eufóricas, gritaria, muita gritaria... eram cerca de 3 mil pessoas lotando o Espaço das Américas. Quando o Youtuber Marco Túlio entrou no palco a reação do Tomás foi surpreendente. Ele ficou muito emocionado, chorou, chorou, chorou muito, me abraçou. Depois da emoção, veio a euforia e ele aproveitou cada segundo do show, que é bem interativo. Ao final, para completar a alegria da criançada, ainda teve sessão de fotos.

Na saída, Tomás estava elétrico, queria conversar sobre tudo o que aconteceu. E assim continuou por mais algum tempo em casa. Falante, muito feliz. Não conseguia dormir, não deixava a Sofia dormir. Até que o cansaço foi mais forte e ele finalmente capotou.

Dia seguinte, a caminho da escola, Sofia, bastante cansada, reclamou:

- Nossa, Tomás, obrigada, viu, estou morrendo de sono por sua causa! Você não me deixava dormir ontem. Muito chato!

No banco de trás, Tomás, ainda sonolento, estava em silêncio. E então uma resposta tímida:

- É que eu não queria que o dia de ontem acabasse...


Tomás e Léo com seus bonecos

Authentic

Youtuber Marco Túlio

Tomás e Léo na foto após o show




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Queria tanto uma irmãzinha...

Aquele ditado de que "a grama do vizinho é sempre mais verde" pode ser aplicado lá em casa, mas, no caso, o tema em questão é "irmãos".

A relação entre Sofia e Tomás é muito boa, mas tem oscilações. Se eu estou por perto o clima costuma ser de disputa, de provocação, zero harmonia Se eu estou longe a chance de serem mais companheiros e carinhosos um com o outro aumenta muito.

Ter amigos por perto nem sempre é sinônimo de alegria e paz. Às vezes acontece de só a Sofia estar com a companhia de amigos, Tomás então buscar se enturmar e acaba sendo excluído pela irmã. Outras vezes o contrário acontece, mas, ao invés de ser excluída, Sofia brinca tranquilamente com os amigos do irmão e ainda tenta liderar/cativar os menores, chamar mais atenção do que o Tomás. Não é fácil...

No clube eles fizeram amizade nas férias com 3 irmãos; 2 meninos de 11 e 7 anos e uma menina de 3 anos, a Gigi, que ficou louca pelo Tomás desde o primeiro dia, ficaram super grudados. Sofia tentou, tentou, tentou, tentou, mas Gigi não dava a menor bola para ela. Sofia então insistiu um pouco mais e resolveu perguntar diretamente:

- Gigi, você quer ser minha amiga?

A resposta foi tão direta quanto a pergunta:

- Não!

Mesmo abalada pelo "não", Sofia não desistiu... Ficou trabalhando a conquista da amiguinha por dias... Brincou com ela na piscina, fez gracinhas, ajudou na hora do banho, ofereceu creminho para passar no cabelo... e finalmente conquistou a amiguinha. Gigi agora passeia pelo clube de mãos dadas com a Sofia, na maior intimidade.

Depois de uma tarde intensa de brincadeiras, no carro a caminho de casa, Sofia comentava sobre a Gigi.

- Ela é tão fofinha, tem um cabelo lindo, cheio de cachinhos, eu adoro quando ela me deixa passar creme e escovar.

Tomás, no banco de trás, ouvia os comentários calado. 
Sofia então continuou:

- Ai, eu queria tanto ter uma irmãzinha mais nova... Assim de cabelo cacheadinho, bem fofinha,  para eu poder pegar no colo, passar creme no cabelo, arrumar os cachinhos...

Tomás respondeu:

- Mas você já tem um irmão assim!

Silêncio. Sofia ficou vermelha, abaixou a cabeça e deu um sorriso sem graça.

Sofia e seu irmão fofinho de cabelos cacheados




quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Criança não! Pré-adolescente!!!


No final do ano passado a família toda passou em consulta com o Dr. Walter, médico que nos atende há aproximadamente 15 anos e conhece bem cada um de nós. Observando a Sofia, notando algumas mudanças, ele me perguntou:

- Aline por acaso ela tem se achado dona da verdade, empinado o nariz e batido porta?

Dei risada e disse que sim. Se estivesse em casa, Sofia teria ido chorar no quarto, enfurecida. Porém, no consultório do Dr Walter preferiu dar uma risadinha e esperar para extravasar a raiva no caminho de volta pra casa.

Pois é, Dr Walter foi certeiro. Sofia está com 10 anos e 1/2 e não aceita mais ser classificada como criança. Diz que é uma pré-adolescente. Não apenas diz, mas age como uma...

Não vou perder tempo aqui apontando os desafios diários de convivência familiar com uma pré-adolescente. Prefiro focar em algumas surpresas que essa nova fase tem trazido...

Pela primeira vez Sofia foi comigo ao cinema para ver um filme adulto, em inglês, legendado, "Bohemian Rhapsody". Ela acompanhou super bem as legendas, deu risada, se emocionou e, acreditem (!), me pediu para ir de novo. Então, na semana seguinte ,assistimos pela segunda vez o mesmo filme, que, aliás, é incrível.

Algumas semanas depois a pré-adolescente foi minha companheira na balada! Fomos juntas, só eu e ela, a um show na Casa Natura Musical. O show começava às 23h! Mesmo assim ela aguentou firme, forte e animada. O show era em clima de Carnaval, com direito a concurso de fantasia. Claro, Sofia foi toda montada, com fantasia e maquiagem, participou do concurso, subiu no palco e ganhou abraço da cantora Duda Beat junto com o prêmio, um kit Natura e uma pochete de Carnaval holográfica. Acham que ela voltou pra casa feliz?

Bom, mas não apenas de pré-adolescência vive a Sofia atualmente...

Nessa semana eu estava com ela e o Tomás jogando um jogo à noite quando a Onze encostou em mim e ficou de barriga pra cima aguardando um carinho. Foram alguns segundos distraída do jogo, dando atenção para a cachorra... alguns segundos suficientes para ouvir a seguinte reclamação chorosa da Sofia:

- Você gosta muito mais da Onze do que de mim...

Nós duas na balada!

Sofia ganhando o prêmio durante o show.






segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Tomás, telefone, minha casa

Ontem Tomás foi dormir na casa de um amigo do colégio. No portão do prédio, na despedida, fiz todas as recomendações básicas para que se comportasse, fosse educado, cuidasse das suas coisas....blábláblá... Pra finalizar, e tentar descontrair, falei:

- Olha, se você precisar, peça para alguém me telefonar para você falar comigo.

Nessa hora me veio em mente o E.T. triste com saudades da família dizendo "E.T., telefone, minha casa". Mas Tomás não estava nessa sintonia, não foi tocado por meu sentimentalismo e continuou a conversa:

- Mas por que eu ia precisar te ligar?!
- Ué... se de repente batesse uma saudade incontrolável, sabe?!

Uma pausa dramática, ele riu e ele respondeu:

- Ah, entendi. Tá certo. Te ligo então, mãe. Daí você toca a campainha de casa para a Onze latir e eu matar as saudades dela.









segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Uma noite com Zé Celso

Há um mês mais ou menos o Giva comentou, com empolgação, que iria começar uma temporada de "Roda Viva", inicialmente no Sesc Pompéia e depois no Teatro Oficina. Como fazia muito tempo que não íamos ao teatro (nos jogamos 100% em shows nos últimos tempos), decidi fazer uma surpresa...Comprei um par de ingresso e dei de presente de Natal. Ele amou, ficou super animado. Eu fiquei feliz em ter acertado no presente, mas, confesso, estava extremamente receosa com as 3:30 de espetáculo. Não pelo tempo de peça, mas por serem 3:30 nas mãos de Zé Celso.

E ontem, penúltimo dia do ano, lá fomos nós.

Foi a primeira vez que entrei no Teatro Oficina e tive a certeza imediata que, mesmo se me arrependesse pela peça, já valeria a experiência de estar ali. O lugar é quase indescritível, só estando lá para entender realmente. Um galpão comprido e estreito, com uma estrutura metálica que vai do chão ao teto, cheio de escadas fixas e retráteis, uma iluminação muito bacana. O público vai procurando um espaço para sentar... bancos, cadeiras, pufes e até mesmo em parte do cenário... O camarim e a contra-regra estão no meio da platéia. Atores se trocam em nossa frente entre uma cena e outra. Na maior parte das vezes não tem figurino mesmo.. Como falta ar condicionado, encenar nu é mesmo a melhor opção.

Giva falou:

- Nossa, que coisa louca, nunca vi nada assim! Com atores subindo por escadas, passando no meio do público, se trocando em cena...
- Eu já vi... algumas vezes... - e comecei a contar rapidamente de algumas peças muito diferentes que já assisti.
- Nossa, que demais! Você é foda!

Achei engraçado o comentário. Hoje acordei pensando nisso e com uma certeza: não sou foda. Sou privilegiada. Foda são meus pais, que me levaram (ou toparam minhas sugestões e me acompanharam) em muitas peças de todos os estilos, em praticamente todos os teatros de São Paulo.

Nos anos 90 eu vivia teatro. Ia toda semana, lia todas as reportagens que encontrava sobre o assunto (lembrando que não existia internet, então era um trabalho de garimpo em jornais, revistas e livros) e fiz cursos de teatro. Eu era aquela maluca que assistia uma, duas, três vezes a mesma peça. Além disso eu guardava os folders, os ingressos, as críticas, organizava tudo em pastas catálogo, lia, relia... Me arrependo de ter me desfeito de todo esse material muitos anos depois, achando que era bobagem manter aquilo tudo...

Ontem, antes mesmo de ter uma opinião sobre a experiência no Teatro Oficina, tive a certeza de que era um momento importante, me fez lembrar com clareza e emoção de algumas experiências marcantes:

1. "Tamara", em 1992, com direção de Roberto Lage, com Celso Frateschi, Cassio Scarpin e outros. Fui com minha mãe. A peça acontecia em um casarão em Campos Elíseos. Era necessário escolher no início do espetáculo um dos atores para seguir durante toda a peça. Detalhe: a história rolava ao mesmo tempo em todos os aposentos do casarão, inclusive no banheiro, com um ator tomando banho (eu estava lá...rs). Ao final da primeira parte, era servido um jantar, durante o qual tínhamos a oportunidade de conversar com outras pessoas da platéia e tentar descobrir o que aconteceu na história através de outros pontos de vista. 

2. "Pantaleão e as Visitadoras", com direção de Ulisses Cruz, no Teatro Mars. em 1991. Acho que fui com minha mãe... Lembro do visual do espetáculo, de dezenas de atrizes nuas por toda parte, da estrutura do teatro, que tem semelhanças com a movimentação de cena do Teatro Oficina.

3. "O Concílio do amor", em 1989, com direção de Gabriel Villela, no Centro Cultural São Paulo. Fui com meu pai e depois com minha mãe, se não me engano. Foi minha primeira ida ao porão do Centro Cultural. Fiquei encantada com aquela ocupação de espaço, com o texto impactante e com interpretações incríveis, como o Diabo vivido por Jairo Mattos. Queria voltar no tempo e assistir pela 3ª ou 4ª vez (não tenho certeza de quantas vezes fui)

4. "A Gaivota", em 1994, direção de Francisco Medeiros, no Centro Cultural São Paulo. Quando li que mais uma peça estava sendo montada no porão do Centro Cultural fiquei maluca para assistir. Novamente saí impactada com o aproveitamento de espaço... o cenário de J. C. Serroni ocupava 2.000 metros quadrados do espaço do porão do CCSP, utilizando como piso as telhas de concreto usadas na construção do Centro. Os atores corriam em cena, pisando entre as telhas cheias de vãos. Era tenso e incrível. Para completar, texto de Tchecov interpretado por Walderez de Barros, Marco Ricca, Genezio de Barros (Trigórin)... Estive lá umas 4 vezes...rs

5. Para finalizar, embora minha lista ainda seja extensa, "Perdoa-me por me traíres", do meu favorito, Nelson Rodrigues. A montagem, de 1994, aconteceu no Indac (escola de teatro), com alunos do próprio curso e direção de Marco Antonio Bras. A peça acontecia numa sala da casa do Indac, onde o público sentava praticamente dentro do "palco", vivenciando de forma intensa aquela história maluca e deliciosa, com trilha sonora que tinha até Beatles. Fiquei tão encantada com a atriz Flavia Pucci, que interpretava o Tio Raul, que, algum tempo depois, fiz um curso com ela, na mesma escola. Na mesma época, li e reli tudo do (e sobre) Nelson Rodrigues.

Enfim, o que tive a certeza ontem é que no fundo não importa se ao final de 2 horas (ou 3:30) você diz "nossa, amei!"... Teatro não é só isso. Não se trata de gostar ou não gostar. O que aquela experiência causou? O que te deixou de memórias? Ou, no caso de ontem, pra mim, que memórias te trouxe de volta?

Pessoalmente não amo o estilo Zé Celso... me cansa um pouco a falta de nexo, suas viagens extensas (as 3:30 realmente não são necessárias ao meu ver), mas é muito interessante vivenciar aquela encenação quase folclórica que acontece no Teatro Oficina, cheia de estrangeiros numa platéia 100% lotada (lembrando que era 30 de dezembro, com SP "vazia"). Na montagem de ontem senti um excesso de clichês em tudo, me fez falta um texto mais profundo, à altura de "Roda Viva", mas não há como desmerecer Zé Celso ou não respeitar sua história, sua convicção em um estilo de teatro e, claro, o trabalho de toda aquela equipe, eles realmente se entregam por completo. 

Posso dizer que me diverti ontem. Principalmente ao tentar buscar uma palavra para definir tudo aquilo... Não há um adjetivo comum que defina uma noite com Zé Celso...Dessa forma, não encontrei nada melhor do que o seguinte:

"HORTIFRUTIGRANJEIRO" *

* Era assim que ouvia, na minha infância, uma ex-professora, amiga da minha mãe (e minha!), se referir a coisas muito, muito loucas, às quais nenhum adjetivo comum cabe bem... Bettina Bopp, dei muita risada lembrando de você ontem! 

TEATRO OFICINA





quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Impostora

As férias começaram oficialmente! Depois da correria dos primeiros dias sem escola, das dezenas de eventos de dezembro e das comemorações de Natal, ontem pudemos escolher livremente nossa programação: cinema!

O plano A era assistir o filme sobre o Freddie Mercury, mas SP sempre surpreende... Dia 26 de dezembro e os ingressos estavam esgotados... Partimos para o plano B: DPA 2, ou, para leigos, Detetives do Prédio Azul 2.

Crianças super animadas, o filme começa. 
Logo de cara, um choque. Sofia e Tomás começam a se olhar, se cutucar, fazer comentários. Não estavam entendendo... onde estava a Dona Leocádia? Quem era aquela atriz impostora usando os mesmos figurinos e penteado da vilã tão querida pelas crianças?

Infelizmente a super carismática atriz Tamara Taxman não está mais no elenco de DPA...Foi substituída por Claudia Netto, muito boa, mas que não conseguiu manter o carisma da personagem infelizmente...

Sofia e Tomás não se conformavam e passaram um tempo do filme fazendo suposições sobre o que deve ter acontecido com a Dona Leocádia original. A conclusão final foi do Tomás, que falou baixinho:

- Sabe, mãe, eu acho que sei o que aconteceu com ela... Deve ter ficado muito resfriada... ou grávida!

Dona Leocádia oficial

Dona Leocádia substituta