quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Portas abertas


Hoje é o último dia da Sofia e do Tomás no colégio onde estudaram desde 2013. Foram 6 anos num ambiente alegre, leve e acolhedor, com profissionais que fizeram a diferença na vida deles e onde eles construíram amizades muito especiais.

Nesses anos de convivência com pais e alunos do Notre, as amizades foram muito além do colégio. Foram dezenas de idas, em grandes e pequenos grupos, a cinemas, teatros, exposições, festas, parques, blocos de carnaval... Demos presentes coletivos super bacanas para professoras, arrecadamos doações para festas, demos risadas juntos, nos apoiamos em momentos difíceis, nos ajudamos nas dúvidas do dia a dia sobre tarefas escolares, trabalhos, recados não dados pelos filhos... Enfim, foram 6 anos de muitas histórias, muita cumplicidade e união.

Mudanças não são fáceis, mas há momentos em que são inevitáveis e acredito que o melhor a fazer é encarar de frente e com pés no chão. Foi assim que buscamos lidar com esse tipo de decisão lá em casa, "jogando aberto", com conversas frequentes e com sensibilidade. Sofia e Tomás tiveram alguns meses para assimilar a ideia, colocar angústias, medos e dúvidas para fora e, a parte mais difícil, irem dando um "até breve" para os amigos. 

Na última segunda-feira Tomás entrou no carro, na volta pra casa, calado e de cabeça baixa. Naquele dia havia acontecido um "amigo chocolate" (amigo secreto com trocas de chocolates) na turma dele e puxei papo perguntando como havia sido. A resposta: 

- Foi legal. 

Insisti na conversa:

- Quem te tirou, Tomás?
- O Lucas.
- Que legal! E como foi a festa na sala?
- Legal.

Silêncio.
E então ele respirou fundo e continuou:

- Sabe que hoje eu fiquei com os olhos cheios de lágrimas e um negócio aqui no peito?
- É mesmo? Por que?
- Porque a Catarina fez um discurso sobre amizade e despedidas.
- O que ela falou?
- Ah, não lembro...

E começou a chorar.

Catarina é amiga dele desde o primeiro ano no colégio. Alegre, carismática, desinibida e extremamente sensível e inteligente (fiquei sabendo que os amigos fazem campanha "Catarina Presidente" para vocês terem uma ideia de como ela se expressa em turma). Ontem recebi o vídeo do discurso... e, claro, também fiquei "com um negócio no peito". Nossa futura presidente, que hoje tem apenas 9 anos, disse:

"Eu sei que todo mundo que vai embora está ficando um pouco triste, porque não vão mais estudar com os amigos, que formaram um laço forte desde a primeira vez que se encontraram. Mas eu sei também que ninguém vai deixar de ser amigo porque mudou de escola. Sei que a gente vai se encontrar em outros lugares. E eu também sei que as portas do colégio vão estar sempre abertas. E também vão estar sempre abertas as portas do nosso coração".

Tão bom saber que estão abertas não apenas as portas do colégio (onde certamente voltaremos para visitar ou curtir festas), do coração das crianças (que expressaram, cada um de sua forma, o mesmo carinho colocado em palavras pela Catarina) , mas também de suas famílias, com as quais convivemos, aprendemos e nos divertimos muito juntos nesses 6 anos de Colégio Notre Dame. 

Sim, ficaremos com muitas saudades dessa rotina juntos. 
Não, isso definitivamente não é uma despedida. 








Passeio no parque

Apresentação de ginástica

Bloco de Carnaval

Festa junina

Cantata de Natal



terça-feira, 10 de setembro de 2019

Pela segunda vez, o Coala me ganhou

A expectativa estava alta depois de minha ida ao festival, em 2018. 

A tristeza, por me dar conta que perdi os 4 primeiros anos  (por onde passaram Caetando Veloso, Criolo, Otto, Silva, Céu, Emicida...), foi motivação suficiente para comprar o "passe coalático", que dá direito aos 2 dias de festival, na pré-venda, "no escuro", sem saber o line-up (programação). Detalhe, comprei no início do ano e o festival acabou de acontecer, nos dia 07 e 08 de setembro. Foram alguns meses com os ingressos na mão sem saber o que eu iria assistir.

Um amigo comentou, ao saber da minha compra: "você é louca!". 

Não, não era loucura. Era a certeza de que a curadoria do festival, feita por Marcus Preto e Gabriel Andrade, não iria me decepcionar. Na semana passada, ao participarem do programa Som a Pino, da Radio Eldorado, os dois contaram como é feita a seleção dos artistas de cada ano. Falaram sobre a importância da coerência de cada escolha e de se analisar a representatividade de cada artista no ano do evento.

Eles entregaram, novamente, o que prometeram. Dois dias de festival com uma programação bastante eclética, muito interessante, misturando o novo e o consagrado e sempre com bastante coerência. Até mesmo o que parecia que não daria certo, como o show do Djonga com Ney Matogrosso na sequência, funcionou. Ao final do ótimo show do rapper, os djs da Discopédia, com vinis de MPB da melhor qualidade conseguiram mudar o clima do Memorial da América Latina em minutos e preparar o público para o que viria a seguir. Mas antes de falar sobre Ney, vou voltar um pouco ao dia anterior.

No sábado os ingressos estavam esgotados, acredito que, principalmente por conta da banda que fecharia a noite, Baiana System. Uma multidão tornou o espaço do Coala intransitável. Claramente (e assustadoramente, para mim, que sou um pouco claustrofóbica) tinha muito mais gente do que no ano anterior. Ao meu ver, estava um pouco além da conta. 

Aos 43 anos, percebi que preciso fazer um planejamento para encarar dois dias de festival. Não adianta achar que vou aguentar 2 dias das 13h às 22h, porque a lombar não permite, o joelho dói e o cansaço dá as caras. Assim, me organizei para chegar às 15:30 e começar minha maratona por Duda Beat. 

Duda faz dançar, faz rir, com carisma e voz potente. Depois de um breve intervalo (sempre ao som de algum dj), foi a vez de Elba Ramalho mostrar toda sua experiência num show ARRASADOR. Com um pique invejável, energia contagiante, Elba dançou o tempo todo, apresentou um super repertório que não deixou ninguém parado. Ao meu lado se formou uma quadrilha de festa junina, com direito a túnel, coreografia. O povo no Coala sabe se divertir!

Eu me joguei com tanta empolgação na energia de Elba (que ainda teve como convidada a ótima Mariana Aydar), que ao final do show eu devia estar um trapo, já que meu marido me surpreendeu com uma pergunta: "você quer ficar meeeesmo pro Baiana System? Por mim, estou satisfeito por hoje. Esse show da Elba foi foda". Fui sincera... já estava bastante satisfeita também e um pouco cansada com a lotação excessiva do Memorial. Nós fomos, há 3 meses, a um show do Baiana. Claro, cada show é único, mas, fui racional, preferi garantir uma dose extra de energia pra ficar até o final no dia seguinte. 

Confesso que não é fácil abrir mão de shows no Coala, porque é a certeza de se estar deixando pra trás boa música, ótimos artistas. Porém, tinha mais no dia seguinte e seguimos no plano de poupar energia.

Felizmente o dia seguinte foi um alívio, uma grata surpresa. Sem a lotação do sábado, sem apertos ou grandes filas, o festival estava exatamente como presenciamos em 2018, bem mais confortável e agradável para passar o dia todo. 

Renovados e animados, começamos a tarde com um show lindo de Chico César e Maria Gadú. Mais tarde, um ótimo momento instrumental, com Letieres Leite e a Orkestra Rumpilezz. Ao final da apresentação, um presente, principalmente para nós que perdemos Baiana System na noite anterior... Russo Passapusso, convidado surpresa, chegou e levantou a plateia de forma impressionante. Em poucos minutos o show, que estava com o público um pouco disperso, era dele. Plateia incendiada para o que viria a seguir.

Nesse clima, a noite continuou com Djonga, seguido por ótima MPB com os djs do Discopédia e, então, ele... Ney Matogrosso.

Nenhum adjetivo é suficiente para falar sobre o show de Ney Matogrosso. Sim, ele continua maravilhoso, seu repertório é sofisticado, a voz sempre impecável e potente. Ney continua carismático e com uma energia fora do comum para um artista que acabou de completar 78 anos!!! É o tipo de show que voa, que quando você percebe já acabou, deixando aquela sensação de que mais 1 hora de show ainda seria pouco.

E assim o Festival Coala 2019 chegou ao fim me dando novamente uma certeza: é imperdível!




quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Qual profissão seguir

Nesta semana Tomás teve duas tarefas do colégio com o tema "Profissões". Primeiro precisou fazer, numa lição de casa, uma entrevista. Logo depois, veio na agenda um bilhete explicando que haveria uma atividade em sala de aula e cada aluno deveria representar uma profissão. Para isso seria necessário um figurino ou acessórios que identificassem a profissão escolhida.
Fiquei alguns dias tentando resolver essa questão de figurino/acessórios com o Tomás. Foram algumas tentativas:
  • Tomás,  o que você acha de ir de médico?
  • Não quero.
  • Economista? Pego uma calculadora do papai pra você.
  • Não.
  • Produtor de tv?
  • Não, mãe...
Resolvi dar um tempo na "pressão" pela escolha. Porém, me distraí, o dia da atividade chegou e, claro, Tomás não tinha nada preparado.
Hoje, o dia da atividade, dia dele levar o figurino ou acessórios, é também o dia mais corrido da semana por aqui, dia do rodízio do carro. Na maratona matinal contra o relógio para conseguirmos sair antes das 7:00, ouço a terrível pergunta:
  • Mãe, o que eu vou levar? É hoje o dia da atividade de profissões! É pra nota!
  • Como assim Tomás? Perguntei mil vezes... hoje é rodízio, não dá tempo de ver isso agora. Pegue uma máscara e vá de médico. Ou uma calculadora do papai e vá de economista...
  • Mas não posso! Já falei para a professora o que eu seria, já está escolhido!
Que maravilha, né?! Para a professora ele passa a informação. Para a mãe o aviso vem 10 minutos antes de sair de casa, no dia do rodízio! Respirei fundo e falei:
  • Ok, o que você escolheu, Tomás?
  • Veterinário. O que eu levo?
  • Sei lá, leva a Onze (nossa cachorra)!
Ele riu e continuou me olhando e esperando uma solução.
Lembrei de um jaleco da Sofia que estava no armário, colei uma fita crepe por cima do nome dela e escrevi "Dr Tomás". Separei uma caixinha de um remédio de ouvido para cachorro, um tubo de pasta de dente de cachorro e entreguei o "kit" para ele.
A resposta:
  • Quero levar biscoitos também. O natural (feito em casa)  e o fedido (industrializado), para mostrar as diferenças. Ah! E quero levar meu cachorro de pelúcia também.
E lá foi ele, de veterinário produzido em tempo recorde. Ainda conseguimos sair a tempo de não tomarmos multa do rodízio.
Há dias em que milagres acontecem. Principalmente o raro milagre da paciência às 6h da manhã no dia do rodízio.


sexta-feira, 19 de julho de 2019

Fazendo Cena - invadindo os bastidores

No domingo passado ganhamos um super presente, ingressos para um programa diferente, o espetáculo “Descobrindo o Teatro - Invadindo os bastidores”. A primeira informação que tive foi de que assistiríamos uma peça infantil e depois conheceríamos os bastidores do teatro. O projeto acontece no Teatro Alfa, um espaço lindo, que existe há 20 anos, na zona sul de São Paulo, atrás do Hotel Transamérica. 

Chegamos cedo e ficamos aguardando o sinal para entrada na sala (sala B do Alfa, no piso inferior), prevista para 11:00. O horário chegou e nada aconteceu, nenhum sinal para entrada. Às 11:10 um integrante da produção começou a andar pelo público e pedir que o acompanhassem até a sala . Nervoso, ele explicava estavam com um problema, que a van com os atores havia quebrado, mas que já estava a caminho. Com um rádio em mãos, outro integrante da produção conversava e avisava que a van estava na marginal e logo chegaria ao teatro. Naquele clima de apreensão pela "ausência" dos atores, pediram para todos sentarem em seus lugares e aguardarem. Aos desatentos, a peça já havia começado.

Os "técnicos", na verdade, eram ótimos atores. Tentando "improvisar" e entreter o público à espera do elenco, que, teoricamente, estava por chegar, os dois atores oferecem ao público uma bela aula sobre o teatro. Com o espetáculo denominado "Caixa Mágica", contaram as origens do teatro, deixando visualmente claro, detalhado e divertido com o era o teatro grego, o teatro japonês, a Comedia Dell'arte, o teatro de sombras, o teatro Elisabetano, o teatro realista.... e por aí vai. Com recursos super criativos e didáticos, mantendo sempre o clima de tensão (por estarem "improvisando" no lugar dos atores sem que o diretor tivesse autorizado), os atores, em certo momento pediram para que a platéia subisse no palco para um plano de fuga já que o diretor estava furioso e tentava entrar na sala que eles haviam trancado.

O plano de fuga, é claro, é a parte do "invadindo os bastidores" da brincadeira. E que parte...

Para Sofia e Tomás, tudo era novidade e diversão.
Para mim foi pura emoção. Poucos sabem, mas sou muito apaixonada por teatro. Há uns 25 anos meu programa favorito era ir semanalmente ao teatro, catalogar tudo o que eu assistia, pesquisar, estudar, assistir 2 ou 3 vezes a mesma peça... Fiz cursos livres de teatro, só comprava livros sobre teatro, era meu assunto favorito.. Enfim, invadir os bastidores do teatro Alfa significou para mim o mesmo que significaria para uma criança ir a um parque de diversões dos sonhos dela.

Voltando à "fuga", os atores conduziram o público pelo corredor dos camarins, passando pela sala de reunião de elenco, subindo então escadas até um amplo espaço escuro. É claro que eu já deduzi onde estávamos. É claro que já estava emocionada e queria que aqueles minutos durassem muito mais. E, sim, eu chorei (discretamente) quando as luzes se acenderam, as cortinas se abriram e foi revelado que estávamos no PALCO do teatro principal do Alfa, um teatro enorme, com 1322 lugares.

Não bastasse a surpresa e a emoção, a diversão ainda continuou. Por mais 1 hora, tivemos uma aula bem interativa, super detalhada sobre todos os recursos cenográficos, técnicos, de iluminação e som do teatro.

O projeto "Fazendo Cena" acontece em poucas datas durante o ano, já que mobiliza equipe dos 2 teatros, espaço integral do Alfa para atender um público reduzido (no máximo 200 pessoas por espetáculo). Recomendo demais essa experiência, todos merecem essa aula! Não percam!

* Muito obrigada, Elô, por esse presentão!!!!




segunda-feira, 20 de maio de 2019

É verdade esse bilete


No ano passado um bilhete na agenda ficou famoso após ser compartilhado nas redes sociais. Um menino de 5 anos, do interior de São Paulo, tentou enganar a mãe com um bilhete falso, onde fingia ser sua professora informando que não haveria aula, afirmando, ao final, "é verdade esse bilete".



Hoje, abrindo a agenda do Tomás para checar se havia recado ou informação de lição de casa me lembrei dessa história...

Em pouco menos de 1 mês haverá festa junina no colégio. As danças já estão sendo ensaiadas, os pares começaram a ser definidos. Foi enviado um informativo na semana passada com horários das danças, figurinos juninos e, ao final, um papel para ser preenchido e encaminhado confirmando a participação do aluno na apresentação da turma. Preenchi e coloquei na agenda. 

No fim de semana, estávamos passeando e Sofia me contava sobre seus ensaios, bastante animada. Tomás interrompeu a conversa e falou:

- Eu não vou dançar na festa junina!
- Como assim Tomás? Por que? Eu preenchi o papel ontem confirmando que você participaria a e ia mandar na segunda-feira para sua professora.
- Eu não falei que ia dançar! Eu não vou dançar!
- OK... Vou escrever na agenda explicando e perguntando se há algum problema, me lembre quando chegarmos em casa.

Claro que ele esqueceu... e, mais óbvio ainda, eu também.

Não é de hoje que ele reluta toda vez que há qualquer tipo de apresentação de dança ou música. Sempre diz que não vai, mas acaba cedendo após conversas com as professoras (exceto uma vez que entrou para dançar, mas não saiu do lugar, enfurecido, durante toda a dança).

Hoje, na volta do colégio, Tomás retomou o assunto ainda no carro:

- Mãe, já avisei a Zezé (professora)! Não vou participar da dança da festa junina.
- Ah é?! Ela falou que tudo bem? Você explicou que eu havia preenchido o papel da confirmação e esqueci de tirar da agenda?
- Sim.

Sim e ponto final. Simples assim. Assunto resolvido.

Então, chegando em casa, fui olhar a agenda para verificar o que ele precisava fazer de lição de casa. Me deparei com um "bilete":



É verdade esse bilete?!


quinta-feira, 16 de maio de 2019

Amor em forma de flor


O tema liberdade tem sido recorrente aqui em casa.

Sofia, com quase 11 anos, já mostra sinais da pré-adolescência. Pré-adolescência, claro, é sinônimo de busca por liberdade, ou melhor, de exigência imediata por liberdade. Ela vai tentando, aos poucos, conquistar seu espaço. Já fica sozinha no clube, tem seu armário no vestiário para tomar banho após os treinos de ginástica, fica sozinha em casa (por períodos curtos) e, há poucas semanas, ela conseguiu me convencer a liberá-la para uma tarde no shopping com os amigos... e por aí vai... 

Tomás, dois anos mais novo, vai conquistando seu espaço "na cola" da irmã. Exigiu que tivesse a mesma chance dela de ficar sozinho à tarde no clube e também em casa algumas vezes. Tivemos conversas sobre como confiança e liberdade são conquistados dia a dia, então ele precisava aprender a se cuidar de verdade e a respeitar os combinados. Tem dado tudo certo.

Eu estava me sentindo uma mãe super evoluída, encarando sem neuroses esses primeiros passos dos meus filhos para o mundo adulto e independente. Então me dei conta, através de uma história incrível, de como um clube ou um shopping não são nada, nada mesmo, quando ainda há o mundo todo para um filho querer e poder se "jogar" sozinho.

Há alguns anos uma amiga me contou sobre um projeto voluntário que amigas dela, mãe e filha, estavam trabalhando. Na época, Kety e sua filha Gabi (se não me engano, tinha 15 anos) pediam meias, novas ou usadas, para serem levadas e doadas para refugiados na Grécia. Fizemos a doação, que se juntou aos 2 mil pares arrecadados junto com doações em dinheiro, usados para acolher e atender as primeiras necessidades dos refugiados na chegada às cidades.

Os anos passaram e nesta semana voltei a ouvir falar dessas duas mulheres incríveis. 

Para poder manter o projeto da filha, que optou por levar a diante seu trabalho com os refugiados e permanecer na Europa, Kety criou o "Flores para refugiados". Com contribuições quinzenais ou mensais,  as flores chegam às casas em arranjos, tamanho M ou G, lindos, caprichados, cheios de amor e delicadeza. 

Hoje eu tive a alegria de conhecer a Kety e receber meu primeiro vaso de flores. Fiquei muito feliz e emocionada por ter algo tão lindo, em todos os sentidos, dentro da minha casa. Elogiei muito e Kety me mandou uma mensagem em resposta:

"Eu me esforço muito para fazer um arranjo tão bonito quanto o trabalho da minha filha... que bom que você está com a gente agora. Que essa nossa jornada juntas seja muito florida."

Hoje eu recebi amor em forma de flor.

Kety e Gabi, o mundo seria muito melhor com mais pessoas como vocês.

Vocês podem encontrar o projeto no Facebook e Instagram: Flores para refugiados.





terça-feira, 9 de abril de 2019

20 anos

Ontem a veterinária me disse: "a morte é a única certeza que nós temos...".
Sim, ela estava certa. Mas a outra grande certeza é de que temos todo o resto dos dias para viver da melhor forma que pudermos. E por todos esses outros dias possíveis, eu tenho certeza de que fiz a melhor escolha em 1999.

Há 20 anos eu tinha acabado de ir morar sozinha, num apartamento alugado na Vila Madalena, quando decidi procurar 2 gatos para adotar. Sim, 2, porque sempre me disseram que, em apartamento, os gatos ficam mais felizes se tiverem companhia sempre. E lá fui eu, com minha mãe, procurar os gatinhos. 

Paramos em um petshop perto de onde eu morava, perguntamos se sabiam onde eu poderia adotar gatos. A veterinária falou: "temos uma gatinha aqui, que foi encontrada na rua, deve ter uns 3 meses". E lá estava ela, de vestidinho cor de rosa, esperando por mim. Assim a Nina entrou na minha vida.

Como o plano era de ter 2, seguimos na missão, rumo a um apartamento em Higienópolis, onde, segundo a veterinária do petshop, uma senhora tinha dezenas de gatos para doação. Realmente eram dezenas, gatos por todos os lados num apartamento enorme. Minha mãe se encantou por um gato minúsculo, branco com manchas cinzas, super sujo, com um cocô na cabeça. Limpamos o coitado, que minha mãe dizia ter potencial, que seria um gato lindo (e foi!!!) e o levamos para ser o irmão da Nina. Esse era o Chico.

Nina e Chico estiveram ao meu lado em 3 mudanças de apartamento, altos e baixos profissionais, ganharam o Giva, um pai muito carinhoso, em 2003, 2 irmãos humanos em 2008 e 2010. 

Em 2012, Chico ficou doente e nos deixou. Porém, Nina, sempre linda e forte continuou ao nosso lado dando carinho em dobro. 

Ano passado Nina ganhou uma irmã canina, a Onze. Não sei se ela amava a Onze, mas o contrário é uma certeza... Onze balançava o rabo pra ela, lambia a Nina inteira, dando uma atenção especial ao rabo, que enfiava inteiro na boca e ia soltando conforme a Nina andava. Essa cena acontecia diariamente, seguida por um banho de lenço umedecido na gata.

Nos últimos meses nossa idosinha começou a dar sinais de que não estava mais com a saúde de sempre. Em 20 anos ela só foi ao veterinário para vacinas e para tratar 2 problemas: uma unha encravada e uma verruga na perna. Porém, a idade pesou para a Ninoca e há alguns meses ela começou a emagrecer muito, ficar bem fraquinha. Mesmo assim, sempre que ouvia a voz de alguém da família ela saía da caminha e andava até nós para dar e receber carinho.

Ontem não foi diferente. Pela manhã ela ainda saiu da cama, veio atrás de mim, deixou a Onze lambê-la da cabeça ao rabo e voltou para a cama. Infelizmente não conseguiu sair mais de lá. No final da tarde, recebendo carinho meu e do Tomás, Nina partiu suavemente.

Sim, foi duro. Está sendo. Ficou um vazio. Sofia e Tomás choraram muito, estão sofrendo. Mas os 20 anos ficam, repletos de histórias, de boas lembranças, de muito amor, de fotos lindas...

Ontem, logo que ela morreu, Tomás falou: "hoje o Corinthians vai ganhar o jogo. Pela Nina.".

Depois, pensou alto: "acho que amanhã não vou conseguir ir ao futsal... Mas acho que vou sim... e vou fazer um gol para Nina". 

E então, sem eu perceber, ele guardou o brinquedinho favorito dela, uma bolinha de borracha, que a Onze comeu metade. Quando vi a bola no quarto, perguntei porque estava lá e ele disse: "vou guardar para sempre, para nunca esquecer da Nina".

Nossa gata tornou-se o anjinho da sorte do Tomás. Ontem, logo depois de a deixarmos na clínica veterinária para cremação, ele quis passar na banca de revistas em frente para comprar figurinhas. Abriu o primeiro pacote e veio a figurinha mais desejada! Do Messi! E ainda mais 2 brilhantes no mesmo pacote. 

E algumas horas depois... sim, como Tomás previu... o Corinthians ganhou a semifinal do Campeonato Paulista. 

Pela Nina.





  





segunda-feira, 11 de março de 2019

O aniversário é meu, mas o presente é pra vocês

Pois é, hoje, 11 de março, completo mais um ano de vida. E lá em casa tem mais uma aniversariante! Nossa canina, a Onze, que completa um ano!

Não, não tenho planos de grandes comemorações... até mesmo porque eu sinto que festejei tanto nesses meses (sim, meses, porque o primeiro bloco que fui foi em janeiro!) de Carnaval de SP, que a farra já foi de bom tamanho. Agora um bolinho gostoso e carinho das pessoas especiais que estão na minha vida já me satisfazem por completo.

Ah, mas não passei aqui no blog para falar dos meus 43 anos... Vim para dividir fofurices da Sofia e Tomás com vocês e mostrar como um simples domingo em família pode render boas risadas.

Sofia assistindo tv ontem, no apto novo do tio Tuto e da Samantha, vendo Martinho da Vila cantar "Disritmia". 


'Me deixe hipnotizado pra acabar de vez

Com essa disritmia.
Vem logo! Vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia!"


Sofia não é discreta, gosta de cantar alto, fazer performance... e assim fez. Dançou e cantou alto:


'Vem logo! Vem curar teu nego
Que chegou de BODE lá da boemia!"

Rimos muito com a imagem do sujeito voltando da boemia com um bode... E ela nem ligou, continuou fazendo nossa alegria e cantando de seu jeito.

E lá no apartamento do tio Tuto, além de todas as novidades do novo espaço, Tomás se encantou com uma em especial... uma calopsita, que veio pela janela na semana da mudança e foi adotada, já que, mesmo com anúncios colocados no bairro, um possível dono não se manifestou. Tomás amou a novidade, claro... Hoje, a caminho da escola puxou papo sobre o assunto:

- Mãe, como é mesmo o nome? Cripto.. criptonia... cripto o que mesmo?
- Do que você está falando, Tomás/
- Do passarinho do tio! É criptonita, né?
- Você quer dizer calopsita?
- Isso!

E assim começa mais uma semana... e, pra mim, mais um ano de vida! E que a idade multiplique a felicidade sempre!!! 






quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Meu presente, ou melhor, presente do Papai Noel

No final do ano passado vi um anúncio do show do Youtuber Authentic Games, de quem o Tomás é muito fã. Como já faz tempo que ele tem vontade de ir, decidi fazer uma surpresa e comprar de presente  de Natal um par de ingressos.  

Como Tomás dá sinais de que ainda acredita  em Papai Noel, foi ele o responsável pela surpresa de Natal. Porém, não pensei muito bem nos detalhes... o ingresso, claro, saiu em nome de quem fez a compra, no caso, eu e não o Papai Noel. Embora tenha achado estranho, Tomás não questionou muito, estava feliz demais com a surpresa. Porém, em diversas situações, me distraí falando sobre esse assunto com mães de amigos dele e saíram frases do tipo "eu comprei em dezembro", "escolhi setor azul", "comprei junto com a mãe do Léo"... Tomás, sempre atento, me dava uma forcinha:

- Mãe, foi o Papai Noel, lembra?!

Ops! É mesmo...

Depois de longa espera, já que ganhou os ingressos em dezembro e o show seria apenas em fevereiro, o tão esperado dia chegou. Tomás se preparou. Separou o boneco, o livro do Authentic e suas economias (com planos de adquirir alguma coisa na lojinha do show) e lá fomos nós ao Espaço das Américas.

Já na entrada, fez sua compra, um porquinho de pelúcia Authentic Games. Feliz da vida, com seus bonecos e com a companhia de um amigo que adora, o Léo, foi procurar seu lugar e esperar o início do show. A ansiedade era tanta que não tinha sede, fome nem vontade de ir ao banheiro. Apenas sentou e esperou.

Finalmente o show começou. Crianças eufóricas, gritaria, muita gritaria... eram cerca de 3 mil pessoas lotando o Espaço das Américas. Quando o Youtuber Marco Túlio entrou no palco a reação do Tomás foi surpreendente. Ele ficou muito emocionado, chorou, chorou, chorou muito, me abraçou. Depois da emoção, veio a euforia e ele aproveitou cada segundo do show, que é bem interativo. Ao final, para completar a alegria da criançada, ainda teve sessão de fotos.

Na saída, Tomás estava elétrico, queria conversar sobre tudo o que aconteceu. E assim continuou por mais algum tempo em casa. Falante, muito feliz. Não conseguia dormir, não deixava a Sofia dormir. Até que o cansaço foi mais forte e ele finalmente capotou.

Dia seguinte, a caminho da escola, Sofia, bastante cansada, reclamou:

- Nossa, Tomás, obrigada, viu, estou morrendo de sono por sua causa! Você não me deixava dormir ontem. Muito chato!

No banco de trás, Tomás, ainda sonolento, estava em silêncio. E então uma resposta tímida:

- É que eu não queria que o dia de ontem acabasse...


Tomás e Léo com seus bonecos

Authentic

Youtuber Marco Túlio

Tomás e Léo na foto após o show