quinta-feira, 14 de junho de 2018

No clima junino

Apesar de odiar o frio, eu adoro o mês de junho por causa das festas juninas. A decoração, as músicas, as comidas, as brincadeiras, encontrar os amigos, enfim, eu realmente me divirto. Não tenho certeza, mas tenho a impressão, vendo fotos antigas, que sempre gostei dessas festas.

Sofia gosta muito também. Adora se produzir, fazer "maria chiquinha" no cabelo, pintinhas no rosto, ela entra no clima junino mesmo.

Já o Tomás...

Em 2012, quando ele tinha 2 anos, foi a primeira vez que comprei um figurino junino para que ele usasse. Mesmo torcendo o nariz, ele aceitou colocar um macacão jeans com camisa xadrez por baixo. Mas fiz a besteira de tentar completar o visual com um bigodinho feito com lápis preto de maquiagem... 

Pensem num drama!!! A criança jogada no chão, esperneando, mil lágrimas escorrendo e gritando:

- Eu não quero ir assim, estou feio!!!!

Tentei acalmá-lo, limpei um pouco, mas não saiu completamente. Ficou um borrão, que combinou bem com a cara de choro... Vejam foto abaixo.

Claro que, depois dessa experiência, para não criar traumas nem estragar o programa, nunca mais me atrevi a pintar o rosto do Tomás. Já a camisa, tornou-se um problema. Todo ano, quando chega o comunicado do colégio sobre o figurino da dança, começa o drama. Tomás diz que não quer dançar, não quer usar camisa. São algumas semanas de negociação, com desfecho positivo algumas vezes.

Neste ano, não foi diferente. O comunicado chegou e Tomás foi direto:

- Eu não quero dançar.

Não adianta perguntar o porquê, não adianta tentar negociar. Fui à escola, conversei com a professora, expliquei o problema. Ela me garantiu que conversaria com ele e tentaria fazê-lo mudar de opinião.

Uma semana depois, numa volta para casa, batendo papo no carro, Tomás disse:

- Mãe, sabe com quem eu vou dançar?!!! Com a Duda!!!! - contou ele, super feliz.

Dançar?!!! Ouvi bem?!!! Tentei controlar a felicidade e lidar com a informação como se fosse algo normal. Apenas falei "que legal, Tomás!". Mas a vontade era de gritar "uhuuuu! A Marina (professora) conseguiu!".

Aliviada e confiante, no dia seguinte comprei a camisa xadrez pedida para a dança e fui mostrá-la para ele.

- Olha, Tomás, comprei uma camisa para você usar na festa junina. Você gostou?
- Mas tem que usar camisa?!!!! - disse ele, abaixando a cabeça.

Sábado é a festa, gente. Vamos começar a rezar.



Foto pós-chororô por causa do bigodinho

Festa junina sem fantasia no ano seguinte



quarta-feira, 13 de junho de 2018

Bom senso

A adolescência é um período turbulento, é fato. Atualmente, para aumentar um pouco o grau de dificuldade nas relações familiares, definem como pré-adolescente as crianças entre 9 e 13 anos. Pois é, a infância está cada vez mais curta, agora há a pré-adolescência no meio do caminho. Lá em casa, mais do que saudades das bonecas e outros brinquedos, tenho sentido falta dos diálogos e reações mais infantis que eu estava acostumada. Sofia está quase com 10 anos e a pré-adolescência já a acompanha há alguns meses.

Além das oscilações de humor e explosões de raiva (tem sido frequente ouvir "nossa, você é muito chata!", "nossa, você só me julga!" e "você não me entende!", com direito a lágrimas e isolamento no quarto), os interesses mudam muito.

Se na minha adolescência (ou pré-adolescência... não sei, mas tenho a impressão de que fui direto para a adolescência, porque brinquei de boneca até uns 13 anos) eu gostava de ler Revista Capricho, hoje em dia, pelo menos lá em casa, as revistas saíram de moda. Sofia gosta de livros, adora o setor teen da livraria, onde há dezenas de biografias (!!!!) de atores e youtubers menores de 18 anos. Entre as opções de leitura, há também aqueles livros no estilo auto-ajuda.

Semana passada, Sofia estava na livraria folheando um desses livros. O nome era "Perguntas e Respostas - Larissa Manoela". Para os leigos, Larissa Manoela tem 17 anos, é atriz, cantora, dubladora, escritora e musa inspiradora de muitas meninas. Sofia é uma dessas fãs.

Bom, voltando ao livro... Sofia, interessada, tentou me convencer a comprá-lo (ela e o Tomás já perceberam que eu tenho uma dificuldade em dizer não quando o objeto de desejo é um livro).

- Mãe, olha que legal, é o novo livro da Larissa Manoela!!!!
- Bacana, Sossô. Sobre o que é?
- Sobre perguntas e respostas.

Huumm... pareceu profundo. Mas não querendo ser chata e já julgar negativamente o livro, pedi para dar uma olhada. Cada página tinha uma pergunta, a resposta breve da Larissa e 80% do espaço em branco, com linhas, para que a criança escreva a sua resposta.

- Gostou, mãe? Está baratinho!!! - Sofia comentou, na expectativa que eu topasse a compra.
- Sofia, mas não tem nada escrito!
- Claro que tem! Olha só! - disse ela mostrando as páginas.
- Três linhas escritas e o resto em branco pra você escrever?! Melhor comprar um caderno de uma vez... você não acha?

Ela deu risada, guardou o livro e não tocou mais no assunto.

Posso correr o risco de parecer chata ou crítica demais na visão deles, de ouvir a frase "você é muito chata", mas se tem uma coisa que me esforço para que Sofia e Tomás tenham é BOM SENSO.  


OBS: Os outros dois livros da Larissa Manoela, com mais páginas escritas, eu comprei há algum tempo e Sofia leu, feliz da vida. E assim vamos caminhando até essa fase ser superada...
O "livro"

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Tendências da moda com a Sofia

Quem conhece bem a Sofia, sabe que, desde pequena, ela é muito vaidosa e cheia de personalidade na forma de se vestir. O básico não é a cara dela definitivamente.

Hoje em dia ela anda super envolvida no mundo da ginástica artística, treinando pra valer e, claro, sempre extremamente atenta às tendências da moda relacionadas aos uniformes das ginastas. 

Há algumas semanas, chegou o uniforme novo dela, que precisará ser usado sempre que for representar o clube em competições. Digamos que ela teve muitas ressalvas às combinações de cores escolhidas, aos tecidos, ao fecho do collant (que é ruim mesmo), enfim, acredito que ela mudaria tudo... O collant, segundo ela, é muito verde (por motivos óbvios... é a cor do clube), mas tem um ponto muito positivo, o brilho! Muito brilho! Pra Sofia, quanto mais glitter melhor, então o collant, na média final, foi aprovado. Bom, mas então, por cima do collant, tem uma camiseta... que ela odiou... 

- Verde neon!!!! Não combina nada com o collant! Affff...

Depois, para finalizar o uniforme, vem o agasalho. Calça e casaco que, segundo ela...

- Tem uma cor horrível!!! Um verde cocô de vaca!!!! Nada a ver... ficou um Carnaval, nada combina com nada.

Bom, mas, críticas à parte, quando ela está toda "montada" de ginasta, é só orgulho, nem lembra da sua insatisfação com a combinação de tons. Segundo ela:

- Nossa, me sinto uma Flavia Saraiva!!!


***

Ontem a minha pequena personal stylist me deu umas dicas ótimas. 

Eu fui usar uma jaqueta de couro preta, que estava guardada desde o inverno passado. Para minha tristeza, notei que o couro (sintético) ressecou e começou a esfarelar em algumas partes da jaqueta. Fiquei lamentando sozinha, Sofia ouviu e veio com seus comentários:

- Mãe, relaxa, você pode vender no "Enjoei". Você pode descrever assim: jaqueta de couro preta, super tendência, estilo "destroyed", com forro onçado!

OBS: o forro preto da jaqueta tem um desenho "onçado", como descreveu a Sofia. Existe tigrado, né? Então existe onçado! Essa é a Sofia.




quarta-feira, 6 de junho de 2018

O Cordel Estradeiro voltou

Como já comentei em texto anterior, minha vida é toda musicada. Nos anos 2000, sem dúvida, minha trilha sonora frequente foi "Cordel do Fogo Encantado". Na época, não fui atrás da história da banda, das suas origens, das suas referências. Apenas me apaixonei. Desde o primeiro show, na Choperia do Sesc Pompéia, aquele grupo, com nome curioso, com interpretação enérgica e totalmente teatral, com poesias alternadas às músicas, me ganhou pra sempre. Já adianto que só entende totalmente o que é o show do Cordel quem já vivenciou. A apresentação desses meninos (meninos sempre, porque a energia deles não corresponde à idade definitivamente) é um acontecimento, uma explosão de alegria, de poesia e de força. Eles ficaram 8 anos distantes dos palcos e agora, para a alegria de quem é fã, como eu, e para sorte de quem ainda pode ir atrás de conhecê-los, voltaram. Voltaram com cd novo e com turnê pelo Brasil.

Em entrevista à Roberta Martinelli, na Rádio Eldorado, dias antes dos 3 shows de SP, Lira, o vocalista do Cordel, contou que a grande motivação para o resgate da banda foi a morte de Naná Vasconcelos. Naná foi como um padrinho da banda, acompanhou-os por anos, foi produtor do primeiro cd (de 2001) e sempre foi (e é) uma forte referência musical para o Cordel. Na entrevista, Lira disse que, no encontro dos músicos no velório de Naná, surgiu a decisão, a necessidade de resgate da banda, de sua história e de produzir um novo trabalho, uma homenagem. A homenagem aconteceu. E que homenagem! Um novo trabalho lindo, enérgico, alegre. Aliás, alegria foi o que mais vi no momento do show, tanto nos fãs (que, como sempre, lotaram totalmente o espaço do Sesc nos 3 dias de shows) quanto nos integrantes da banda, que deixavam explícita a emoção da volta.

O auge da banda aconteceu numa época em que, acredito, as pessoas se entregavam mais ao momento do show, não o desperdiçavam, sem perceber, como acontece atualmente. Hoje os celulares marcam presença (e atrapalham a visão e concentração de quem está atrás) para dar a ilusão de que se está aproveitando, registrando tudo para ver depois ou pra mostrar nas redes sociais, mas na verdade estão roubando algo tão especial, que só acontece ali, ao vivo... a troca de energia, a entrega, sem interferências externas. No show do Cordel desse último domingo fiquei positivamente surpresa, notei que havia menos celulares do que a média usual em shows. Ali você tem que escolher... ou pula ao ritmo da percussão contagiante ou fica parado gravando. A maioria optou pela primeira opção. Cordel tem esse poder. 

Eu tenho o DVD, de um registro feito pela MTV em 2003 na Casa das Caldeiras. Sabem quantas vezes assisti? Uma, duas no máximo. Eu estava lá no dia da filmagem (obrigada, César, meu amigo querido, pelos ingressos!) e o ao vivo é insuperável. Até a volta da banda, se me dava vontade de matar as saudades, eu recorria aos cds, que me bastavam para trazer todas as memórias de volta. Costumo ouvir no carro e num dia desses percebi que Sofia e Tomás, no banco de trás, estavam fazendo comentários cochichados, dando risadinhas, entre eles sobre as músicas do Cordel que eu cantava empolgadamente.


"Ê nunca mais eu vi 
Os oím do meu amor 
Nunca mais eu vi 
Os oím dela brilhar"  (trecho de Os oim do meu amor)


"Meu moxotó coroado
De xiquexique facheiro
Onde a cascavel cochila
Na boca do cangaceiro" (trecho de Cordel Estradeiro)


- Por que vocês estão rindo? - perguntei
- Mãe, ele fala tudo errado. A gente não está entendendo nada!!! - Sofia respondeu

Em vão, tentei explicar, mas eles já estavam se divertindo mais em não entender nada, não deram a menor atenção... Resumindo o que tentei dizer para eles: 

"Prazer, crianças, isso é 'pernambuquês', isso é Cordel. Não tentem entender, apenas ouçam e, de preferência, ao vivo!" 



terça-feira, 5 de junho de 2018

Verbo "ruivar"


Há coisas que não mudam. Os anos passam, Sofia cresce, mas sua livre interpretação de palavras continua firme e forte.

Nos primeiros anos do blog, acredito que 90% das histórias foram baseadas em frases ou palavras divertidas que a Sofia falou. Ou seja, há quase 10 anos, ela nos diverte com seu vocabulário único e criativo.

Uns dias atrás estávamos na cozinha preparando um bolo e batendo papo. Se tem algo que Sofia ama é bater papo, puxa assunto sobre tudo. No meio da conversa, nossa gata, Nina, parou no pé da Sofia e deu um miado alto. Outro miado. Sofia comentou, bufando com a gata que estava atrapalhando nossa conversa:

- Nossa, agora essa gata só fica RUIVANDO!!!

Nina nem deu bola para a bronca, continuou "ruivando" e, aliás, hoje em dia, é o que ela mais faz. Temos uma gata idosa bastante barulhenta..



quinta-feira, 24 de maio de 2018

Meu amor de infância era o Fagner

Nesta semana, uma foto me fez lembrar de um momento dramático que aconteceu quando eu morava sozinha, há uns 15 anos.

Eu estava lavando roupa, no tanque, um momento de muito glamour da vida doméstica. Para não estragar um anel que eu estava usando, tirei-o e coloquei ao lado. Mas não fui muito cuidadosa ao retomar a atividade no tanque, esbarrei no anel e lá foi ele, ralo abaixo. No reflexo e desespero, ao menos consegui fechar a torneira rapidamente. Porém, nem sinal do anel. Fiquei arrasada. Não, não era um anel de ouro, não era herança da família, mas era importante para mim e eu tenho um histórico de apego a coisas singelas... vejam só...

Voltando ao anos 80, eu estava na sala de casa com minha mãe e meu irmão (acho que a cena era essa) quando meu pai entrou com um ar não muito animado. Perguntamos o que tinha acontecido e ele contou que haviam arrebentado o vidro do nosso carro, que estava estacionado na rua, e roubado o rádio/toca-fitas. Comentou , aliviado, que, pelo menos, o carro não havia sido levado. Eu não fiquei nada aliviada, uma aflição me dominou e perguntei:

- Roubaram minhas fitas?!  (eu tinha algumas fitas K-7 favoritas... Para quem nunca ouviu falar em K-7, favor pesquisar no Google, porque isso já existiu sim, assim como o o telefone de discar, a máquina de escrever e algumas outras coisas da minha infância)

Então, meu pai disse:

- Não levaram todas as fitas...
- Mas não me diga que levaram a do Fagner!!!

Pois é... eu era uma criança muito fã de Fagner. A-MA-VA!!! Esse amor louco não é o mesmo hoje em dia, mas até hoje me emociono quando ouço "Ai, Coração alado. Desfolharei meus olhos nesse escuro véu. Não acredito mais no fogo ingênuo, da paixão...".  Bem infantil, né?!

Voltando à resposta do meu pai, ele confirmou... a fita do Fagner agradou muito o ladrão e foi, sim, levada. Momentos de depressão seguiram-se. Chorei muito, fiquei inconsolável.

A dor do anelzinho indo ralo abaixo foi similar à minha despedida forçada da fita do Fagner. Eu olhava pro tanque e chorava... Ainda chorando, tive a brilhante ideia de pedir socorro pro porteiro (meu prédio não tinha zelador). Ele, preocupado com meu desespero, foi imediatamente ao meu apartamento. Quando expliquei o que havia acontecido, ele me olhou meio de canto e disse:

- Você está chorando tanto assim só por causa de um anel?!!!

Como assim?! Só?!!! Aquele anel foi o primeiro presente que eu havia ganhado do meu namorado e o grau de importância e apego era nível máximo. Estávamos juntos há poucos meses, eu super apaixonada e encantada com o anel, que ele havia tirado do dedo e me dado (achei romântico, mas mal podia imaginar o que descobri anos depois. Ele não gosta de usar anel e talvez tenha sido um alívio tirá-lo do dedo e me dar...).

Não expliquei a história do anel para o Vanderlei, o porteiro do prédio, mas quase o beijei quando, rapidamente, numa ação que não exigia muito habilidade, nem técnica, abriu o sifão, tirou o anel e me entregou.

O K-7 do Fagner eu nunca mais recuperei. 
O anel está comigo até hoje. Não uso (não uso anel algum, nem aliança de casamento, o que foi uma boa economia)... mas o carinho por ele é grande.
Ah! E depois da quase perda do anel, descobri que existe sifão e que é possível abrí-lo quando necessário.





terça-feira, 22 de maio de 2018

"Alguém nos ajude, Lázaro, a entender"

Quem acompanha meu Instagram ou Facebook, ao ver fotos postadas nas últimas semanas, talvez esteja se perguntando "o que deu nela, que agora vive em eventos de lançamento de livros?". Por coincidência, fomos a 3 eventos muito bons nas últimas duas semanas relacionados a escritores (uma palestra do Mário Sérgio Cortella, um lançamento de livro com ilustrações de Maurício de Sousa e texto de Mário Sérgio Cortella e o de domingo passado, que darei mais detalhes abaixo). Na verdade, não dá para chamar de coincidência, porque o Facebook cruza os dados da minha conta e dá sugestões de eventos que considera de meu interesse. Sim, o Facebook está certo, estou bem interessada em prestigiar autores que gosto, descobrir livros novos e mais interessada ainda em levar Sofia e Tomás junto.

Descobri, nesses eventos, que, além da alegria de poder dar um abraço, ganhar um autógrafo de um autor que admiramos e levar um (às vezes, mais do que um) bom livro para casa, acompanhar um bate papo sobre o tema do livro, há mais um ponto que pode ser bacana. Talvez soe contraditório, mas esse outro ponto é a fila... Ok, agora vocês tem certeza, sou louca! Meu marido, então, vai me xingar ao ler isso, porque, no lançamento do Maurício de Sousa, a fila estava na rua, não muito agradável nem confortável, mas eu, aproveitando a gentileza dele, fiquei dentro da livraria com as crianças (sim, ele tem um crédito comigo depois dessa). Claro que a fila, à primeira vista, pode desanimar, mas, se você está numa livraria (dentro dela!), a fila te dá a chance de, pra começar, algo raro na correria de SP. exercitar a paciência, desacelerar, observar as pessoas ao redor... Na fila também dá para bater papo, folhear alguns livros, ler um pouco, decidir comprar mais um livro além do lançamento em questão...

Antes de continuar, vejam a cena linda que presenciei hoje cedo. 6:30 da manhã e Tomás saiu sonolento do quarto para ir tomar seu leite antes de ir para escola. Normalmente, carrega com ele algum boneco para ficar inventando histórias, lutando ao lado do copo de leite e me proporcionando momentos de tensão. Hoje fiquei duplamente feliz e emocionada. Não teve luta e, no lugar dos bonecos, ele levou um livro! Tomou leite lendo!!!

Bom, após o breve parênteses, vamos ao evento mais recente...

Domingo passado, foi dia do nosso terceiro evento literário do mês. Livraria da Vila, na Vila Madalena, lançamento de "O Livro Sem Rimas de Maria", escrito por Lázaro Ramos e ilustrado por Maurício Negro. O livro é uma delícia, leve, divertido e com um visual lindo, Maurício fez um trabalho incrível. Foi um prazer estar perto de Lázaro Ramos e descobrir que, além de um ator/escritor talentoso, é uma pessoa com um astral ótimo, espontâneo, alegre e atencioso. A tarde de autógrafos foi em 'ritmo baiano', sem pressa, com muita conversa com cada um da fila e com  muitas risadas.

Ficamos um bom tempo na fila, lemos alguns livros, conversamos, lemos mais um pouco, ficamos com dor nas pernas e nas costas, ficamos com fome e então já estava quase na nossa vez...

Observando atentamente as pessoas à nossa frente, naquela ansiedade para o fim da espera, vimos uma menina, que devia ter uns 12 anos, entregar o livro para ser autografado e falar "Lázaro, eu canto!". Ele, super receptivo, divertiu-se com a apresentação inusitada e respondeu "ah, não acredito! Só acredito se você cantar pra mim!". A menina ficou tímida e ele, descontraído, falou que era brincadeira, bateu um papo rápido, abraçou e ela foi embora. 

Logo em seguida, outra menina, aparentemente da mesma idade, apresentou-se com a mesma frase: "oi, eu sou a ****** e sou cantora!" (ué?! Era fila de autógrafo ou teste para o "The Voice Kids"?!). Lázaro reagiu da mesma forma, brincalhão. A menina, séria, focada, continuou com um texto, que parecia decorado pela falta de naturalidade .... Perguntou se ele topava gravar um vídeo com ela. Porém,esqueceu de avisar que o vídeo não era COM ela... era um vídeo DELA, falando sem parar, com Lázaro ao lado. A impressão era de que Lázaro era cenário do vídeo, um "hashtag" para a futura postagem que ela faria nas redes sociais.

Poxa, gente, não quero parecer ranzinza, mas não consigo achar normal, bonitinho, esse modismo de crianças blogueiras, crianças "famosas", crianças que repentinamente tornam-se artistas, ganham seguidores (!!!) fazendo vídeos com falas pedantes e sem conteúdo. Esse deslumbramento, falta de humildade e, principalmente, de bom senso, me incomoda demais. Ao ir a um evento, acho fundamental respeitar o artista, não tentar aparecer mais do que ele...

Lamento que pais de crianças cantoras, modelos, atrizes, youtubers, blogueiras, escritoras (!!! já repararam a quantidade de livros escritos por crianças e adolescentes "famosos") não aproveitem, por exemplo, o privilégio de uma ida ao lançamento de um livro para, simplesmente, ler com os filhos, conversar, curtir uma tarde juntos, trocar carinho, criar mais vínculos e menos expectativas.

Relembrando o apelo feito por Criolo, em sua tão comentada (e criticada) entrevista a Lázaro Ramos há alguns anos, repito: 

"Alguém nos ajude, Lázaro, a entender".
Entender e aprender a lidar com a falta de bom senso e com o assustador encurtamento da infância. 



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Aprendendo a olhar


Passei minha infância e adolescência em Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Meus avós tinham uma casa no Perequê, um bairro próximo à balsa. Era um terreno enorme (enorme mesmo, não era apenas minha visão de criança), com uma casa pequena, com 2 quartos, uma varanda com uma mesa comprida, um jardim que ocupava 3/4 da área do terreno, uma casa da caseira e uma edícula com mais 2 quartos. Foi nesse espaço que tomei centenas de picadas de borrachudo, brinquei de acampar no jardim (com direito a fogão a lenha improvisado), fiz guerra de jaca (e tenho terror de jaca até hoje, do cheiro e da sensação daquela coisa gosmenta grudada no meu cabelo), me pendurei nos cipós das árvores do terreno da frente, brinquei de casa mal assombrada numa casa em construção na rua ao lado (é inacreditável nos dias de hoje, mas eu, meu irmão, meus primos e os filhos da caseira ficávamos perambulando pelas ruas sozinhos e inventando brincadeiras que deixariam pais de cabelo em pé) e tantas coisas mais...

Infelizmente a casa foi vendida. Felizmente, quem comprou foi uma escola, que manteve o jardim e até a estrutura da casa principal. Fiquei muito feliz em saber que aquele espaço, onde me diverti tanto, continua sendo aproveitado por muitas outras crianças.

Em 2017 fui com meu marido e filhos para a Ilha e quis matar as saudades da rua, do muro, das árvores, daquele meu pedacinho de infância. Para minha surpresa, estava tudo lá, exatamente como na minha memória. Não posso dizer o mesmo do bairro, porque realmente houve uma transformação por ali, muitas construções novas, muito comércio. Aliás, a ilha toda cresceu muito, mas continua linda e aconchegante. Em alguns aspectos, achei que até melhorou. Agora há um calçadão e uma ciclovia por grande parte da área urbana, parquinhos e aparelhos de ginástica nas praias.

Sofia e Tomás adoraram a viagem. Ficaram um pouco tensos com a primeira travessia de balsa. Depois, ficaram ainda mais na volta... não com a travessia, mas com a fila de 6 horas para entrar na balsa! Acabamos atravessando e dormindo em São Sebastião para que todos se recuperassem e pudessem ter energia para pegar estrada no dia seguinte (não era esse o plano inicial, mas acabou sendo gostoso). As crianças não sofreram com os famosos borrachudos (todos focaram apenas em mim, tomei picadas pela família toda...), amaram o mar tranquilo, sem ondas e fizeram descobertas que eu, mesmo após dezenas de idas à ilha não havia feito.

Não sei porque, mas minha família não tinha o hábito de ir além da "Praia do Sino", que fica na parte Norte da ilha. Em nosso passeio por lá, as crianças adoraram ouvir o som de sino saindo das pedras, mas a diversão mesmo começou quando cruzamos a minha barreira de infância e fomos em direção às praias seguintes... Praia do Oscar, Praia do Pinto, Armação. Quem nos levou para essa aventura em praias desconhecidas foi minha prima, Martha, que conhece cada pedacinho da ilha.

Martha ensinou os caminhos para chegar às praias, mostrou curiosidades no meio da mata (como aquela plantinha "dorme dorme", que você encosta o dedo e ela se fecha), entrou com as crianças no mar e nos ensinou a enxergar tartarugas. Ela disse:

- Olhem bem pro mar, prestem atenção e vocês vão perceber que está cheio de tartarugas. As pessoas nem percebem, porque não imaginam que é possível ver. Mas se você olhar com atenção, aprende a achá-las.

Foi o que fizemos. Todos concentrados olhando para o mar e, que emoção, lá estavam elas, lindas! Muitas tartarugas!!!! 

A vida é incrível. Podem demorar 40 anos, pode ser necessária uma dica especial da prima 13 anos mais nova, mas as coisas simples e lindas da vida estão por aí, basta uma mudança na forma de olhar ...






quarta-feira, 16 de maio de 2018

Cabelo cresce... mas demoraaaa

Imagino que quase todo mundo já passou por isso... 
Um belo dia você acorda decidido a mudar, ter um visual novo, quase sempre porque é um corte da moda. Nem sempre combina com seu rosto ou com seu tipo de cabelo.

Quando eu tinha 11 anos, tinha um cabelão cacheado, com corte reto, mas a moda da época era o repicado. Sem refletir muito, tive a sensacional ideia de me jogar com tudo na moda. Fui com minha avó ao salão, feliz e decidida. Achei o máximo a técnica do corte em que o cabeleireiro puxava todo o cabelo pro alto e cortava as pontas, soltava e, mágica (!), tudo repicado no melhor estilo "capacete". Estava uma porcaria, mas eu adorei. Talvez tenha gostado mais da técnica do que o corte em si, porque cheguei em casa e resolvi dar uma retocada. Peguei a tesoura e finalizei o estrago. Só lembro da minha mãe chegando em casa e indo, curiosa, ver como tinha ficado o "repicado". Ao se deparar com meu cabelo todo desigual (porque nesse dia eu tive a certeza de que não nasci para ser cabeleireira, pois simplesmente destruí meu cabelo, não tinha salvação), arregalou os olhos e falou: "o que você fez?!!! Vai ter que cortar isso!!!". Eu tentei argumentar, dizendo que pra mim estava bom, mas foi em vão. No dia seguinte voltamos ao cabeleireiro e ganhei um belo corte "joãozinho", curto, curto, curto mesmo!!!! 

Assim, aos 11 anos, eu tive que encarar a ida à escola com aquela radicalização de visual (eu era a única menina de cabelo curto da turma) não exatamente escolhida por mim... Sobrevivi.

Como já contei um pouco anteriormente no blog,,,


... Tomás, 7 anos, decidiu trocar seu cabelo cacheado por um estilo "jogador de futebol", raspadinho e com desenho de um raio na lateral. Fui tentando adiar a ida ao cabeleireiro, mas ele insistia... Acabei cedendo e lá fomos nós para a mudança de visual. Durante o corte, ele estava mais interessado no jogo de videogame do salão do que no cabelo. Ao final, percebi que estava retraído, se escondendo pelos cantos, mas achei que só estava passando por um momento de timidez, que é comum de acontecer com ele. Porém, os dias foram passando e ninguém viu mais o cabelo do Tomás. Ele colocou em uso todos seus modelos de touca... de lã, de monstrinho amarelo e de tubarão. Fofo, mas não deve estar sendo confortável, porque, apesar de estarmos no outono, tem feito bastante calor.

Então, há alguns dias, ao terminar seu banho, Tomás me pediu ajuda para se secar. Enquanto enxugava seu cabelo, aproveitei para tocar no assunto, que ele evita a todo custo, ameaça chorar se insistimos em perguntar algo a respeito do novo corte.

- Tomás, já faz uma semana que você cortou o cabelo, já cresceu um pouco, sabia?! 

Ok, eu forcei... Estava igual, mas eu não aguento mais vê-lo de touca dia e noite. Continuei:

- Está bonito. Você não vai parar de usar touca?
- Não.
- Mas você pretende usar touca até quando?
- Até meu cabelo ficar assim de novo - Disse ele, fazendo um gesto ao redor da cabeça mostrando o cabelo volumoso, estilo "black power".

Bom, então, como vocês podem perceber, teremos uma longa temporada de Tomás de touca...









Meu irmão, minha mãe e eu (com meu cabelo curto)


segunda-feira, 14 de maio de 2018

Ser mãe é um parto

Antes de ter tido filhos eu costumava usar com frequência a expressão "nossa, foi um parto..."  para situações difíceis. Depois de duas gestações, eu tenho mais respeito por essa frase.

Durante anos eu fui iludida pela minha mãe com a propaganda mais enganosa de todos os tempos! Ela repetia sempre que o parto normal é super tranquilo, não se sente nada, é rápido, não dói... Sempre contou, na maior paz do mundo, que eu nasci muito rápido, de parto normal, sem anestesia, quase sem dar tempo do médico chegar. O parto do meu irmão, foi ainda mais tranquilo, não teve médico (não deu tempo dele chegar). Segundo ela, ele nasceu no corredor da maternidade, sem dores, sem anestesia, sem stress. 

A credibilidade da palavra materna é tão forte que nem me dei conta durante anos de um pequeno detalhe... minha mãe não sente dor... nunca teve cólicas nem dor de dente, quase morreu de apendicite porque não sentia nada, mesmo com a barriga super inchada...

Assim, quando descobri que estava grávida da Sofia, a tranquilidade a respeito do parto me dominou. Nunca cogitei a cesárea (a não ser em caso de emergência, é claro), não tinha receio de dor ou de dificuldades do parto. 

Quando estava com quase 41 semanas de gestação, depois de passar uma tarde passeando pelo shopping, fazendo supermercado, andando sem parar, senti sinais de que as contrações estavam um pouco constantes demais... Minha mãe, que estava comigo, me obrigou (é sério, eu teria ficado numa boa no sofá assistindo tv) a ligar para minha médica, que, claro, disse para eu ir à maternidade.

Fui passear na maternidade, quer dizer, eu achava que seria só uma passadinha, que minha mãe e a obstetra estavam muito ansiosas à toa. Não levei mala, não levei nada. Bom, mas não me deixaram sair... me colocaram na ocitocina (para acelerar o processo) e então eu comecei a cair na real de que todo paraíso descrito pela minha mãe não seria a minha realidade.

Tive contrações violentas, que me faziam curvar o corpo todo e urrar de dor. Fiquei em baixo do chuveiro para relaxar e achei um inferno, relaxamento zero. Então, muitas horas depois. me encaminharam para sala de parto, onde me aplicaram anestesia. Tive a certeza de que ia dormir, senti tudo formigar e até esqueci o que estava fazendo ali. Mas durou pouco. No exame de toque seguinte, a bolsa estourou, e aí, adeus anestesia, adeus paz. Veio tudo de uma vez... dor indescritível, pressão absurda. Não lembro quem ou o que xinguei, mas virei um monstro, fiquei descontrolada. Sofia nasceu e eu me senti, naquele momento, a pior mãe do mundo, porque não vivi aquela cena poética de novela em que a mãe olha o bebê e chora de emoção. Eu estava exausta, acabada e chocada com a dor inesperada. Olhei a Sofia, vi que estava bem e só senti alívio.

Mas fiquem calmas! Para aquelas que sonham em ter um parto normal, agora vem a parte boa. Fui para o quarto logo em seguida e, umas 3 horas após o parto, eu estava de pé, tomando banho sozinha, andando pelo quarto, tomando café da manhã (o meu e o do meu marido!), amamentando a Sofia e, dois dias depois, eu estava em casa, bem disposta, sem corte na barriga e até cogitando um segundo filho com parto normal.

Não apenas cogitei...Tomás nasceu, dois anos depois, num parto ainda mais normal. O primeiro sinal de que estava na hora dele nascer foi às 3h da madrugada e ele chegou às 6h, foi muito rápido. A dor durante o parto felizmente não aconteceu, pois a anestesia funcionou dessa vez, mas, até ser anestesiada, lembrei muito do parto da Sofia, porque as contrações foram enlouquecedoras novamente. No dia seguinte, embora estivesse com uma dor de cabeça horrorosa causada pela anestesia, estava bem disposta como no nascimento da Sofia. Fui embora da maternidade 2 dias depois, dirigindo meu carro e deixando o manobrista chocado.

Não vou dizer que o parto normal é uma tranquilidade, como minha mãe me contava, mas, além de ser o processo natural do corpo, é suportável (estou viva, sem traumas e encarei a segunda experiência), não é invasivo, a recuperação é maravilhosa e só quem passou por ele pode usar com total consciência do significado e nas situações mais apropriadas a frase "nossa, foi um parto".










quinta-feira, 10 de maio de 2018

Sem querer, casei no "mês das noivas"

Há pouco mais de 10 anos eu descobri que estava grávida da Sofia. Foi aquele confusão de sentimentos...susto, alegria, medo e tantas coisas mais.  O que eu não esperava era o que vinha na sequência... Eu, toda precavida como sempre, quis me adiantar, pesquisar, no meu seguro saúde, maternidade e obstetra. Liguei na central de  atendimento da seguradora, já com lápis e papel na mão, para anotar as opções. Porém, não tinha nada para anotar, eu não tinha OPÇÕES! Não havia cobertura de parto, era um plano familiar antigo no qual era opcional esse tipo de cobertura!!! Opa, que alegria!!! Podem imaginar que fiquei bem tranquila, claro... Após um período de pânico, tudo se ajeitou. A gestação seguiu em paz, sem sustos.

No 6º mês resolvi ir atrás de mais uma questão burocrática: a inclusão da Sofia no meu NOVO plano (porque é claro que fui obrigada a dar uma atualizada no plano antigo, sem cobertura de parto, que eu tinha desde criança). Então descobri que, para que ela entrasse como minha dependente, por questões legais, eu precisava apresentar minha certidão de casamento à seguradora. Simples. Só tinha um detalhe... eu não era casada... não formalmente.

Casamento formal, com ou sem cerimônia, nunca fez parte dos meus sonhos ou necessidades. Por que oficializar, para que colocar uma aliança? Nunca vi sentido nisso. Pra mim o casamento existe desde o momento em que se divide o mesmo espaço com a pessoa que você escolheu estar, não precisa de documento, anel ou fotos. Não precisa provar ou mostrar nada para ninguém. Porém, descobri que, quando um filho entra na jogada, nem sempre o que a gente acredita, e gostaria, é o que vai de fato fazer. 

E assim, com zero romantismo, zero elegância (me dei conta da tragédia do meu figurino de "noiva grávida" esses dias, revendo minhas fotos), zero planejamento, eu e o Giva casamos, no civil, dia 10 de maio de 2008.

Minha mãe me contou que na hora em que o juiz encerrou a cerimônia no cartório desejando que "a Nossa Senhora do Bom Parto te proteja", minha avó Lydia, que estava ao lado dela, inconformada, falou:

- Nunca imaginei ver minha neta casando assim...

Achei engraçado. Ela sempre foi super sincera e com certeza sei que estava feliz, mas devia achar que, sendo eu a única neta que tinha (depois nasceram só meninos na família!), devia ter tido um casamento "mais alinhado" (achava muito engraçado esse adjetivo que ela usava), devia ter entrado na igreja, linda, de branco, sem aquele barrigão escandaloso..

No cartório, sem festa, com barrigão e figurino lamentável, sem aliança (até hoje! não usamos e não sentimos falta), o que importa é que isso tudo já aconteceu há 10 anos e estamos firmes e fortes, juntos há 15 anos (já estávamos juntos 5 anos antes de assinar um documento), com 2 filhos lindos, 1 gata de 19 anos, morando no nosso terceiro endereço (ou seja, o casamento sobreviveu a duas mudanças e algumas reformas!), sempre com muito diálogo, respeito, companheirismo e muito amor.