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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Rádio Eldorado

 Há 30 anos minha história com a Rádio Eldorado começou.


Na época, eu ainda era uma estudante de Rádio e TV e, em busca de um estágio, surgiu uma oportunidade lá na Rua Pires da Mota, na Aclimação. Minha chefe era a Patrícia Palumbo e quem me dava uma força para não fazer muita besteira era o produtor Will Robson. Não foi um longo estágio, mas foi inesquecível. Aprendi muito sobre como se trabalhar "ao vivo", como atender os ouvintes (que na época ligavam para dar informações de trânsito no final da tarde). Descobri ali o que me marcou pra sempre: um mundo musical novo, diversificado, atemporal e inesquecível. Nunca mais parei de ouvir a rádio.


Uns 15 anos depois, meus filhos, ainda pequenos, entraram para o grupo dos "melhores ouvintes". Nas idas e vindas de carro, estávamos sempre sintonizados na Eldorado. Porém, foi com o "Som a Pino" que a rádio conquistou definitivamente Sofia e Tomás. O dia de telefone aberto era de grande expectativa no carro para ver se me convenciam a estacionar e ligar para pedir uma música. Caí no golpe de que "iriam pedir música e conversar com a Roberta" e me convenceram a ligar. Como vcs podem conferir no link a seguir:

https://asumigamordeumeudido.blogspot.com/2018/09/estavamos-ao-vivo.html

Não foi apenas nesse dia que "conversei" com a Roberta. 

Mandei um texto (lido pela Sara Oliveira) para o quadro "Música Mais Maravilhosa". Link: https://asumigamordeumeudido.blogspot.com/2018/04/memorias-pino.html

Também participei de um clube do livro (Bux Club) da Roberta na mesma época, onde descobri leituras maravilhosas (que, felizmente, continuo descobrindo até hoje, com o, premido pela APCA, Clube do Livro Eldorado). 


A Eldorado ainda me trouxe tantas outras experiências boas:

* Ouvir diariamente o "Fim de Tarde", com o alto astral do Emanuel Bomfim e Leandro Cacossi; 

* Ir a eventos que eram promovidos pela Rádio, como Festival Coala e Feira do Livro, e encontrar os locutores por lá;

* Ser surpreendida semanalmente com a seleção do "Chocolate Quente", da Paula Lima;

* Ouvir entrevistas excelentes do "Trip FM", com Paulo Lima; 

* Viajar nas deliciosas músicas e histórias contadas pela Sara Oliveira no "Minha Canção";

* Aprender muito com as "aulas" sobre música do André Góes.


Está bem difícil de acreditar que, a partir do dia 15 de maio, a rádio não poderá mais ser sintonizada no 107,3 FM.  Como pode isso? Como???


Fiz meu protesto individual no dia em que o Estadão publicou o ridículo anúncio do encerramento. Terminei a leitura das justificativas esfarrapadas e cancelei imediatamente minha assinatura de muitos anos do jornal.


Ontem fiz meu protesto coletivo, junto aos melhores ouvintes, melhores locutores e produtores na Av. Paulista.


E por aqui estou com um sentimento, que me pareceu comum ontem na manifestação em frente ao MASP... um misto de tristeza com alguma ponta de esperança de que um novo caminho deve se abrir para acolher com carinho e respeito todo esse trabalho de décadas e sua equipe de profissionais maravilhosos.










sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Estávamos ao vivo


Quem me conhece bem sabe que falar em público nunca foi minha preferência desde criança. Eu travo, gaguejo, fico suada, o coração acelera. Às vezes até consigo falar, mas normalmente fujo, faço de tudo para me livrar da tarefa. Sempre preferi mil vezes me expressar por escrito,  onde organizo melhor as ideias, consigo falar o que quero, como quero e quando quero. Nos tempos de colégio sofria muito quando ouvia a palavra "apresentação", aquele terrível dia de apresentar trabalho, na frente da sala, com todo mundo olhando e julgando. Porém, ando notando que a idade tem me deixado menos tímida para algumas situações, tenho aprendido a sofrer menos. Bom, além disso, com Sofia e Tomás ao meu lado, muitas vezes sou quase obrigada a superar toda e qualquer timidez.

Não é de hoje que cito o Programa Som a Pino, da Radio Eldorado, por aqui. Acredito que deu para notar que gostamos muito e ouvimos realmente com frequência... Já mandei minha "música mais maravilhosa" através de uma gravação de áudio, já escrevi texto para um programa especial sobre memórias musicais, sempre mando comentários no chat do Facebook do programa e já participei de uma promoção de ingressos para o Festival Coala com uma mensagem de áudio.Com todo esse histórico de interação, fui deixando Sofia e Tomás animados com essa prática. Sofia e Tomás acham o máximo quando estamos no carro, ouvimos uma música e escrevo um comentário no chat que acaba sendo lido em seguida pela Roberta no ar. 

No Som a Pino há um dia da semana em que a Roberta Martinelli faz o "Telefone Aberto", com o programa todo feito por pedidos dos ouvintes. Claro, tudo ao vivo. É divertido ouvir as histórias, o bate papo e acompanhar a programação sendo feita de forma totalmente imprevisível. 

Já faz tempo que meus filhos pedem para ligarem e fazerem seus pedidos. Muitas crianças ligam e eles começaram a achar a ideia cada vez mais divertida. Pareciam super seguros com a decisão de bater um papo com a Roberta e falarem para ela o que gostariam de ouvir. Assim, já deixei algumas vezes que tentassem ligar enquanto eu dirigia para casa na volta da escola. Sempre dava ocupado. Fizeram muitas tentativas frustradas.

Hoje, na volta para casa, ouvindo Eldorado, veio o anúncio:

-  Hoje é dia de "telefone aberto"! - disse Roberta, convidando os ouvintes a participarem.

Sofia e Tomás aceitaram o convite. Me pediram o celular e começaram a ligar. Uma, duas, três tentativas... ocupado sempre. Sofia não desistiu. Ligou de novo mais algumas vezes e então ATENDERAM! Ela travou e passou imediatamente o celular para mim. Estacionei o carro e comecei a conversar com o produtor do programa:

- Alô. 
- Oi, tudo bem? Quem fala? - ele disse
- É a Aline, mas quem vai falar com a Roberta é minha filha, a Sofia.

Ao meu lado, desesperada ela balançava os braço com sinal de "NÃO, NÃO VOU FALAR".
Oi? Como assim? Cadê aquela coragem toda, aquela certeza, a desinibição da criança? Pega de surpresa, tive que continuar o papo sozinha:

- Bom, ela não vai falar, vou ser eu mesma então...
- Legal! E o que vocês querem ouvir?

Expliquei que uma briga rolava no carro, que não entravam em acordo sobre uma música a ser pedida. O produtor anotou as duas opções para deixar as músicas preparadas e me pediu para ficar na linha esperando.

Naqueles segundos de espera eu tive a certeza de que há coisas que só um filho pode fazer por você, ou melhor com você... te coloca ao vivo, na hora do almoço, numa rádio.. Sem dó, nem piedade!

Respirei fundo e só desejei conseguir falar e não passar vergonha. E então, depois de finalizado o papo ao vivo com a Roberta (quem quiser ouvir, vou deixar o link da gravação), desliguei e falei com a Sofia, aliviada:

- Acho que eu até consegui falar direito, né, Sofia?

Ela deu uma risadinha, falou um "ééé" pouco convincente e completou:

- Nossa, você até conseguiu falar, mas se você visse sua cara...Ficou o tempo todo  muito VERMELHA!

Voltamos para casa ouvindo as duas músicas pedidas, porque, já que não houve consenso sobre uma música, Roberta achou bacana tocar as duas escolhidas pelas crianças. 




segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O dia em que apaixonei pelo Coala


Demorei 5 anos para descobrir o Festival Coala. A descoberta aconteceu ao ouvir uma entrevista na Rádio Eldorado com os curadores do festival, Marcus Preto e Gabriel Andrade, há alguns meses. Que bom que sou ouvinte assídua do Som a Pino, da Roberta Martinelli, porque, nesse dia, durante a entrevista, além da feliz descoberta, ganhei, na promoção surpresa que fizeram, um par de ingressos para os dois dia de festival.

Nesse último fim de semana, nos dias 1 e 2 de setembro,  a 5ª edição do Festival Coala aconteceu. Me senti extremamente privilegiada por ter estado lá. Privilegiada, porque posso me esforçar para tentar contar em detalhes tudo o que aconteceu, mas o que vivi ali nesses dois dias talvez não não seja possível transmitir em palavras.

Para quem comprou ingressos, uma grata surpresa, em tempos de eventos caríssimos: o Coala Festival oferece entrada solidária, isto é, a meia entrada é válida para todos, contanto que seja doado 1 KG de alimento não perecível. É possível comprar um passaporte para os 2 dias por um preço super justo e acessível.

Ingressos na mão, vamos lá! 

Ao entrar no festival, pela passagem subterrânea que dá acesso ao espaço aberto do Memorial da América Latina, um cenário contrastante com a cidade de SP se abre. O que se encontra ali é um lugar cheio de cores,  de leveza, de alegria, de liberdade, de pessoas de todas as idades e gêneros, de todos os estilos e, principalmente, cheias de estilo!!! A infraestrutura montada é moderna, criativa e funcional. Tudo bem dividido, organizado e sinalizado.

Logo na entrada há uma indicação à esquerda para a "Feirinha Jabuticaba" (um espaço para expositores) e "Praça de Alimentação". O espaço reservado para alimentação tem um clima de parque, com árvores (com, super bem-vindas e disputadas, sombras, já que tivemos 2 dias de 30º nesse inverno maluco de SP), mesas de madeiras e pufes, além de muito espaço na grama que, para os mais experientes das outras edições do festival, foram preenchidos com cangas onde as pessoas podiam descansar e comer num clima de piquenique.

Contando com patrocínio de empresas como Natura e Skol, havia estande de degustação de um lançamento de cerveja, distribuição de água gratuita para quem comprasse drinks e muitas promotoras da Natura circulando e oferecendo "maquiagem express" para aqueles que queriam entrar num clima mais colorido. 

Os preços não eram abusivos para comer ou beber e disponibilizaram opções variadas, de ótima qualidade e bem saborosas. Realmente era possível passar o dia (ou 2 dias!) por lá sem sofrimento e sem ir à falência.

Segundo Thiago Custódio, sócio e diretor de marketing do Coala, “O evento foi pensado para ser democrático e amplificar manifestações de música e arte. Tudo isso só acontece porque marcas que têm isso na sua essência acreditam no projeto, e o entenderam como uma oportunidade de se conectar com o público jovem e formador de opinião”.

Ah! E claro... além disso tudo, o principal: o festival tem, claro, shows, muitos shows!

O Coala é exclusivamente um espaço para a música nacional. Com estilos diversos. É possível assistir um show de rap baiano, com Baco Exu do Blues, e ter, logo em seguida, Gilberto Gil, feliz e cheio de energia (com direito a uma "sambadinha" durante "O Rio de Janeiro continua lindo"). Ou assistir o show com uma "pegada Los Hermanos" do carioca Rubel e depois cair no baile black de Mano Brown, com seu excelente Boogie Naipe. 

Preciso confessar... amei muito o show do Gil, me acabei de dançar com Mano Brown e gostei muito de tudo que ouvi por lá, mas... Quem de fato ganhou meu coração, me conquistou do primeiro ao último segundo de show foi Johnny Hooker. Seu show abriu o segundo dia do festival, muita gente não conseguiu chegar a tempo, mas eu corri, corri muito, porque algo me dizia que eu não podia perder nada esse show. Eu estava certa.  Foi mágico, entramos no Memorial e a contagem regressiva para Johnny Hooker começou no telão (ah! mais um detalhe: pontualidade britânica do começo ao fim no Coala!!!! Coisa rara e exemplar hoje em dia). O show começou com o refrão "Olha eu aqui de novo. Viver, morrer, renascer. Firme e forte feito um touro". E assim foi, uma hora de um show firme e forte, intenso, vigoroso, com um artista completo, com uma presença de palco inacreditável (me falaram mais tarde que ele é baixinho, mas nem notei, pois no palco Johnny Hooker fica gigante!). No encerramento, um bis cheio de emoção e significados. Em tempos de preconceito, de retrocesso, de preocupação excessiva com a vida alheia, de julgamentos antiquados, "Flutua" foi cantada em coro com a platéia com uma intensidade, que me deixou emocionada até agora. Foi um momento pra lembrar que, sim, a vida não está fácil, o mundo está bem estranho e cheio de retrocessos, mas esses momentos valem a pena e, de alguma forma, percebemos que não estamos sozinhos.

* Obrigada Roberta Martinelli (e Rádio Eldorado!), Marcus Preto e Gabriel Andrade pelos ingressos.
** Obrigada Roberta Martinelli por atender meu pedido e tocar "Flutua" no Som a Pino de hoje e trazer, para mim e para os ouvintes que estiveram no Coala, um pouco daquela emoção de volta.