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domingo, 29 de maio de 2022

Jão. Você vai ouvir falar muito dele!

Ontem, contando para algumas pessoas sobre o show que fui na última sexta-feira, a resposta era uma só: quem é Jão? Se você também está se fazendo essa mesma pergunta, eu respondo: você ainda vai ouvir falar muito dele, mas eu vou dar uma ajuda e deixar aqui o link de uma reportagem da Forbes explicando a recente e explosiva trajetória desse cantor/compositor.

Eu, particularmente, havia ouvido falar dele por comentários da minha filha há algum tempo, o que despertou minha curiosidade por assistir à transmissão do show dele no Lollapalooza 2022, pela Multishow. Fiquei impressionada com o domínio de palco, com a autenticidade, com a energia dele no palco e com a troca com o público (que canta TODAS as músicas. Detalhe: o repertório do show é 99% de composições próprias. Jão canta apenas uma música no show de seu ídolo declarado, Cazuza. Aliás, que delícia ouvir adolescentes cantando Cazuza! Obrigada, Jão!).

Bom, se depois de ler esse breve resumo e a ótima reportagem da Forbes, você ainda não estiver entendendo o sucesso desse artista vindo do interior de SP, posso apenas afirmar mais algumas coisas:

Primeiro: O show é muito caprichado, com direito a cenário (cada turnê ou festival tem um super cenário diferente, por exemplo, navio na turnê "Pirata" e polvo gigante roxo nos festivais que ele tem participado por todo Brasil), passarela (que enlouquece o público da pista, que consegue ficar bem pertinho de Jão) e um efeito especial ao final (uma chuva! calma, é apenas em cima dele).

Segundo: A banda é muito boa, bem entrosada, com direito a duas backing vocals cheias de personalidade, Francine Môh e Marta Souza, que marcam presença importante em vários momentos da apresentação.

Terceiro: É impossível não se contagiar com o público enlouquecido dele. É realmente uma euforia coletiva. Um público de adolescentes, jovens adultos, LGBTs e muitos pais, como eu, acompanhando menores de 14 anos.

Quarto: Jão canta muito e tem um repertório cheio de hits, que grudam na mente. Eu me pego cantando em vários momentos do dia. Cantando feliz, porque ele já me ganhou. Não sou apenas uma mãe acompanhante no show. Deu pra notar?

Quinto: Jão se posiciona politicamente. Inevitavelmente chega um momento do show com aquele belo hino, puxado pelo público, contra o atual (des) Governo.

Enfim, tudo isso para contar pra vocês que eu descobri nesse mês que sou realmente muito boa em uma coisa bem difícil: ganhar concursos culturais. Concursos em que a tarefa é escrever um texto explicando o por quê que eu mereço ganhar o prêmio em questão.

Fazendo uma breve retrospectiva eu lembrei que ganhei, em 2010, um par de ingressos para o camarote do show da Vanessa da Mata na finada casa de shows Citibank Hall (ex-Palace), em 2018 ganhei um par de ingressos para os dois dias do Festival Coala, no Memorial da América Latina, há duas semanas ganhei um par de ingressos para o Festival Mita (os ingressos custavam R$ 700!!!!)... Tudo isso já seria surpreendente, mas, calma, eu tive a certeza na sexta-feira passada que o prêmio mais difícil eu acabei de ganhar!

Descobri há uns 10 dias que uma rádio bastante popular, a Rádio Disney, estava iniciando uma promoção que daria dois ingressos para o show do, claro, voltamos a ele... Jão. 

A tarefa era aquela de sempre: dar uma bela justificativa do por quê os ingressos deveriam ser meus. Os ingressos para esse show, assim como praticamente todos os shows dele deste ano, estavam 100% esgotados.

Mandei muitos textos. Apelei para mensagens de áudio bem criativas. No dia do resultado, sim, lá estava eu na lista dos premiados. Eu nunca me acostumo com a sensação de ler meu nome como vencedora, é realmente bom demais, dá muito orgulho e aquele frio na barriga gostoso! 

Porém, eu tive a real dimensão do quanto esse premio foi disputado quando cheguei no Espaço das Américas no dia 27/05/2022! Meu Deus!!!! Devem ter sido milhares de mensagens enviadas à rádio. O público do Jão é gigante e extremamente apaixonado.

Posso afirmar uma coisa. Essa paixão não é à toa. 

Jão está apenas no início da carreira e já está brilhando muito. 

Gostando ou não do estilo dele, você poderá ser pego de surpresa num baita congestionamento próximo ao Allianz Parque muito em breve.... depois não diga que eu não avisei!!!








#jão #espaçodasamericas


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Pela segunda vez, o Coala me ganhou

A expectativa estava alta depois de minha ida ao festival, em 2018. 

A tristeza, por me dar conta que perdi os 4 primeiros anos  (por onde passaram Caetando Veloso, Criolo, Otto, Silva, Céu, Emicida...), foi motivação suficiente para comprar o "passe coalático", que dá direito aos 2 dias de festival, na pré-venda, "no escuro", sem saber o line-up (programação). Detalhe, comprei no início do ano e o festival acabou de acontecer, nos dia 07 e 08 de setembro. Foram alguns meses com os ingressos na mão sem saber o que eu iria assistir.

Um amigo comentou, ao saber da minha compra: "você é louca!". 

Não, não era loucura. Era a certeza de que a curadoria do festival, feita por Marcus Preto e Gabriel Andrade, não iria me decepcionar. Na semana passada, ao participarem do programa Som a Pino, da Radio Eldorado, os dois contaram como é feita a seleção dos artistas de cada ano. Falaram sobre a importância da coerência de cada escolha e de se analisar a representatividade de cada artista no ano do evento.

Eles entregaram, novamente, o que prometeram. Dois dias de festival com uma programação bastante eclética, muito interessante, misturando o novo e o consagrado e sempre com bastante coerência. Até mesmo o que parecia que não daria certo, como o show do Djonga com Ney Matogrosso na sequência, funcionou. Ao final do ótimo show do rapper, os djs da Discopédia, com vinis de MPB da melhor qualidade conseguiram mudar o clima do Memorial da América Latina em minutos e preparar o público para o que viria a seguir. Mas antes de falar sobre Ney, vou voltar um pouco ao dia anterior.

No sábado os ingressos estavam esgotados, acredito que, principalmente por conta da banda que fecharia a noite, Baiana System. Uma multidão tornou o espaço do Coala intransitável. Claramente (e assustadoramente, para mim, que sou um pouco claustrofóbica) tinha muito mais gente do que no ano anterior. Ao meu ver, estava um pouco além da conta. 

Aos 43 anos, percebi que preciso fazer um planejamento para encarar dois dias de festival. Não adianta achar que vou aguentar 2 dias das 13h às 22h, porque a lombar não permite, o joelho dói e o cansaço dá as caras. Assim, me organizei para chegar às 15:30 e começar minha maratona por Duda Beat. 

Duda faz dançar, faz rir, com carisma e voz potente. Depois de um breve intervalo (sempre ao som de algum dj), foi a vez de Elba Ramalho mostrar toda sua experiência num show ARRASADOR. Com um pique invejável, energia contagiante, Elba dançou o tempo todo, apresentou um super repertório que não deixou ninguém parado. Ao meu lado se formou uma quadrilha de festa junina, com direito a túnel, coreografia. O povo no Coala sabe se divertir!

Eu me joguei com tanta empolgação na energia de Elba (que ainda teve como convidada a ótima Mariana Aydar), que ao final do show eu devia estar um trapo, já que meu marido me surpreendeu com uma pergunta: "você quer ficar meeeesmo pro Baiana System? Por mim, estou satisfeito por hoje. Esse show da Elba foi foda". Fui sincera... já estava bastante satisfeita também e um pouco cansada com a lotação excessiva do Memorial. Nós fomos, há 3 meses, a um show do Baiana. Claro, cada show é único, mas, fui racional, preferi garantir uma dose extra de energia pra ficar até o final no dia seguinte. 

Confesso que não é fácil abrir mão de shows no Coala, porque é a certeza de se estar deixando pra trás boa música, ótimos artistas. Porém, tinha mais no dia seguinte e seguimos no plano de poupar energia.

Felizmente o dia seguinte foi um alívio, uma grata surpresa. Sem a lotação do sábado, sem apertos ou grandes filas, o festival estava exatamente como presenciamos em 2018, bem mais confortável e agradável para passar o dia todo. 

Renovados e animados, começamos a tarde com um show lindo de Chico César e Maria Gadú. Mais tarde, um ótimo momento instrumental, com Letieres Leite e a Orkestra Rumpilezz. Ao final da apresentação, um presente, principalmente para nós que perdemos Baiana System na noite anterior... Russo Passapusso, convidado surpresa, chegou e levantou a plateia de forma impressionante. Em poucos minutos o show, que estava com o público um pouco disperso, era dele. Plateia incendiada para o que viria a seguir.

Nesse clima, a noite continuou com Djonga, seguido por ótima MPB com os djs do Discopédia e, então, ele... Ney Matogrosso.

Nenhum adjetivo é suficiente para falar sobre o show de Ney Matogrosso. Sim, ele continua maravilhoso, seu repertório é sofisticado, a voz sempre impecável e potente. Ney continua carismático e com uma energia fora do comum para um artista que acabou de completar 78 anos!!! É o tipo de show que voa, que quando você percebe já acabou, deixando aquela sensação de que mais 1 hora de show ainda seria pouco.

E assim o Festival Coala 2019 chegou ao fim me dando novamente uma certeza: é imperdível!




segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O dia em que apaixonei pelo Coala


Demorei 5 anos para descobrir o Festival Coala. A descoberta aconteceu ao ouvir uma entrevista na Rádio Eldorado com os curadores do festival, Marcus Preto e Gabriel Andrade, há alguns meses. Que bom que sou ouvinte assídua do Som a Pino, da Roberta Martinelli, porque, nesse dia, durante a entrevista, além da feliz descoberta, ganhei, na promoção surpresa que fizeram, um par de ingressos para os dois dia de festival.

Nesse último fim de semana, nos dias 1 e 2 de setembro,  a 5ª edição do Festival Coala aconteceu. Me senti extremamente privilegiada por ter estado lá. Privilegiada, porque posso me esforçar para tentar contar em detalhes tudo o que aconteceu, mas o que vivi ali nesses dois dias talvez não não seja possível transmitir em palavras.

Para quem comprou ingressos, uma grata surpresa, em tempos de eventos caríssimos: o Coala Festival oferece entrada solidária, isto é, a meia entrada é válida para todos, contanto que seja doado 1 KG de alimento não perecível. É possível comprar um passaporte para os 2 dias por um preço super justo e acessível.

Ingressos na mão, vamos lá! 

Ao entrar no festival, pela passagem subterrânea que dá acesso ao espaço aberto do Memorial da América Latina, um cenário contrastante com a cidade de SP se abre. O que se encontra ali é um lugar cheio de cores,  de leveza, de alegria, de liberdade, de pessoas de todas as idades e gêneros, de todos os estilos e, principalmente, cheias de estilo!!! A infraestrutura montada é moderna, criativa e funcional. Tudo bem dividido, organizado e sinalizado.

Logo na entrada há uma indicação à esquerda para a "Feirinha Jabuticaba" (um espaço para expositores) e "Praça de Alimentação". O espaço reservado para alimentação tem um clima de parque, com árvores (com, super bem-vindas e disputadas, sombras, já que tivemos 2 dias de 30º nesse inverno maluco de SP), mesas de madeiras e pufes, além de muito espaço na grama que, para os mais experientes das outras edições do festival, foram preenchidos com cangas onde as pessoas podiam descansar e comer num clima de piquenique.

Contando com patrocínio de empresas como Natura e Skol, havia estande de degustação de um lançamento de cerveja, distribuição de água gratuita para quem comprasse drinks e muitas promotoras da Natura circulando e oferecendo "maquiagem express" para aqueles que queriam entrar num clima mais colorido. 

Os preços não eram abusivos para comer ou beber e disponibilizaram opções variadas, de ótima qualidade e bem saborosas. Realmente era possível passar o dia (ou 2 dias!) por lá sem sofrimento e sem ir à falência.

Segundo Thiago Custódio, sócio e diretor de marketing do Coala, “O evento foi pensado para ser democrático e amplificar manifestações de música e arte. Tudo isso só acontece porque marcas que têm isso na sua essência acreditam no projeto, e o entenderam como uma oportunidade de se conectar com o público jovem e formador de opinião”.

Ah! E claro... além disso tudo, o principal: o festival tem, claro, shows, muitos shows!

O Coala é exclusivamente um espaço para a música nacional. Com estilos diversos. É possível assistir um show de rap baiano, com Baco Exu do Blues, e ter, logo em seguida, Gilberto Gil, feliz e cheio de energia (com direito a uma "sambadinha" durante "O Rio de Janeiro continua lindo"). Ou assistir o show com uma "pegada Los Hermanos" do carioca Rubel e depois cair no baile black de Mano Brown, com seu excelente Boogie Naipe. 

Preciso confessar... amei muito o show do Gil, me acabei de dançar com Mano Brown e gostei muito de tudo que ouvi por lá, mas... Quem de fato ganhou meu coração, me conquistou do primeiro ao último segundo de show foi Johnny Hooker. Seu show abriu o segundo dia do festival, muita gente não conseguiu chegar a tempo, mas eu corri, corri muito, porque algo me dizia que eu não podia perder nada esse show. Eu estava certa.  Foi mágico, entramos no Memorial e a contagem regressiva para Johnny Hooker começou no telão (ah! mais um detalhe: pontualidade britânica do começo ao fim no Coala!!!! Coisa rara e exemplar hoje em dia). O show começou com o refrão "Olha eu aqui de novo. Viver, morrer, renascer. Firme e forte feito um touro". E assim foi, uma hora de um show firme e forte, intenso, vigoroso, com um artista completo, com uma presença de palco inacreditável (me falaram mais tarde que ele é baixinho, mas nem notei, pois no palco Johnny Hooker fica gigante!). No encerramento, um bis cheio de emoção e significados. Em tempos de preconceito, de retrocesso, de preocupação excessiva com a vida alheia, de julgamentos antiquados, "Flutua" foi cantada em coro com a platéia com uma intensidade, que me deixou emocionada até agora. Foi um momento pra lembrar que, sim, a vida não está fácil, o mundo está bem estranho e cheio de retrocessos, mas esses momentos valem a pena e, de alguma forma, percebemos que não estamos sozinhos.

* Obrigada Roberta Martinelli (e Rádio Eldorado!), Marcus Preto e Gabriel Andrade pelos ingressos.
** Obrigada Roberta Martinelli por atender meu pedido e tocar "Flutua" no Som a Pino de hoje e trazer, para mim e para os ouvintes que estiveram no Coala, um pouco daquela emoção de volta.