Há 30 anos minha história com a Rádio Eldorado começou.
Na época, eu ainda era uma estudante de Rádio e TV e, em busca de um estágio, surgiu uma oportunidade lá na Rua Pires da Mota, na Aclimação. Minha chefe era a Patrícia Palumbo e quem me dava uma força para não fazer muita besteira era o produtor Will Robson. Não foi um longo estágio, mas foi inesquecível. Aprendi muito sobre como se trabalhar "ao vivo", como atender os ouvintes (que na época ligavam para dar informações de trânsito no final da tarde). Descobri ali o que me marcou pra sempre: um mundo musical novo, diversificado, atemporal e inesquecível. Nunca mais parei de ouvir a rádio.
Uns 15 anos depois, meus filhos, ainda pequenos, entraram para o grupo dos "melhores ouvintes". Nas idas e vindas de carro, estávamos sempre sintonizados na Eldorado. Porém, foi com o "Som a Pino" que a rádio conquistou definitivamente Sofia e Tomás. O dia de telefone aberto era de grande expectativa no carro para ver se me convenciam a estacionar e ligar para pedir uma música. Caí no golpe de que "iriam pedir música e conversar com a Roberta" e me convenceram a ligar. Como vcs podem conferir no link a seguir:
https://asumigamordeumeudido.blogspot.com/2018/09/estavamos-ao-vivo.html
Não foi apenas nesse dia que "conversei" com a Roberta.
Mandei um texto (lido pela Sara Oliveira) para o quadro "Música Mais Maravilhosa". Link: https://asumigamordeumeudido.blogspot.com/2018/04/memorias-pino.html
Também participei de um clube do livro (Bux Club) da Roberta na mesma época, onde descobri leituras maravilhosas (que, felizmente, continuo descobrindo até hoje, com o, premido pela APCA, Clube do Livro Eldorado).
A Eldorado ainda me trouxe tantas outras experiências boas:
* Ouvir diariamente o "Fim de Tarde", com o alto astral do Emanuel Bomfim e Leandro Cacossi;
* Ir a eventos que eram promovidos pela Rádio, como Festival Coala e Feira do Livro, e encontrar os locutores por lá;
* Ser surpreendida semanalmente com a seleção do "Chocolate Quente", da Paula Lima;
* Ouvir entrevistas excelentes do "Trip FM", com Paulo Lima;
* Viajar nas deliciosas músicas e histórias contadas pela Sara Oliveira no "Minha Canção";
* Aprender muito com as "aulas" sobre música do André Góes.
Está bem difícil de acreditar que, a partir do dia 15 de maio, a rádio não poderá mais ser sintonizada no 107,3 FM. Como pode isso? Como???
Fiz meu protesto individual no dia em que o Estadão publicou o ridículo anúncio do encerramento. Terminei a leitura das justificativas esfarrapadas e cancelei imediatamente minha assinatura de muitos anos do jornal.
Ontem fiz meu protesto coletivo, junto aos melhores ouvintes, melhores locutores e produtores na Av. Paulista.
E por aqui estou com um sentimento, que me pareceu comum ontem na manifestação em frente ao MASP... um misto de tristeza com alguma ponta de esperança de que um novo caminho deve se abrir para acolher com carinho e respeito todo esse trabalho de décadas e sua equipe de profissionais maravilhosos.
