domingo, 29 de maio de 2022

Jão. Você vai ouvir falar muito dele!

Ontem, contando para algumas pessoas sobre o show que fui na última sexta-feira, a resposta era uma só: quem é Jão? Se você também está se fazendo essa mesma pergunta, eu respondo: você ainda vai ouvir falar muito dele, mas eu vou dar uma ajuda e deixar aqui o link de uma reportagem da Forbes explicando a recente e explosiva trajetória desse cantor/compositor.

Eu, particularmente, havia ouvido falar dele por comentários da minha filha há algum tempo, o que despertou minha curiosidade por assistir à transmissão do show dele no Lollapalooza 2022, pela Multishow. Fiquei impressionada com o domínio de palco, com a autenticidade, com a energia dele no palco e com a troca com o público (que canta TODAS as músicas. Detalhe: o repertório do show é 99% de composições próprias. Jão canta apenas uma música no show de seu ídolo declarado, Cazuza. Aliás, que delícia ouvir adolescentes cantando Cazuza! Obrigada, Jão!).

Bom, se depois de ler esse breve resumo e a ótima reportagem da Forbes, você ainda não estiver entendendo o sucesso desse artista vindo do interior de SP, posso apenas afirmar mais algumas coisas:

Primeiro: O show é muito caprichado, com direito a cenário (cada turnê ou festival tem um super cenário diferente, por exemplo, navio na turnê "Pirata" e polvo gigante roxo nos festivais que ele tem participado por todo Brasil), passarela (que enlouquece o público da pista, que consegue ficar bem pertinho de Jão) e um efeito especial ao final (uma chuva! calma, é apenas em cima dele).

Segundo: A banda é muito boa, bem entrosada, com direito a duas backing vocals cheias de personalidade, Francine Môh e Marta Souza, que marcam presença importante em vários momentos da apresentação.

Terceiro: É impossível não se contagiar com o público enlouquecido dele. É realmente uma euforia coletiva. Um público de adolescentes, jovens adultos, LGBTs e muitos pais, como eu, acompanhando menores de 14 anos.

Quarto: Jão canta muito e tem um repertório cheio de hits, que grudam na mente. Eu me pego cantando em vários momentos do dia. Cantando feliz, porque ele já me ganhou. Não sou apenas uma mãe acompanhante no show. Deu pra notar?

Quinto: Jão se posiciona politicamente. Inevitavelmente chega um momento do show com aquele belo hino, puxado pelo público, contra o atual (des) Governo.

Enfim, tudo isso para contar pra vocês que eu descobri nesse mês que sou realmente muito boa em uma coisa bem difícil: ganhar concursos culturais. Concursos em que a tarefa é escrever um texto explicando o por quê que eu mereço ganhar o prêmio em questão.

Fazendo uma breve retrospectiva eu lembrei que ganhei, em 2010, um par de ingressos para o camarote do show da Vanessa da Mata na finada casa de shows Citibank Hall (ex-Palace), em 2018 ganhei um par de ingressos para os dois dias do Festival Coala, no Memorial da América Latina, há duas semanas ganhei um par de ingressos para o Festival Mita (os ingressos custavam R$ 700!!!!)... Tudo isso já seria surpreendente, mas, calma, eu tive a certeza na sexta-feira passada que o prêmio mais difícil eu acabei de ganhar!

Descobri há uns 10 dias que uma rádio bastante popular, a Rádio Disney, estava iniciando uma promoção que daria dois ingressos para o show do, claro, voltamos a ele... Jão. 

A tarefa era aquela de sempre: dar uma bela justificativa do por quê os ingressos deveriam ser meus. Os ingressos para esse show, assim como praticamente todos os shows dele deste ano, estavam 100% esgotados.

Mandei muitos textos. Apelei para mensagens de áudio bem criativas. No dia do resultado, sim, lá estava eu na lista dos premiados. Eu nunca me acostumo com a sensação de ler meu nome como vencedora, é realmente bom demais, dá muito orgulho e aquele frio na barriga gostoso! 

Porém, eu tive a real dimensão do quanto esse premio foi disputado quando cheguei no Espaço das Américas no dia 27/05/2022! Meu Deus!!!! Devem ter sido milhares de mensagens enviadas à rádio. O público do Jão é gigante e extremamente apaixonado.

Posso afirmar uma coisa. Essa paixão não é à toa. 

Jão está apenas no início da carreira e já está brilhando muito. 

Gostando ou não do estilo dele, você poderá ser pego de surpresa num baita congestionamento próximo ao Allianz Parque muito em breve.... depois não diga que eu não avisei!!!








#jão #espaçodasamericas


quarta-feira, 18 de maio de 2022

Barista amadora

Semana passada fomos à uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil e, na saída, decidimos tomar um lanche rápido no “Café Girondino” que fica lá dentro.

Tomás, surpreendentemente, escolheu um café, mas não um café qualquer. Optou pelo "Café Caramel", que, como o nome diz, tinha caramelo, além de leite e café.

Sofia achou uma boa ideia e escolheu o mesmo. O pedido deles chegou caprichado, com desenho na espuma. Adoraram.

Dias depois, em casa, após o almoço, Tomás pediu:


Tomás: Mãe, pode me fazer um café?

Eu: Café? Ok... Só café ou quer que coloque leite?

Tomás: Não. Pode colocar o que vc quiser.

Eu: Não? Como assim? O que você quer?

Tomás: O que vc quiser. Pode escolher.


E então entendi que ele achou que eu levava jeito para barista. Queria que eu colocasse minha criatividade para trabalhar e oferecesse um café, no mínimo, à altura do "Café Caramel" do Girondino.

Fiz o que pude, café, leite com espuma e até um desenho. Acho que foi aprovado, porque Tomás, antes de beber tudo, quis tirar uma foto. Confiram a seguir:




terça-feira, 17 de maio de 2022

O irmão do bróquis

Em 2014, o "bróquis" passou por aqui. Desde então muita coisa mudou. Sofia já não topa comê-lo com tanta frequência. Tomás continua bastante interessado.

Semana passada fiz um Yakissoba, com muitos bróquis, ou melhor, brócolis. 

Tomás comeu um prato pratão e ainda repetiu. Satisfeito, foi deixar o prato na pia e me viu guardando o que havia sobrado num pote. Falou, com tom de indignação:

- Ah, que injusto!!! Você não colocou brócolis para mim!!!!

Impossível, eu tinha certeza que havia caprichado na porção de brócolis para ele. E afirmei com muita convicção de que havia brócolis no prato sim. Ele continuou a reclamação:

- Não colocou desse branquinho - disse ele apontando para o irmão albino do brócolis, mais conhecido como couve-flor...






quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

E no meio do caminho tinha...

Pois é, o blog estava esquecido, abandonado. Talvez estivesse perdido naquela outra vida que tínhamos antes dessa pandemia insana começar. Passaram-se 2 anos dessa ingrata convivência com a COVID-19 rondando nossa vida, tirando nossa paz e liberdade. E ainda deixando todo dia com aquela cara de "Dia da Marmota" (pra quem é xóvem, Dia da Marmota é um filme de 1993, onde o personagem principal estava preso numa repetição do mesmo dia). Bom, a pandemia não acabou, o dia da marmota marca presença ainda, porém, às vezes, algo novo acontece. Hoje foi assim...

Eram 6:30 da manhã de uma quinta-feira estranha, sem rodízio para meu carro, pois uma mega cratera surgiu ao lado da obra do metrô na Marginal Tietê e o trânsito sem caótico ficou um pouco pior. Sem rodízio significa para mim um dia sem stress no trânsito. Posso atrasar 10 minutos sem pensar na multa que poderei receber. 

No caminho para o colégio da Sofia e do Tomás, numa rua quase deserta por onde passávamos, vi uma pomba branca no meio da rua. Estava longe e era óbvio que ela sairia dali até meu carro passar. Fomos chegando perto, mais perto, bem pertinho... A pomba, um tanto gorda, estava imóvel. Quando já estava quase passando por cima e esperando que ela desse aquele voo assustado como as pombas sempre fazem, veio a surpresa! Não era uma pomba branca gorda e preguiçosa. Era um pato! Um pato branco no meio da rua. Parei o carro assustada e esperei o bicho andar lentamente até a calçada.  


No banco de trás, Tomás falou:


- Mãe, se você tivesse atropelado o pato eu nunca mais falaria com você!


E Sofia completou:


- E eu ia ficar traumatizada para sempre!!!


O pato seguiu seu caminho, provavelmente em busca do Parque da Água Branca, e nós continuamos nosso percurso incrédulos com a cena inusitada em pleno centro da cidade.













quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Come to the cute side

No último dia do ano li um texto (não lembro o nome do autor) que dizia: "o ano de 2021 não será um ano melhor". Calma, não era um texto pessimista, mas sim uma reflexão sobre essa expectativa que colocamos sobre o novo ANO. Esperar um ano inteiro melhor do que o anterior pode ser um pouco pesado, pode gerar altas expectativas e talvez muitas frustrações. O conselho do texto era: lembrar que nossa vida é feita por momentos, por dias, minutos, segundos. São eles que devem ser vistos como relevantes e deixar boas memórias. Não um ano. 

Assim, por aqui seguimos nossos momentos, minutos e segundos e aproveito essa primeira semana de uma novo ciclo para dividir minutos de fofura com vocês.

Ontem fui fazer o programa favorito da Sofia de janeiro: ida à papelaria para comprar material escolar. Esse ano não está exatamente emocionante fazer esse tipo de programa, porque a escola mandou uma lista bem enxuta já que não há certeza de como serão as aulas neste ano. Bom, mas ela se divertiu e, além de escolher suas coisas, separou um caderno pro Tomás com tema Baby Yoda, de Star Wars, ou melhor, de Mandalorian, não sei ao certo.

Chegando em casa, Tomás ganhou seu "presente" e falou, eufórico: 

- Como eu vou prestar atenção nas aulas com essa fofura para eu olhar toda hora?!!!

Mais tarde, conversando com a Sofia eles estavam vendo uma notícia que citava o Luciano Huck. Tomás questionou:

- Por que o nome dele é Huck? Ele é forte?

À noite mais uma dose de alegria. 
Antes de dormir, Tomás resolveu ler 2 livros para mim e para a Sofia. Porém, não foi uma mera leitura. Ele estava inspirado, empenhado na interpretação a cada página. 
Sofia perguntou: 

- Tomás, você lê assim na escola?

Com a negativa, ela respondeu:

- Nossa, as professoras iam de amar se você lesse assim nas aulas!"

E completou:

- Tomás,  você descobriu hoje sua vocação! Você vai ser ator!

Não sei o que ele decidirá ser, mas espero que leia mais vezes para divertir a turma aqui de casa. 

E como diz o caderno novo do Tomás... 
"Come to the cute side"! Bons momentos para vocês nesse 2021!!!



domingo, 20 de dezembro de 2020

Não sei, só sei que foi assim

Faltam apenas 11 dias para o ano acabar. 

Vou tentar resumir nesse primeiro (e único) texto do ano, o que foram esses longos 12 meses. 

2020 poderia ter sido uma ficção surrealista de Suassuna. Pensando bem, acho que não, pois o incrível Suassuna daria muito mais leveza e humor aos fatos e personagens.

Talvez 2020 esteja mais para Saramago. Me peguei lembrando muitas vezes, durante esses intermináveis meses, de dois livros dele:  "Ensaio sobre a Cegueira" e "As Intermitências da Morte". Em "As Intermitências da Morte", por exemplo, a narrativa inicia-se com a seguinte frase: "No dia seguinte ninguém morreu" e assim seguiu-se durante a narrativa toda. Infelizmente, ao contrário da história de Saramago, em 2020 apenas no Brasil, desde março, quase 190 mil pessoas morreram vítimas da covid-19.

A pandemia, que tornou 2020 um pesadelo interminável, pode não parecer real, de tão assoladora  e paralisante. O mundo parou, a quarentena de algumas semanas estendeu-se por meses, famílias e amigos encontraram-se apenas por video chamadas, muitos negócios fecharam,  máscaras e álcool viraram acessórios obrigatórios. 

Para muitos, a pandemia de fato não é real. Assim, além de convivermos com um vírus agressivo, há o desafio de vivermos rodeados por negacionistas, que insistem em dizer que é apenas uma "gripezinha". Eles andam por aí sem máscara (ou com ela no queixo) e completam a postura vergonhosa afirmando que a terra é plana e outras pérolas da doutrina do guru Olavo de Carvalho.

Mas não vou fazer do meu primeiro e único texto do ano um relato de tudo o que já cansamos de ler e ouvir por aí. Nem ficar citando nomes como esse acima, que causam extremo mal estar.

Por aqui, além de todo o peso de 2020, tivemos vários momentos de leveza também.

Vivemos todas as datas festivas em casa, apenas nós quarto (ops! 5, porque a Onze está sempre junto), tentando manter os rituais, as decorações, a alegria de cada data. 

Ficamos com o olhar mais atento. Notamos mais os pássaros do bairro (em abril eles fizeram uma verdadeira dança diária em cima de uma árvore frutífera), as diferenças de cada pôr do sol e a fúria das tempestades.

Tivemos serenata virtual através do projeto "Adote o Artista". E também serenata real, com um vizinho violinista se apresentando no terraço de um prédio. Houve até uma serenata ambulante, com um aspirante a cantor perambulando pelo bairro com uma caixa de som num carrinho usando fantasia de Papai Noel.

As aulas à distância foram muito bem sucedidas. O home office idem. Ah, descobri que é possível fazer exercício pelo Youtube!

Assistimos dezenas de séries! Entre elas: "This is Us", "Sex Education", "Fleabag", "Grey's Anatomy", "Orphan Black", "Rita", "Anne with an e"...

Me tornei uma consumidora voraz de podcasts! Entre eles: "Retrato Narrado" (tema desagradável, produção impecável), "Trip FM", "É Nóia Minha", "Calcinha Larga", "Gama Revista", "Foro de Teresina" e "Daria um Livro".

Rolou muito artesanato. Pintura em tela, pintura na parede, pintura em almofada, camiseta tye dye. Muita culinária também! Sofia virou nossa confeiteira oficial da família.

Aprendemos a dar banho na Onze em casa! E Sofia aprendeu a pintar cabelo em casa! Fez mechas rosa no cabelo dela e retocou a minha raiz. Nesse caso, eu me dei bem, muito bem, já que odeio ir a salão de cabeleireiro. 

Descobrimos que dá para tomar sol (com cadeira de praia) no quarto. 

Pois é, há como fazer quase tudo em casa, mas não há nada como a liberdade de escolha. Prefiro, daqui para frente, poder escolher fazer ou não em casa tudo o que descobrimos ser possível em 2020.

Desejo para esse bem-vindo 2021 que seja, para todos nós, um ano com mais leveza, com muita saúde, vacinas bastante eficazes e acessíveis a todos, lucidez, coerência, bom senso, compaixão, empatia, igualdade e paz. 

Que em 2021 todos os abraços e beijos não dados nesse ano que termina possam ser entregues em dobro!!!












quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Portas abertas


Hoje é o último dia da Sofia e do Tomás no colégio onde estudaram desde 2013. Foram 6 anos num ambiente alegre, leve e acolhedor, com profissionais que fizeram a diferença na vida deles e onde eles construíram amizades muito especiais.

Nesses anos de convivência com pais e alunos do Notre, as amizades foram muito além do colégio. Foram dezenas de idas, em grandes e pequenos grupos, a cinemas, teatros, exposições, festas, parques, blocos de carnaval... Demos presentes coletivos super bacanas para professoras, arrecadamos doações para festas, demos risadas juntos, nos apoiamos em momentos difíceis, nos ajudamos nas dúvidas do dia a dia sobre tarefas escolares, trabalhos, recados não dados pelos filhos... Enfim, foram 6 anos de muitas histórias, muita cumplicidade e união.

Mudanças não são fáceis, mas há momentos em que são inevitáveis e acredito que o melhor a fazer é encarar de frente e com pés no chão. Foi assim que buscamos lidar com esse tipo de decisão lá em casa, "jogando aberto", com conversas frequentes e com sensibilidade. Sofia e Tomás tiveram alguns meses para assimilar a ideia, colocar angústias, medos e dúvidas para fora e, a parte mais difícil, irem dando um "até breve" para os amigos. 

Na última segunda-feira Tomás entrou no carro, na volta pra casa, calado e de cabeça baixa. Naquele dia havia acontecido um "amigo chocolate" (amigo secreto com trocas de chocolates) na turma dele e puxei papo perguntando como havia sido. A resposta: 

- Foi legal. 

Insisti na conversa:

- Quem te tirou, Tomás?
- O Lucas.
- Que legal! E como foi a festa na sala?
- Legal.

Silêncio.
E então ele respirou fundo e continuou:

- Sabe que hoje eu fiquei com os olhos cheios de lágrimas e um negócio aqui no peito?
- É mesmo? Por que?
- Porque a Catarina fez um discurso sobre amizade e despedidas.
- O que ela falou?
- Ah, não lembro...

E começou a chorar.

Catarina é amiga dele desde o primeiro ano no colégio. Alegre, carismática, desinibida e extremamente sensível e inteligente (fiquei sabendo que os amigos fazem campanha "Catarina Presidente" para vocês terem uma ideia de como ela se expressa em turma). Ontem recebi o vídeo do discurso... e, claro, também fiquei "com um negócio no peito". Nossa futura presidente, que hoje tem apenas 9 anos, disse:

"Eu sei que todo mundo que vai embora está ficando um pouco triste, porque não vão mais estudar com os amigos, que formaram um laço forte desde a primeira vez que se encontraram. Mas eu sei também que ninguém vai deixar de ser amigo porque mudou de escola. Sei que a gente vai se encontrar em outros lugares. E eu também sei que as portas do colégio vão estar sempre abertas. E também vão estar sempre abertas as portas do nosso coração".

Tão bom saber que estão abertas não apenas as portas do colégio (onde certamente voltaremos para visitar ou curtir festas), do coração das crianças (que expressaram, cada um de sua forma, o mesmo carinho colocado em palavras pela Catarina) , mas também de suas famílias, com as quais convivemos, aprendemos e nos divertimos muito juntos nesses 6 anos de Colégio Notre Dame. 

Sim, ficaremos com muitas saudades dessa rotina juntos. 
Não, isso definitivamente não é uma despedida. 








Passeio no parque

Apresentação de ginástica

Bloco de Carnaval

Festa junina

Cantata de Natal



terça-feira, 10 de setembro de 2019

Pela segunda vez, o Coala me ganhou

A expectativa estava alta depois de minha ida ao festival, em 2018. 

A tristeza, por me dar conta que perdi os 4 primeiros anos  (por onde passaram Caetando Veloso, Criolo, Otto, Silva, Céu, Emicida...), foi motivação suficiente para comprar o "passe coalático", que dá direito aos 2 dias de festival, na pré-venda, "no escuro", sem saber o line-up (programação). Detalhe, comprei no início do ano e o festival acabou de acontecer, nos dia 07 e 08 de setembro. Foram alguns meses com os ingressos na mão sem saber o que eu iria assistir.

Um amigo comentou, ao saber da minha compra: "você é louca!". 

Não, não era loucura. Era a certeza de que a curadoria do festival, feita por Marcus Preto e Gabriel Andrade, não iria me decepcionar. Na semana passada, ao participarem do programa Som a Pino, da Radio Eldorado, os dois contaram como é feita a seleção dos artistas de cada ano. Falaram sobre a importância da coerência de cada escolha e de se analisar a representatividade de cada artista no ano do evento.

Eles entregaram, novamente, o que prometeram. Dois dias de festival com uma programação bastante eclética, muito interessante, misturando o novo e o consagrado e sempre com bastante coerência. Até mesmo o que parecia que não daria certo, como o show do Djonga com Ney Matogrosso na sequência, funcionou. Ao final do ótimo show do rapper, os djs da Discopédia, com vinis de MPB da melhor qualidade conseguiram mudar o clima do Memorial da América Latina em minutos e preparar o público para o que viria a seguir. Mas antes de falar sobre Ney, vou voltar um pouco ao dia anterior.

No sábado os ingressos estavam esgotados, acredito que, principalmente por conta da banda que fecharia a noite, Baiana System. Uma multidão tornou o espaço do Coala intransitável. Claramente (e assustadoramente, para mim, que sou um pouco claustrofóbica) tinha muito mais gente do que no ano anterior. Ao meu ver, estava um pouco além da conta. 

Aos 43 anos, percebi que preciso fazer um planejamento para encarar dois dias de festival. Não adianta achar que vou aguentar 2 dias das 13h às 22h, porque a lombar não permite, o joelho dói e o cansaço dá as caras. Assim, me organizei para chegar às 15:30 e começar minha maratona por Duda Beat. 

Duda faz dançar, faz rir, com carisma e voz potente. Depois de um breve intervalo (sempre ao som de algum dj), foi a vez de Elba Ramalho mostrar toda sua experiência num show ARRASADOR. Com um pique invejável, energia contagiante, Elba dançou o tempo todo, apresentou um super repertório que não deixou ninguém parado. Ao meu lado se formou uma quadrilha de festa junina, com direito a túnel, coreografia. O povo no Coala sabe se divertir!

Eu me joguei com tanta empolgação na energia de Elba (que ainda teve como convidada a ótima Mariana Aydar), que ao final do show eu devia estar um trapo, já que meu marido me surpreendeu com uma pergunta: "você quer ficar meeeesmo pro Baiana System? Por mim, estou satisfeito por hoje. Esse show da Elba foi foda". Fui sincera... já estava bastante satisfeita também e um pouco cansada com a lotação excessiva do Memorial. Nós fomos, há 3 meses, a um show do Baiana. Claro, cada show é único, mas, fui racional, preferi garantir uma dose extra de energia pra ficar até o final no dia seguinte. 

Confesso que não é fácil abrir mão de shows no Coala, porque é a certeza de se estar deixando pra trás boa música, ótimos artistas. Porém, tinha mais no dia seguinte e seguimos no plano de poupar energia.

Felizmente o dia seguinte foi um alívio, uma grata surpresa. Sem a lotação do sábado, sem apertos ou grandes filas, o festival estava exatamente como presenciamos em 2018, bem mais confortável e agradável para passar o dia todo. 

Renovados e animados, começamos a tarde com um show lindo de Chico César e Maria Gadú. Mais tarde, um ótimo momento instrumental, com Letieres Leite e a Orkestra Rumpilezz. Ao final da apresentação, um presente, principalmente para nós que perdemos Baiana System na noite anterior... Russo Passapusso, convidado surpresa, chegou e levantou a plateia de forma impressionante. Em poucos minutos o show, que estava com o público um pouco disperso, era dele. Plateia incendiada para o que viria a seguir.

Nesse clima, a noite continuou com Djonga, seguido por ótima MPB com os djs do Discopédia e, então, ele... Ney Matogrosso.

Nenhum adjetivo é suficiente para falar sobre o show de Ney Matogrosso. Sim, ele continua maravilhoso, seu repertório é sofisticado, a voz sempre impecável e potente. Ney continua carismático e com uma energia fora do comum para um artista que acabou de completar 78 anos!!! É o tipo de show que voa, que quando você percebe já acabou, deixando aquela sensação de que mais 1 hora de show ainda seria pouco.

E assim o Festival Coala 2019 chegou ao fim me dando novamente uma certeza: é imperdível!




quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Qual profissão seguir

Nesta semana Tomás teve duas tarefas do colégio com o tema "Profissões". Primeiro precisou fazer, numa lição de casa, uma entrevista. Logo depois, veio na agenda um bilhete explicando que haveria uma atividade em sala de aula e cada aluno deveria representar uma profissão. Para isso seria necessário um figurino ou acessórios que identificassem a profissão escolhida.
Fiquei alguns dias tentando resolver essa questão de figurino/acessórios com o Tomás. Foram algumas tentativas:
  • Tomás,  o que você acha de ir de médico?
  • Não quero.
  • Economista? Pego uma calculadora do papai pra você.
  • Não.
  • Produtor de tv?
  • Não, mãe...
Resolvi dar um tempo na "pressão" pela escolha. Porém, me distraí, o dia da atividade chegou e, claro, Tomás não tinha nada preparado.
Hoje, o dia da atividade, dia dele levar o figurino ou acessórios, é também o dia mais corrido da semana por aqui, dia do rodízio do carro. Na maratona matinal contra o relógio para conseguirmos sair antes das 7:00, ouço a terrível pergunta:
  • Mãe, o que eu vou levar? É hoje o dia da atividade de profissões! É pra nota!
  • Como assim Tomás? Perguntei mil vezes... hoje é rodízio, não dá tempo de ver isso agora. Pegue uma máscara e vá de médico. Ou uma calculadora do papai e vá de economista...
  • Mas não posso! Já falei para a professora o que eu seria, já está escolhido!
Que maravilha, né?! Para a professora ele passa a informação. Para a mãe o aviso vem 10 minutos antes de sair de casa, no dia do rodízio! Respirei fundo e falei:
  • Ok, o que você escolheu, Tomás?
  • Veterinário. O que eu levo?
  • Sei lá, leva a Onze (nossa cachorra)!
Ele riu e continuou me olhando e esperando uma solução.
Lembrei de um jaleco da Sofia que estava no armário, colei uma fita crepe por cima do nome dela e escrevi "Dr Tomás". Separei uma caixinha de um remédio de ouvido para cachorro, um tubo de pasta de dente de cachorro e entreguei o "kit" para ele.
A resposta:
  • Quero levar biscoitos também. O natural (feito em casa)  e o fedido (industrializado), para mostrar as diferenças. Ah! E quero levar meu cachorro de pelúcia também.
E lá foi ele, de veterinário produzido em tempo recorde. Ainda conseguimos sair a tempo de não tomarmos multa do rodízio.
Há dias em que milagres acontecem. Principalmente o raro milagre da paciência às 6h da manhã no dia do rodízio.


sexta-feira, 19 de julho de 2019

Fazendo Cena - invadindo os bastidores

No domingo passado ganhamos um super presente, ingressos para um programa diferente, o espetáculo “Descobrindo o Teatro - Invadindo os bastidores”. A primeira informação que tive foi de que assistiríamos uma peça infantil e depois conheceríamos os bastidores do teatro. O projeto acontece no Teatro Alfa, um espaço lindo, que existe há 20 anos, na zona sul de São Paulo, atrás do Hotel Transamérica. 

Chegamos cedo e ficamos aguardando o sinal para entrada na sala (sala B do Alfa, no piso inferior), prevista para 11:00. O horário chegou e nada aconteceu, nenhum sinal para entrada. Às 11:10 um integrante da produção começou a andar pelo público e pedir que o acompanhassem até a sala . Nervoso, ele explicava estavam com um problema, que a van com os atores havia quebrado, mas que já estava a caminho. Com um rádio em mãos, outro integrante da produção conversava e avisava que a van estava na marginal e logo chegaria ao teatro. Naquele clima de apreensão pela "ausência" dos atores, pediram para todos sentarem em seus lugares e aguardarem. Aos desatentos, a peça já havia começado.

Os "técnicos", na verdade, eram ótimos atores. Tentando "improvisar" e entreter o público à espera do elenco, que, teoricamente, estava por chegar, os dois atores oferecem ao público uma bela aula sobre o teatro. Com o espetáculo denominado "Caixa Mágica", contaram as origens do teatro, deixando visualmente claro, detalhado e divertido com o era o teatro grego, o teatro japonês, a Comedia Dell'arte, o teatro de sombras, o teatro Elisabetano, o teatro realista.... e por aí vai. Com recursos super criativos e didáticos, mantendo sempre o clima de tensão (por estarem "improvisando" no lugar dos atores sem que o diretor tivesse autorizado), os atores, em certo momento pediram para que a platéia subisse no palco para um plano de fuga já que o diretor estava furioso e tentava entrar na sala que eles haviam trancado.

O plano de fuga, é claro, é a parte do "invadindo os bastidores" da brincadeira. E que parte...

Para Sofia e Tomás, tudo era novidade e diversão.
Para mim foi pura emoção. Poucos sabem, mas sou muito apaixonada por teatro. Há uns 25 anos meu programa favorito era ir semanalmente ao teatro, catalogar tudo o que eu assistia, pesquisar, estudar, assistir 2 ou 3 vezes a mesma peça... Fiz cursos livres de teatro, só comprava livros sobre teatro, era meu assunto favorito.. Enfim, invadir os bastidores do teatro Alfa significou para mim o mesmo que significaria para uma criança ir a um parque de diversões dos sonhos dela.

Voltando à "fuga", os atores conduziram o público pelo corredor dos camarins, passando pela sala de reunião de elenco, subindo então escadas até um amplo espaço escuro. É claro que eu já deduzi onde estávamos. É claro que já estava emocionada e queria que aqueles minutos durassem muito mais. E, sim, eu chorei (discretamente) quando as luzes se acenderam, as cortinas se abriram e foi revelado que estávamos no PALCO do teatro principal do Alfa, um teatro enorme, com 1322 lugares.

Não bastasse a surpresa e a emoção, a diversão ainda continuou. Por mais 1 hora, tivemos uma aula bem interativa, super detalhada sobre todos os recursos cenográficos, técnicos, de iluminação e som do teatro.

O projeto "Fazendo Cena" acontece em poucas datas durante o ano, já que mobiliza equipe dos 2 teatros, espaço integral do Alfa para atender um público reduzido (no máximo 200 pessoas por espetáculo). Recomendo demais essa experiência, todos merecem essa aula! Não percam!

* Muito obrigada, Elô, por esse presentão!!!!